segunda-feira, novembro 21

A greve geral



Há 100 anos, a greve geral tinha como objectivo a conquista do Poder. Hoje essa conquista não se faz nas ruas, como o Jerónimo dos 8% quer, mas através de eleições, ele e o indivíduo do BE, que não se sabe o que é, mas que pode prometer mundos e fundos, que nunca terá possibilidades de satisfazer. O Parlamento é o “nosso campo”, onde têm que jogar o nosso jogo, as ruas é para onde querem jogar o jogo deles. Podiam mandar uns quantos dos seus Kamaradas para Cuba, onde até já têm liberdade para comprar automóveis, ou para a monarquia democrática da Coreia do Norte, onde podiam aprender a gostar de pastéis feitos com recheio de relva, mas que têm a bomba atómica.
Os líderes da CGTP e da UGT, o investigador de Ciências Sociais Carvalho da Silva e o investigador auxiliar do INETI, João Proença, não descobrem melhor do que a greve geral, para atacar a crise. Pura demagogia. As greves gerais da CGTP e da UGT afectam quem paga impostos e serviços, que nesse dia não pode utilizar, mas não prejudica em nada os especuladores financeiros que cobram na mesma juros a Portugal, talvez até mais elevados

sexta-feira, novembro 18

Teoria da expansão do Universo tem dois descobridores

“Uma das maiores descobertas científicas do século XX, há mais de 80 anos, foi a da expansão do universo, ou seja, a teoria de que as galáxias se estão afastar umas das outras. A teoria desconcertou o próprio Einstein e foi o primeiro pilar do que seria a teoria do Big Bang. A descoberta foi atribuída ao americano Edwin Hubble, que não foi galardoado com um Prémio Nobel, mas foi homenageado ao dar o nome ao primeiro telescópio espacial, lançado em 1990.  Hubble determinou uma taxa de expansão do universo. Para tal baseou-se nas observações que fez do céu, bem como nas do colega  Vesto Slipher, que mediu pela primeira vez a velocidade radial, isto é a velocidade com que um objecto celeste se aproxima ou afasta do observador, enquanto que a velocidade angular desse afastamento é medida em graus por um terceiro observador, posicionado transversalmente. Hubble mediu a distância das galáxias, em cooperação com Milton Humason, e encontrou algo revolucionário:

-  quanto maior a distância de uma galáxia, maior é a velocidade aparente com que se afasta do  observador, estabelecendo assim a Lei de Hubble".

O americano publicou a descoberta em 1929, no artigo "Proceedings of the National Academy of Sciences", que causou enorme impacto, tendo sido  muito criticada por não dar o devido reconhecimento ao trabalho de um cientista belga, Georges Lamaitre,  que tinha feito a mesma descoberta dois anos antes de Hubble. De facto, em 1927, Lamaitre chegou à mesma conclusão a que Hubble chegaria dois anos depois sobre a expansão do universo, mas a descoberta publicada em francês, na revista "Annales de la Société Scientifique de Bruxelles", passou despercebida. Em 1931, o artigo do belga foi traduzido para inglês e publicado na revista britânica "Monthly Notices of the Royal Astronomical Society", no entanto foram omitidos parágrafos em que o belga falava sobre o crescimento das galáxias.

 Posteriormente, quando o artigo original de Lamaitre foi comparado com a tradução inglesa surgiram as dúvidas. Porquê foi o artigo original censurado e quem foi o responsável por tal acto? "Lamaitre foi eclipsado enquanto vários textos proclamaram Hubble como o descobridor da expansão do universo" escreveu David L. Block sobre o assunto. "O artigo francês foi meticulosamente censurado quando publicado em inglês", disse ainda Block.

Mário Lívio, empenhado em desvendar o mistério, recorreu aos artigos da "Royal Astronomical Society" e deparou-se com a correspondência de Lamaitre em 1931, sobre a tradução do artigo, concluindo que foi o próprio Lamaitre o responsável pela edição que o artigo sofreu na tradução para inglês.

"Envio-lhe a tradução do artigo (de 1927). Não me parece aconselhável republicar a discussão sobre as velocidades radiais (e a recessão das galáxias) nem tampouco a anotação geométrica que carece claramente de interesse agora", escreveu Lamaitre. Segundo o astrónomo, esta carta "termina claramente com as especulações sobre quem traduziu e eliminou os parágrafos chave".

 O que teria levado Lamaitre à renúncia da glória não é possível saber. Livio escreveu que Lamaitre "não estava interessado no reconhecimento do seu trabalho. Estava mais preocupado por parecer antiquado, pois os dados em que o seu estudo se baseava melhoraram desde 1927". Lamaitre dificilmente conseguirá a fama de Hubble agora que o americano está livre de suspeitas neste caso de censura. No entanto há vozes que clamam que um telescópio espacial deveria ser baptizado com o nome de Lamaitre.”

(Resumo do artigo publicado em 17 NOV 11 no Jornal de Notícias)


quinta-feira, novembro 10

Gozar com o pagode

“Alberto João Jardim está com a corda na garganta, mas não perde a lata: deu tolerância de ponto aos funcionários públicos para o ouvirem e verem a tomar posse. Otelo Saraiva de Carvalho ameaça com novo golpe militar. Esperemos que a troika não tenha ouvido, nem um nem outro.

Otelo parece entusiasmado com os tumultos na Grécia. E ressuscitou no seu pior. Diz que não gosta de ver militares na rua, mas ameaça com uma saída dos quartéis. Desta vez, diz que até pode ser mais fácil organizar um golpe que derrube o poder político do que foi em 74. Bastam 800 homens.

Na Madeira, Alberto João Jardim não prepara a revolução, mas parece. Com a troika a exigir-lhe poupança, decidiu dar folga aos funcionários do seu Estado para o ouvirem discursar. Como se eles tivessem ouvido outra coisa nos últimos 30 anos. 

Em Lisboa, Juncker, o presidente do Eurogrupo, encontrou-se com Passos Coelho, em S. Bento, à hora em que Jardim discursava. E não terão ouvido em directo a enésima insolência do político madeirense, que, ao tomar posse – mais uma vez –, festejou à dívida contraída porque agora ela não seria possível.

 Visto de fora, Portugal tem sol, é ameno, simpático e conta, para já, com um primeiro-ministro que se reafirma determinado a não facilitar na correcção das dívidas. Mas quem aterrasse ontem em Lisboa e ouvisse Otelo e Jardim bem podia lembrar-se do desabafo do general romano que um dia terá constatado:

“Há na parte mais ocidental da Ibéria um povo muito estranho, que não se governa nem se deixa governar.”

(Ângela Silva, in “Página1” de 11/11/2011)

quarta-feira, novembro 9

Discurso de AJJ

Discurso de Alberto João Jardim na tomada de posse do 33º Governo Regional da Madeira.

PORQUE NÃO TE CALAS?

segunda-feira, novembro 7

Alentejanos

Dois alentejanos estavam a trabalhar para o Departamento de Urbanismo da Câmara.
Um escavava um buraco e o outro vinha atrás e voltava a encher o buraco.
Trabalharam num lado e depois no outro lado da rua.
No fim, passaram à rua seguinte, sem nunca descansar.
Um escavava um buraco e outro enchia o buraco outra vez.
Um espectador, divertido com a situação, mas não entendendo porque eles faziam isto, foi perguntar ao cavador:

- Estou impressionado com o esforço que os dois põem no trabalho, mas não compreendo porque é que um escava um buraco e, mal acaba, o parceiro vem atrás e volta a enchê-lo.

O cavador, limpando a testa, suspira:

- Bom, normalmente somos três homens na equipa, mas hoje o gajo que planta as árvores telefonou a dizer que está doente...

sábado, novembro 5

Corte sem costura

O ministro da Economia, Santos Pereira, está a pensar fechar o Metro de Lisboa às 23h00, suprimir troços a partir das 21h30 e cortar ligações suburbanas, como forma de obrigar as empresas de transportes a poupar dinheiro. Talvez fosse de começar por cortar, ou pelo menos reduzir, algumas das regalias que os colaboradores usufruem, nomeadamente uma folga extra mensal para tratar de assuntos pessoais, além de uma folga extra no dia do aniversário; seguro de saúde e no caso de baixa recebem um complemento do subsídio de doença até ao valor do ordenado, livre de impostos; viagens grátis para colaboradores, filhos, pais e irmãos; mais dias de férias que qualquer FP; prémios de assiduidade, e para os condutores dos comboios um extra por Km percorrido; refeitórios com refeições a preços bem mais baixos que em qq sítio, além de parte do infantário ser garantido pela empresa. Mas são “conquistas dos trabalhadores”, negociadas pelos sindicatos e portanto intocáveis.

Também podia reduzir os vencimentos dos administradores, aplicando-lhe uma taxa extra, cortar com os cartões de crédito e os carros topo de gama. Mas estes ainda são mais intocáveis. A mulher de Sarkozy, qd veio da maternidade, veio num carro francês de média cilindrada.
Pense sr ministro, pense nos padeiros, nos cozinheiros dos restaurantes, no pessoal que imprime e distribui os jornais, nas mulheres que fazem a limpeza dos escritórios, no pessoal que trabalha por turnos…

quinta-feira, novembro 3

A ilusão da riqueza


 “ O início da década de 90 marcou uma época – a época da ilusão. O País mudava a cada mês com mais uns quilómetros de auto-estrada e as famílias começavam a recorrer ao crédito cada vez mais fácil.”
 “Assim nasceu o monstro do défice – alimentado pela dívida pública e pela dívida privada. Nas eleições legislativas de 91, Cavaco Silva bateu-se por um segundo mandato na chefia do Governo. Em plena campanha, deixou um aviso. Cito de memória: sem mim, não vão poder continuar a comprar frigoríficos e vídeos. Ameaçou com o dilúvio o fim do crédito ao consumo. Os eleitores deram-lhe ouvidos e nova maioria absoluta. Ontem, Passos Coelho disse que os portugueses têm de empobrecer mais. O primeiro-ministro liquidou a ilusão do cavaquismo.”
(Coluna “Correio directo” assinada por Manuel Catarino, subdirector do  jornal “Correio da manhã “ e publicada no dia 26/10/2011.)

Não foi só a facilidade de crédito concedidas pelos bancos e que os portugueses gastavam na compra de casas, de carros e de viagens. A oferta de crédito, tal como agora acontece com a compra de ouro, aparecia na imprensa na TV e em murais. Aparecia por todo lado e os portugueses não se mostravam rogados e utilizavam esses créditos menores, para a compra de roupas de marca e para operações plásticas. É espantoso o aumento do número de mulheres que apresentam seios dignos de se ver e que elas mostram para nossa satisfação.

Infelizmente a compra de ouro, que fez disparar os assaltos pela facilidade com que se desfazem do roubo, é o que ainda permite a muitos dos nossos milhares de desempregados irem sobrevivendo por uns tempos.

terça-feira, novembro 1

Crise Europeia e os verdadeiros culpados - Daniel Cohn-Bendit