quinta-feira, novembro 3

A ilusão da riqueza


 “ O início da década de 90 marcou uma época – a época da ilusão. O País mudava a cada mês com mais uns quilómetros de auto-estrada e as famílias começavam a recorrer ao crédito cada vez mais fácil.”
 “Assim nasceu o monstro do défice – alimentado pela dívida pública e pela dívida privada. Nas eleições legislativas de 91, Cavaco Silva bateu-se por um segundo mandato na chefia do Governo. Em plena campanha, deixou um aviso. Cito de memória: sem mim, não vão poder continuar a comprar frigoríficos e vídeos. Ameaçou com o dilúvio o fim do crédito ao consumo. Os eleitores deram-lhe ouvidos e nova maioria absoluta. Ontem, Passos Coelho disse que os portugueses têm de empobrecer mais. O primeiro-ministro liquidou a ilusão do cavaquismo.”
(Coluna “Correio directo” assinada por Manuel Catarino, subdirector do  jornal “Correio da manhã “ e publicada no dia 26/10/2011.)

Não foi só a facilidade de crédito concedidas pelos bancos e que os portugueses gastavam na compra de casas, de carros e de viagens. A oferta de crédito, tal como agora acontece com a compra de ouro, aparecia na imprensa na TV e em murais. Aparecia por todo lado e os portugueses não se mostravam rogados e utilizavam esses créditos menores, para a compra de roupas de marca e para operações plásticas. É espantoso o aumento do número de mulheres que apresentam seios dignos de se ver e que elas mostram para nossa satisfação.

Infelizmente a compra de ouro, que fez disparar os assaltos pela facilidade com que se desfazem do roubo, é o que ainda permite a muitos dos nossos milhares de desempregados irem sobrevivendo por uns tempos.

2 Comentários:

Às 03 novembro, 2011 12:11 , Blogger alf disse...

Há um grande equívoco na ideia de que os portugueses vivem acima das suas posses por causa do crédito individual.

Quem vive do crédito são as pessoas que trabalham para o estado e para as empresas publicas - que pedem empréstimos para pagar os ordenados dos seus empregados. Se todas estas pessoas ganhassem o ordenado mínimo, já não seria preciso pedirem empréstimos, não é?

Mas não só; o nosso nível de vida resulta dos investimentos do Estado e dos serviços prestados pelo Estado - financiados com recurso a crédito.

Por isso, vivemos todos do crédito, tanto mais quanto mais ganhamos.

E não há problema nenhum nisso. O problema não está aí, está no valor dos juros.

é como se os bancos se concertarem para passarem a cobrar 33% de juros pelos empréstimos para compra de casa própria.

Claro que este equívoco não surge por acaso, foi lançado de propósito

Muito a propósito este post.

 
Às 03 novembro, 2011 15:50 , Blogger Peter disse...

Estás equivocado, não sou eu que o estou. Dizes:

"o nosso nível de vida resulta dos investimentos do Estado e dos serviços prestados pelo Estado - financiados com recurso a crédito"

Conheço pessoas que não necessitam de investimentos do Estado, nem dos serviços prestados pelo Estado e que estão na miseria, ou dependentes de familiares.

E ainda:

"Quem vive do crédito são as pessoas que trabalham para o estado e para as empresas publicas - que pedem empréstimos para pagar os ordenados dos seus empregados."

Se tiveres uma fábrica de camisas que não consegues vender devido à deflação, onde vais buscar o dinheiro para pagar aos empregados?
03 Novembro, 2011 13:04

 

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