Quarta-feira, Fevereiro 22

O BCE explicado de forma infantil

O Que é o  BCE?
- O  BCE é o banco central dos Estados da UE que pertencem à zona euro, como é o  caso de Portugal.
E donde veio o dinheiro do BCE?
- O dinheiro do BCE, ou seja o capital social, é dinheiro de nós todos,  cidadãos da UE, na proporção da riqueza de cada país. Assim, à Alemanha  correspondeu 20% do total. Os 17 países da UE que aderiram ao euro entraram  no conjunto com 70% do capital social e os restantes 10 dos 27 Estados da UE  contribuiram com 30%.
E é  muito, esse dinheiro?
- O capital social era 5,8 mil milhões de euros, mas no fim do ano passado foi  decidido fazer o 1º aumento de capital desde que há cerca de 12 anos o BCE  foi criado, em três fases. No fim de 2010, no fim de 2011 e no fim de 2012  até elevar a 10,6 mil milhões o capital do banco.
Então, se o BCE é o banco destes Estados pode emprestar dinheiro a  Portugal, ou não? Como qualquer banco pode emprestar dinheiro a um ou outro  dos seus acionistas.
- Não, não pode.
Porquê?! 
- Porquê? Porque... porque, bem... são as regras.
Então, a quem pode o BCE emprestar  dinheiro?
- A outros bancos, a bancos alemães, bancos franceses ou portugueses.
Ah percebo, então Portugal, ou a Alemanha, quando precisa de dinheiro  emprestado não vai ao BCE, vai aos outros bancos que por sua vez vão ao BCE.
- Pois.
Mas para quê complicar? Não era melhor Portugal ou a Grécia ou a Alemanha  irem directamente ao BCE?
- Bom... sim.... quer dizer... em certo sentido... mas assim os banqueiros  não ganhavam nada nesse negócio!
Agora  não percebi!!..
- Sim, os bancos precisam de ganhar alguma coisinha. O BCE de Maio a Dezembro  de 2010 emprestou cerca de 72 mil milhões de euros a países do euro, a  chamada dívida soberana, através de um conjunto de bancos, a 1%, e esse  conjunto de bancos emprestaram ao Estado português e a outros Estados a 6 ou  7%.
Mas isso assim é um "negócio da China"! Só para irem a Bruxelas  buscar o dinheiro!
- Não têm sequer de se deslocar a Bruxelas. A sede do BCE é na Alemanha, em  Frankfurt. Neste exemplo, ganharam com o empréstimo a Portugal uns 3 ou 4 mil  milhões de euros.
Isso é um verdadeiro roubo... com esse dinheiro escusava-se até de cortar  nas pensões, no subsídio de desemprego ou de nos tirarem parte do 13º mês.
As pessoas têm de perceber que os bancos têm de ganhar bem, senão como é que  podiam pagar os dividendos aos acionistas e aqueles ordenados aos  administradores que são gente muito especializada.
Mas quem é que manda no BCE e permite um escândalo destes?
- Mandam os governos dos países da zona euro. A Alemanha em primeiro lugar  que é o país mais rico, a França, Portugal e os outros países.
Então,  os Governos dão o nosso dinheiro ao BCE para eles emprestarem aos bancos a  1%, para depois estes emprestarem a 5 e a 7% aos Governos que são donos do  BCE?
- Bom, não é bem assim. Como a Alemanha é rica e pode pagar bem as dívidas,  os bancos levam só uns 3%. A nós ou à Grécia ou à Irlanda que estamos de  corda na garganta e a quem é mais arriscado emprestar, é que levam juros a  6%, a 7 ou mais.
Então  nós somos os donos do dinheiro e não podemos pedir ao nosso próprio banco!...
- Nós, qual nós?! O país, Portugal ou a Alemanha, não é só composto por gente  vulgar como nós. Não se queira comparar um borra-botas qualquer que ganha 400  ou 600 euros por mês ou um calaceiro que anda para aí desempregado, com um  grande accionista que recebe 5 ou 10 milhões de dividendos por ano, ou com um  administrador duma grande empresa ou de um banco que ganha, com os prémios a  que tem direito, uns 50, 100, ou 200 mil euros por mês. Não se pode comparar.
Mas,  e os nossos Governos aceitam uma coisa dessas?
- Os nossos Governos... Por um lado, são, na maior parte, amigos dos  banqueiros ou estão à espera dos seus favores, de um empregozito razoável  quando lhes faltarem os votos.
Mas então eles não estão lá eleitos por nós?
- Em certo sentido, sim, é claro, mas depois.... quem tem a massa é quem  manda. É o que se vê nesta actual crise mundial, a maior de há um século para  cá.
  Essa coisa a que chamam sistema financeiro transformou o mundo da finança num  casino mundial, como os casinos nunca tinham visto nem suspeitavam, e levou os  EUA e a Europa à beira da ruína. É claro, essas pessoas importantes levaram o  dinheiro para casa e deixaram a gente como nós, que tinha metido o dinheiro  nos bancos e nos fundos, a ver navios. Os governos, então, nos EUA e na  Europa, para evitar a ruína dos bancos tiveram de repor o dinheiro.
E onde o foram buscar?
- Onde havia de ser!? Aos impostos, aos ordenados, às pensões. De onde havia  de vir o dinheiro do Estado?...
Mas meteram os responsáveis na cadeia?
- Na cadeia? Que disparate! Então, se eles é que fizeram a coisa, engenharias  financeiras sofisticadíssimas, só eles é que sabem aplicar o remédio, só eles  é que podem arrumar a casa. É claro que alguns mais comprometidos, como  Raymond McDaniel, que era o presidente da Moody's, uma dessas agências de  rating que classificaram a credibilidade de Portugal para pagar a dívida como  lixo e atiraram com o país ao tapete, foram... passados à reforma. Como  McDaniel é uma pessoa importante, levou uma indemnização de 10 milhões de  dólares a que tinha direito.
E então como é? Comemos e calamos?
- Isso já não é comigo, eu só estou a explicar...

Pensamento do dia…do ano…do triénio…

A MAIORIA DOS AUTARCAS PORTUGUESES SÃO CATÓLICOS PRATICANTES.

NUNCA ASSINAM NADA SEM TEREM UM TERÇO NA MÃO.

Terça-feira, Fevereiro 21

Passos, 1 - Cavaco, 0

“Cavaco Silva prepara-se para alcançar mais um feito inédito na nossa democracia: conseguir ser menos popular do que o Primeiro-ministro, numa altura em que o país atravessa uma crise sem paralelo e em que o Governo é obrigado a tomar medidas violentas todos os dias.
(…)
Quando se candidatou a um segundo mandato, Cavaco Silva devia ter previsto que estes anos não iam ser fáceis. Se não estava preparado para enfrentar as dificuldades, deveria ter ficado em casa, porque é em época de crise que a figura do Presidente mais faz falta ao equilíbrio do sistema político. (…)”

Raquel Abecasis in Página1 de 20/02/12

Terça-feira, Fevereiro 14



A INTERSINDICAL diz que juntou 300.000 pessoas no Terreiro do Paço, na sua manifestação de sábado passado.

Exageros, senão vejamos:

- O Terreiro do Paço tem 34.000 m2.

- Cada pessoa ocupa 1m2, apertadas (que não estavam) duas e apertadíssimas, a sufocar, três.

- Ora, para esta última hipótese, dá 100.000 pessoas.

Claro que há que contar com as pessoas que se espalhavam pelas ruas do Ouro e Augusta. Mais 50.000? Talvez. Não “embandeirem em arco”. Estavam lá idosos, reformados, desempregados, jovens à procura do 1º emprego, enfim, pessoas que anseiam por uma vida melhor, direi mesmo “suportável”, mas que na hora de votar têm o seu Partido.

Aviso ao governo, está bem, conquista do Poder através de manifs de rua, nem pensar. Não posso deixar de reconhecer que estas manifs são controladas pelo PCP que não permite que elas degenerem naquela violência gratuita a que assistimos em Atenas. Os sindicatos estão controlados e lutam pela defesa dos direitos dos trabalhadores.

Segunda-feira, Fevereiro 13

Víor Gaspar

O Ministro das Finanças é o mais popular deste Governo, tendo subido de 10,2 em Janeiro para 10,4 em Fevereiro, isto a pesar de certos “iluminados” terem criticado a sua imagem, dobrado perante o seu homólogo alemão Wolfgang Schäuble. Acontece que este se desloca numa cadeira de rodas. Não sabiam? Então não tirem conclusões. Queriam o nosso ministro de pé a falar para baixo?

Não gosto dos alemães, nunca gostei. Perderam as duas guerras em que queriam dominar a Europa e agora pretendem atingir esse objetivo financeiramente, com a colaboração das imprensas inglesa e americana que se esforçam por derrubar o Euro. O dólar acima de tudo!

Entretanto 1º Ministro, Passos Coelho continua a dar “tiros no pé”. O último foi o do Carnaval. Era melhor ter deixado isso ao critério dos presidentes das câmaras, como fez o de V.R Santo António, que sabiamente não investiu dinheiro em desfiles. Carnaval temos nós todo o ano. Assim e voltando a Passos Coelho, este viu a confiança dos portugueses descer 7,6 pontos percentuais desde Outubro de 2011.

Quinta-feira, Fevereiro 2

Fisco Doce

Parece que hoje houve uma greve dos transportes. Houve? Não dei por ela. Má estreia para o novo patrão da Inter e como já vieram com as mentiradas do costume e as adesões de 100%, tão caras ao PCP, não vou aqui perder tempo a fazer-lhe propaganda.
Vou referir é a pena de 250€ com que foi condenado um perigoso indivíduo, sem eira nem beira, que se atreveu a roubar (sim porque se se tratasse de milhões, ou milhares de milhões, não seria roubo) um champô (que luxo!) e uma embalagem de polvo congelado, tudo no valor de 25,66€ num dos hipermercados dessa cadeia agora sediada na Holanda, onde o Fisco é mais doce.
Claro que o juiz tem de aplicar a lei. Tem? Agora não posso aceitar a insistência do hiper em apresentar queixa para dar um exemplo a todos que ousem levar sem pagar uma porcaria qualquer. Resumindo e concluindo:
- O Estado (ou melhor eu, contribuinte que pago os meus impostos) gastou 280€ com o advogado oficioso, milhares de Euros em combustível de carros-patrulha, dias de trabalho de funcionários judiciais e de magistrados, notificações, etc para punir um desgraçado que mais não é que o fruto da sociedade em que vivemos.
É por estas e por outras que o nosso País, está enterrado em dívidas até ao pescoço.

Quinta-feira, Janeiro 19

A Central ao lado


Com a devida vénia transcrevo parte do texto em epígrafe, com o qual concordo inteiramente:
“(…) Se não fosse já um hábito, seria incompreensível a atitude da CGTP ao colocar-se de fora das negociações da concertação social numa altura tão dramática como a que vivemos. Mas compreende-se. A central sindical prefere ter influência sobre os trabalhadores a ter influência sobre o rumo dos acontecimentos. Assim, mantém-se deliberadamente à margem e tem sempre a rua para fazer prova de vida. Esse é o verdadeiro direito adquirido a que a CGTP se agarra como uma lapa. (…)”
Luís Campos Ferreira, Presidente da Comissão de Economia e Obras Públicas, in CM de 19/01/13

Sábado, Janeiro 7

Em defesa do comercio local

Há uns meses um super-mercado da cadeia ACSantos fechou as suas portes.  Houve um momento de preocupação aqui no bairro, habitado principalmente por pessoas de idade (como o resto do País) e por viúvas que têm dificuldade em se deslocar. Mas o tempo passou e as pequenas lojas aqui existentes recuperaram a clientela perdida: a drogaria, o talho, um pequeno mini-mercado, uma loja de vestuário, o essencial. As pessoas saem mais, pois têm de trazer poucas coisas de cada vez, mas restabeleceu-se o diálogo perdido e já ninguém se lembra do super perdido.
Há hiper-mercados onde, quem pode deslocar-se de carro, faz as compras do mês, mas o Pingo Doce só nos vende, nada nos dá, enquanto outros ainda servem a muitos de nós, como locais de distracção aos fins de semana, quando não há dinheiro para mais.
Li agora no jornal que o sr.  Soares dos Santos se disse preocupado com o futuro do país. Da Holanda? Pois pode preocupar-se porque a sua  cadeia  do “Fisco Doce” não verá de mim nem mais um €.

Sábado, Dezembro 31

ANO NOVO

A todos os que por aqui passem desejo um 2012 com saúde e emprego. Pedir mais é utopia. A luzinha ao fundo do túnel parece ter-se acendido vinda da China. Julgo ter sido um bom negócio para ambos, pois os investimentos são sempre bem-vindos, vindos de onde vierem. Não misturem política com economia. Bem basta que o façam com a Justiça. Restam por aí alguns pró-Sócrates, não os confundam com os verdadeiros socialistas. Nada têm de comum. E não voltem a fazer entrevistas com o Luís Fazenda, como fez o Victor Crespo. Ao menos com o Louçã ainda me vou rindo.
Tenhamos esperança!

Sexta-feira, Dezembro 30

SONETO

Jesus, porque deixaste, ao roubo e vil ganância
de um desgoverno rasca, o meu rico País
passar a ser mendigo de quem apenas quis
seus alforges encher de uma farta «bastância»?

Párias de Portugal viram à distância
que através da política é que estava a raiz
capaz de os libertar da sua triste infância,
de uma miséria atroz, amarga e infeliz…

Da Pátria, o Património ajudaram vendê-lo
p’ra seu próprio proveito e em festa ao recebê-lo
tornaram-se os patrões de um Portugal sem glória,

forçado a mendigar o seu parco sustento
no mundo outrora seu. Jesus, como lamento
teres deixado a traição matar séculos de História!

Mário Cristino da Silva