segunda-feira, novembro 21

A greve geral



Há 100 anos, a greve geral tinha como objectivo a conquista do Poder. Hoje essa conquista não se faz nas ruas, como o Jerónimo dos 8% quer, mas através de eleições, ele e o indivíduo do BE, que não se sabe o que é, mas que pode prometer mundos e fundos, que nunca terá possibilidades de satisfazer. O Parlamento é o “nosso campo”, onde têm que jogar o nosso jogo, as ruas é para onde querem jogar o jogo deles. Podiam mandar uns quantos dos seus Kamaradas para Cuba, onde até já têm liberdade para comprar automóveis, ou para a monarquia democrática da Coreia do Norte, onde podiam aprender a gostar de pastéis feitos com recheio de relva, mas que têm a bomba atómica.
Os líderes da CGTP e da UGT, o investigador de Ciências Sociais Carvalho da Silva e o investigador auxiliar do INETI, João Proença, não descobrem melhor do que a greve geral, para atacar a crise. Pura demagogia. As greves gerais da CGTP e da UGT afectam quem paga impostos e serviços, que nesse dia não pode utilizar, mas não prejudica em nada os especuladores financeiros que cobram na mesma juros a Portugal, talvez até mais elevados

7 Comentários:

Às 22 novembro, 2011 02:41 , Blogger alf disse...

Nada de acordo consigo Peter. E não sou só eu: penso que verá que nessa manifestação vai estar muita gente que votou neste governo.

Como se viu na Grécia, as manifestações fizeram cair os juros da «ajuda», alargar os prazos e até originaram uma proposta de perdão de metade da dívida. Hoje estamos a pagar centenas de milhões de euros de juros a menos graças aos gregos.

Portanto, você e eu estamos com mais dinheiro no bolso graças aos gregos. Quem perdeu foram os especuladores. Temos uma dívida para com os gregos, beneficiamos da luta deles.

Quem manda no país agora é a Troika e nós não elegemos a Troika.

 
Às 22 novembro, 2011 12:55 , Blogger Peter disse...

Lê-se, por vezes, que os Gregos, coitadinhos, são um pobre povo periférico que está a sofrer as agruras de uma crise internacional aumentada às mãos da pérfida Merkel.
Já é tempo de sair desta superficialidade, de perceber que os Gregos têm culpas no cartório, que não foram sérios e que não o estão a ser.
Os Gregos levaram a lógica dos "direitos adquiridos" até à demência, até à falta de vergonha.
Contam-se factos inauditos. Os exemplos desta falta de seriedade são imensos, a saber :
1. Em 1930, um lago da Grécia secou, mas o Estado Social grego mantem o Instituto para a Protecção do Lago Kopais, que, embora tenha secado em 1930. Ainda tem em 2011, dezenas de funcionários dedicados à sua conservação.
2. Na Grécia, as filhas solteiras dos funcionários públicos têm direito a uma pensão vitalícia, após a morte da mãe/pai funcionários públicos. Recebem 1.000€ mensais por toda a vida só pelo facto de serem filhas de FPs falecidos. Há 40 mil mulheres neste registo que custa ao erário público 550 milhões € por ano. Depois de um ano de caos, o governo grego ainda não acabou com isto completamente. O que pretende é dar esse subsídio só até fazerem 18 anos.
3. Num hospital público, existe um jardim com 4 arbustos para cuidar deles o hospital tem 45 jardineiros.
4. Num acto de gestão muito “social” (para com o fornecedor). Os hospitais gregos compram pace-makers 400 vezes mais caros do que aqueles que são adquiridos no SNS britânico.
5. Existem 600 profissões que podem pedir a reforma aos 50 anos as mulheres e aos 55 os homens. Porquê? Porque adquiriram estatuto de profissões de alto desgaste. Dentro deste rol, temos cabeleireiras, apresentadores de TV. Músicos de instrumentos de sopro …
6. Pagava-se 15º mês a toda a classe trabalhadora.
7. As pensões de reforma de 4.500 funcionários, no montante de 16 milhões € por ano, continuavam a ser depositadas, mesmo depois dos idosos falecerem, porque os familiares não davam baixa e não devia haver meios de se averiguar a inexactidão dessa atribuição.
8. Chegava-se ao ponto de só se pagarem os prémios de alguns seguros quando fosse preciso usufruir deles.
9. A Grécia é o país da UE que mais gasta em termos militares. Em relação ao PIB (dados de 2009) é o triplo de Portugal.
10. Há viaturas oficiais da administração do Estado que têm 50 condutores!!! Cada novo nomeado para um cargo nomeia 3 0u 4 condutores da sua confiança, mas como não são permitidos despedimentos na FP os anteriores vão mantendo o salário.
11. Cerca de 90% da terra não tem cadastro, o que significa que os proprietários não pagam impostos. Ora como a grande receita do Estado provém dos impostos. O erário público do Estado Grego está totalmente vazio e os milhões da EU é que serviram durante todos estes anos para manter o nível de vida atingido pelos gregos.
Não admira que já tenham estoirado 115 mil milhões € e que agora precisem de mais 108 mil milhões de €.

 
Às 22 novembro, 2011 23:05 , Blogger Fernando Vasconcelos disse...

Quanto à greve Peter até tendo a concordar consigo. Acho que hoje em dia é uma forma de luta perfeitamente ultrapassada e pouco lógica. É um direito é certo mas temos também o direito de pensar que não o devemos utilizar ... No que diz respeito à Grécia pois nãao sei se o que afirma é verdade ... também não sei que o não é, mas aposto que a maioria dos gregos não se reveria nesse retrato. E o que dirão de nós lá por fora? Sabe Peter criou-se a ilusão de que essas benesses absurdas só existem nos países do sul mas se procurar com suficiente afinco encontrará coisas semelhantes por toda a Europa incluindo na impoluta Alemanha ... e poderíamos logo começar a seguir à segunda guerra mundial ... Por isso poderá até ser verdade que têm alguma responsabilidade pela situação em que se encontram, tal como nós, mas não tenha dúvidas que a maior parte do problema não resulta da divida propriamente dita mas sim da especulação gerada à volta dela - E essa não é dos Gregos nem dos Portugueses e obviamente está a ser utilizada para manipular a opinião pública para esta aceitar que se volte a 1944 em termos de regalias sociais, o que seria na minha perspectiva um erro crasso na evolução da nossa sociedade.

 
Às 22 novembro, 2011 23:53 , Blogger Peter disse...

Meu caro, vamos por partes:
1. Não posso concordar com o "alf", quando afirma: "hoje estamos a pagar centenas de milhões de euros de juros a menos graças aos gregos."
2. Quando o meu amigo escreve: "Quanto à greve Peter até tendo a concordar consigo. Acho que hoje em dia é uma forma de luta perfeitamente ultrapassada e pouco lógica." Aqui está o cerne da questão. Espero que não se verifique em Lisboa a extrema violência verificada em Atenas e aí, pelo menos até agora, os sindicatos têm tido um papel de contenção.
3. Os gregos consideram-se credores da Alemanha porque derrotada esta na I GM não pagou as indemnizações e levou ao naciona-socialismo e à II GM. Novamente derrotados, os americanos aceitaram que o pagamento das indemnizações (neste caso à Grécia) se faria após a reunificação alemã, não lhe passando pela cabeça que esta se viria a verificar. A Alemanha pretende , pela 3ª vez dominar a Europa, desta vez utilizando a economia. Não precisa de armas...

 
Às 24 novembro, 2011 04:08 , Blogger alf disse...

Deixem-me lá pensar devagarinho: o direito à greve tem a ver com as negociações com o patronato. São contra o patrão, não são contra o Governo nem contra os utentes de um serviço

Assim, acho legítimo, numa negociação salarial, uma greve numa unidade de produção - isso afecta o patrão, é uma arma negocial

Acho muito mal uma greve numa empresa de prestação de serviços, sobretudo qd um pequeno grupo de trabalhadores é suficiente para paralisar a empresa - acho péssima uma greve de pilotos da TAp, de comissários de bordo, de maquinistas do Metro, etc. E acho que têm de ser tomadas medidas duras para acabar com este tipo de greves. Há outras formas de luta.

No caso presente, não é uma greve, é uma manifestação contra as medidas do governo. Uma paralisação de protesto contra as medidas do Governo. Chama-se "greve" porque esse é o enquadramento legal possível, uma vez que este tipo de acção não está previsto na lei.

Pode-se dizer que num sistema democrático as pessoas não têm de se manifestar contra o governo; isso seria verdade se o governo estivesse a cumprir o seu programa eleitoral. Quando o Governo faz uma alteração de 180º ao que prometeu, essa alteração carece de alguma forma de validação; que está prevista num sistema democrático.

Penso que as pessoas não acreditam que as medidas de austeridade, estas medidas, resolvam coisa alguma; em 2013 os juros vão estar altos na mesma e a troika não sai de cá. Estas manifestações são fruto do desespero, penso eu.

E, Peter, é bem verdade que é graças à luta dos gregos que as condições do nosso empréstimo foram muito melhoradas - as condições iniciais eram vergonhosas.

 
Às 24 novembro, 2011 10:56 , Blogger Peter disse...

As medidas do Governo foram devidas ao estado miserável em que o anterior 1º Ministro deixou as finanças do País, com a sua mega política do faz, que alguém há-de pagar.
Se não tivessem ocultado os inúmeros buracos que havia, por certo que este que lá está, não lhe teria pegado.
Quanto aos gregos eu bem gostava de ter as mordomias que eles têm e que, como é habitual em ti, não referes, pois tu é que sabes tudo e sempre tens razão.
É bem MENTIRA que é graças à luta dos gregos que as condições do nosso empréstimo foram muito melhoradas - as condições iniciais eram vergonhosas.
E quais eram essas "condições iniciais"? O sr Sócrates disse-te?

 
Às 25 novembro, 2011 01:08 , Blogger Peter disse...

Greve geral
Foi um "flop", só com expressão nítida em Lisboa, no sector dos transportes. Mas como Portugal é Lisboa e o resto é paisagem...

Entretanto jã voltámos para o lixo. Parece não valer a pena estes sacrifícios.

 

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