quarta-feira, outubro 15

O Orçamento do Estado para 2009

Sou uma pessoa que tem posto sérias reservas ao Governo Sócrates e à personagem em si. Todavia não posso deixar de reconhecer que a atitude do mesmo Governo parece ter sido a correcta perante a grave situação financeira, no sentido de se evitar (por enquanto) que a mesma se transformasse numa crise económica, com todo o seu cortejo de aumento do desemprego, falências, desvalorização da moeda ...

No seu discurso de apresentação do OE, o Min Finanças enquadrou o período em que o mesmo é concebido e a situação de crise internacional e de crise de confiança, aos quais os Estados-membros da Zona Euro tentaram responder, através de um pacote de ajudas financeiras ao sector bancário e para o qual o Estado Português contribuiu com uma disponibilidade de cobertura de financiamento de 20.000 milhões de euros.

O sector bancário é o suporte do crédito às cerca de 180.000 PME que são o suporte económico do país. Muito haverá a apontar aos bancos e a criticar os seus responsáveis mas não podemos esquecer também as organizações de crédito ao consumo, tipo "crédito fácil", que pululam como cogumelos. Essas sim, deverão ser apontadas a dedo.

Embora em Portugal todas as culpas estejam a morrer solteiras (é o nosso fardo, ou fado) penso que em primeiro lugar há que atacar o problema como se fez e depois haverá que procurar os responsáveis para lhes aplicar as devidas sanções, o que duvido que se faça. Portugal não é a Inglaterra e Sócrates não é Gordon Brown…

17 Comentários:

Às 15 outubro, 2008 11:02 , Blogger Ferreira-Pinto disse...

Meu caro PETER eu tiro-lhe o meu chapéu!
O seu texto de hoje é uma das razões porque gosto e admiro a sua postura e o que escreve.

Contrariamente a alguns profissionais da blogosfera para quem tudo está sempre mal quando feito por outros que não os da sua cor, foi capaz de apontar algumas razões válidas para certas opções orçamentais.

Mesmo sendo dos que tem sérias reservas ao Governo de Sócrates.

 
Às 15 outubro, 2008 11:02 , Blogger Ant disse...

É adiar. Mas de acordo. Pode acontecer um milagre.
Como sempre as soluções passam por ser uma correria contra qualquer coisa que nem é o tempo.
Quem se lixa? O mexilhão.
Não acredito, nem eu nem ninguém, acho, que see faça sequer um esboço para estruturar uma solução definitiva.
Quem se lixa? O mexilhão.
Até um dia...

 
Às 15 outubro, 2008 12:54 , Blogger vbm disse...

É possível que o sistema bancário internacional seja reformado à luz da presente crise. Note-se que a regulação de Bretton Woods é a que foi aprovada no final da 2ª Grande Guerra em que o dólar foi aceite como meio de pagamento internacional para lá do ouro que minorou bastante a sua importância. Mas agora os Estados Unidos estão super-endividados com o resto do mundo, os árabes e os chineses estão inundados de créditos sobre os Estados Unidos e estes vão ter mesmo de serem tutelados para um sistema de pagamentos internacional, multilateral, não dependente só da emissão de dólares americanos. Gordon Brown tem-se revelado «o homem certo no lugar certo» e ainda bem. O Sócrates tem de ser «enquadrado» por quem perceba mais de política do que ele. Em economia, ocorrem-me três ou quatro nomes: Medina Carreira; Silva Lopes; João Salgueiro; Campos e Cunha. Gostava de os ver a influenciar decisivamente a governação.

 
Às 15 outubro, 2008 13:02 , Blogger Peter disse...

vbm

Obrigado pela excelente achega. Fala o "expert" e está tudo dito.
Quanto ao "braço direito" de que o Sócrates necessita, oscilo entre João Salgueiro e Medina Carreira, sendo este mais abrangente e o primeiro mais economista. Atendendo à situação mundial, talvez o João Salgueiro.

 
Às 15 outubro, 2008 14:10 , Blogger vbm disse...

É. Eu gosto do João Salgueiro. Foi sempre um economista desenvolvimentista que nunca embarcou em dispersar-se pela irrelevância de soluções de moda. Melhor e mais culto economicamente do que Cavaco, este 'especializado' em alertar os casos de negócio de 'gato vendido por lebre' :)

 
Às 15 outubro, 2008 16:15 , Blogger Peter disse...

vbm

Vamos abrir campanha pelo João Salgueiro aqui no blog, para integrar a equipa do Sócrates. Pode ser que ainda haja bom senso por aqui.

Publica uma pequena resenha sobre ele indigitando-o para essas funções, talvez resulte.

Valeu?

 
Às 15 outubro, 2008 16:25 , Blogger o que me vier à real gana disse...

Peter, excelente análise. Tb penso k nem td o k no consulado de Sócrates tem sido feito é mau! A forma com a equipa está a encarar (tipo forcados na arena) o problema é, a meu ver, uma das correctas.
Há k penalizar os nossos subprimistas sim, e forte... ao menos levezinho, que como por outras palavras diz, aqui não é o Reino Unido!

Abraço

Se puder,comente o novo post do "real gana"...desta feita,um pequeno texto para descongestionar.

 
Às 15 outubro, 2008 17:20 , Blogger Ferreira-Pinto disse...

Na questão do enquadramento técnico do Primeiro-Ministro vejo aqui alguns nomes que são pesos-pesados.

Campos e Cunha, por razões óbvias, não pode ser considerado.
Medina Carreira é homem de mérito e sapiência, mas a sua aparente insensibilidade social faria com que não durasse meio ano.
Entre esses, talvez mesmo João Salgueiro.

Quanto a Gordon Brown temo que nem este seu enorme contributo evite que vá borda fora. E a ir pagará por alguma inépcia sua, mas sobretudo pelo desgaste dos anos finais de farsa "blairiana"!

 
Às 15 outubro, 2008 18:14 , Blogger Peter disse...

ferreira-pinto

Quanto a Gordon Brown fica-nos o seu enorme contributo e já não é mau.
Aflige-me que as pessoas com quem falo não se apercebam do enorme perigo que TODOS corremos. Consideram que os bancos é que têm de pagar a crise. Com quê? Satisfaziam meia dúzia de depositantes e onde iam as PME buscar dinheiro para continuar a laborar se deixassem de vender, de exportar, ou de prestar serviços?

Já estou a ouvir o PCP:
- Nacionalizamos a Banca.
Quanto ao BE não entendo o missionário e o PSD está calado. Dizem eles que "o calado é o melhor". Mas não conheço nenhum político chamado Calado.

Vamos desencadear uma campanha a favor do João Salgueiro. Pode ser que o vbm se entusiasme, é o seu "métier".

 
Às 15 outubro, 2008 19:12 , Blogger Tiago R Cardoso disse...

estamos de acordo.

Eu não considero importante a cor do partido que lá está, interessa-me as politicas, para já parecem-me acertadas.

 
Às 15 outubro, 2008 19:15 , Blogger vbm disse...

Não me parece boa ideia, ou melhor, é a SEDES quem ata e desata esse tipo de campanhas, embora de um modo sempre oblíquo que poucos se apercebem. Pessoalmente, não tenho vínculo nenhum partidário e nunca tive - o que não é para admirar pois passei uma boa parte da existência num sistema político em que ou se era discretamente a favor do "regime" ou se era, imaginativamente, de coração aberto e não-partidário, do contra. Mas, mesmo que achasse interessante essa ideia de encetar um movimento de simpatia por novos dirigentes no País, sempre me ficaria a inabilidade de a realizar. Também, nunca pertenci à SEDES mas sempre a notei fixa num certo distanciamento da movimentação popular e mediática. Vê tu como contribuir para uma mudança pois eu sou um 'info-excluído' :)

 
Às 15 outubro, 2008 19:42 , Blogger Peter disse...

Também não pertenço a coisa alguma mas não sou uma "Maria vai com as outras". Sei o que quero e luto por isso.
Vamos ouvindo pois as conferências na Gulbenkian deixando aqui uns "bitaites".

 
Às 15 outubro, 2008 19:46 , Blogger Peter disse...

Tiago

Penso que à dimensão portuguesa o "mal amado" Governo teria tomado as medidas adequadas. Se elas vão ser eficazes e, sobretudo duradouras, estamos aqui para ver.

 
Às 15 outubro, 2008 22:48 , Blogger SILÊNCIO CULPADO disse...

Peter
Quer se goste ou não se goste, José Sócrates tem fibra e visão sobre o que acontece. Comparado com Santana Lopes que ainda se julga capaz de concorrer à CML...
Este Orçamento tentando responder à situação de contingência é também um OE pré-eleitoral, não esqueçamos.

Abraço

 
Às 15 outubro, 2008 23:19 , Blogger Peter disse...

silêncio culpado

E se os portugueses em vez de pensarem partidariamente e em termos eleitoralistas, se unissem e enfrentassem a crise mundial que nos atinge?

Utópico, não é?

 
Às 17 outubro, 2008 12:05 , Blogger Carol disse...

Olha, Peter, estou de acordo com a análise que aqui fazes.

Quanto aos nomes referidos, apostaria em Medina Carreira.

 
Às 18 outubro, 2008 11:08 , Blogger Peter disse...

carol

Ouvi o Medina Carreira ontem na TVI a atirar-se ao Governo Sócrates. Claro que concordei com o que ele disse.
Penso que o João Salgueiro era melhor, pois é mais novo e mais moderado, além de me parecer um bom economista, mas isso só o Vasco é que sabe.

Que tenhas um bom fds, o dia aqui por Lisboa está bom.

 

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