terça-feira, novembro 24

Viver a crédito

“Antes das eleições, o Governo garantia um défice orçamental de 5,9% do PIB. Agora já fala em 8 ou mesmo 9%. Onde vai o Estado buscar o dinheiro para tapar o buraco? Alguma subida de impostos e contribuições já se esboça. Mas vai recorrer-se sobretudo ao crédito externo.
O endividamento externo de Portugal passou de 41% do PIB há dez anos para 105% agora. É o resultado de empréstimos feitos pelo estrangeiro ao Estado português, às empresas (nomeadamente bancos) e – indirectamente, via crédito bancário – às famílias.
Muitas pessoas começam, com razão, a preocupar-se com a crescente dívida externa. Viver a crédito não é sustentável por muito mais tempo. Aliás, as agências de rating (avaliação de risco) já começaram a baixar a nossa nota, significando que o crédito externo se tornará mais caro para nós. O pior é não se ver que a economia portuguesa cresça nos próximos anos de maneira a pagarmos os encargos com a dívida externa. É que o crédito externo tem financiado sobretudo o consumo privado e público e empreendimentos que não geram retorno, não o investimento produtivo.”

(Francisco Sarsfield Cabral, in “Página 1” de 23 NOV 09)

10 Comentários:

Às 24 novembro, 2009 08:52 , Blogger Ferreira-Pinto disse...

Grande parte do problema radica na nossa incapacidade de gerar riqueza, ser produtivos e de ter consciência individual e colectiva que parecendo o dinheiro barato, é extremamente caro.

O Estado não pode continuar com este ritmo de endividamento, embora na actual conjuntura (e não só em Portugal) quase que se encontre espartilhado numa camisa de forças.
Baixar os impostos e tomar outras medidas que, de acordo com os sectores mais liberais, iriam contribuir para que as empresas tiveseem menos encargos e assim pudessem investir para criar riqueza, tiraria imensas receitas ao Estado que delas necessita para, por exemplo, medidas de protecção social.
Apostar tudo no investimento público, seja em obras de grande dimensão ou nas obras de dimensão média e de resposta localizada, obriga a que tenha dinheiro. Que não tem!

Quanto aos particulares, depois da euforia do recurso maciço ao crédito pessoal, de consumo e até à habitação (através do qual muitos acederam legitimamente à primeira habitação, também muitos se atiraram a habitações com preços inflacionados, segundas habitações e afins, esquecendo compromissos laterais a que estas obrigam), vivem agora sob o espectro do desemprego e, tarde ou cedo, de nova subida das taxas de juro que irão levar muitos novamente ao sufoco!

 
Às 24 novembro, 2009 09:49 , Blogger vbm disse...

No plano inclinado, medina carreira sugeriu o congelamento de vencimentos e pensões acima de 2000 euros. É possível, de facto, que o consumo de bens importados caísse drasticamente num par de anos e as exportações ultrapassassem largamente as importações, cortando a dívida pela raíz. Seria muito curioso vir a observar, depois, o "caso de estudo" em que Portugal se tornaria: que modificações no tecido produtivo, comercial e de padrão de vida se produziriam? Uma inevitabilidade seria a falência em cascata de inúmeras lojecas, boutiques, centros e superfícies comerciais! Os bancos, senhorios desses arrendamentos vendê-los-iam ao estrangeiro para pagar as dívidas; as feiras semanais, os ciganos, chineses e indianos veriam os seus negócios prosperar, mas sempre vendendo a preços regateados e contidos; cada detentor de poupanças ver-se-ia assediado a ter de sustentar a sua família alargada, desempregada e carente; as relações sexuais e de amor animar-se-iam de modo notável para queda das audiências de televisão; o futebol da 2ª e 3ª divisão ganhava adeptos e os estrangeiros da 1ª divisão regressariam aos seus países; outrossim, Portugal cessava de ter futebol nas competições europeias, mas conservaria presença nas provas de atletismo a par dos atletas do Quénia e da Etiópia. Eu confesso: gostava de ver! Só era indispensável que a polícia e os tribunais prendessem e julgassem severamente os que viciassem o sacrifício da austeridade geral locupletando-se à custa da gente honesta.

 
Às 24 novembro, 2009 10:12 , Blogger antonio - o implume disse...

Tudo! Menos comprometer a banca (com impostos justos), nada de comprometer o ordenado destes senhores que passam a vida a iluminar-nos com a sua douta opinião...

Se o Sarsfield Cabral, o Medina Carreira, e outros arautos da desgraça vissem os seus ordenados definharem ao ritmo do país, outro galo cantaria!

 
Às 24 novembro, 2009 11:09 , Blogger bluegift disse...

Independentemente das medidas económicas dos governos, que até agora, praticamente, só "triufam" quando os balões de dinheiro da UE tombam em Portugal, continuo a achar que a classe média portuguesa esbanja demasiado dinheiro. O marketing e as modas daí provenientes influenciam demasiado o consumidor português (é ver os centros comerciais a crescerem como cogumelos). Os ordenados dos cargos dominantes são demasiado elevados colocando-se ao nível e mesmo acima dos países mais ricos. Comecemos por regular estes exageros culturais e talvez as coisas comecem a melhorar.

 
Às 24 novembro, 2009 12:10 , Blogger Lylia disse...

Ora, lá vamos ter que cair por completo na lama, para conseguir re-erguer o pais, não?

*

 
Às 24 novembro, 2009 14:01 , Blogger Peter disse...

Desculpem lá os outros comentadores, cuja colaboração agradeço, mas a razão vai inteirinha para a "bluegift":

"a classe média portuguesa esbanja demasiado dinheiro. O marketing e as modas daí provenientes influenciam demasiado o consumidor português (é ver os centros comerciais a crescerem como cogumelos). Os ordenados dos cargos dominantes são demasiado elevados colocando-se ao nível e mesmo acima dos países mais ricos"

Pelo menos, segundo o meu ponto de vista.

 
Às 24 novembro, 2009 17:54 , Blogger Meg disse...

Peter,

Isto tem muito que se lhe diga.
Sem dúvida que a Buegift tem toda a razão... eu também acho que em vez de tirar aos que ganham uma miséria, devia cobrar-se aos ricos.
Quanto é 1% do ordenado do Constâncio? E das alcavalas? Ele viveria pior se lhe cobrassem essa importância?
Pois é... eu sei que parece demagogia, mas não é. É uma questão de justiça social.
Também ouvi o Medina Carreira, mas cada vez que o faço fico com vontade de me atirar ali ao mar e desaparecer.
Ah... uma novidade, já agora. Recomeçou, e em força, o ataque das empresas de crédito fácil.
Se estamos tão falidos...

Já não entendo nada, Peter!

Um abraço

 
Às 24 novembro, 2009 20:46 , Blogger Compadre Alentejano disse...

Os ordenados dos cargos dominantes em Portugal, conseguem ultrapassar os países mais ricos. Veja-se o caso do Governador do BP, o socrático Vitinha, que ganha o dobro do Presidente da Reserva Federal dos EUA...e tantos mais...
Compadre Alentejano

 
Às 24 novembro, 2009 21:13 , Blogger Peter disse...

Meg

É preciso, olha, não sei o quê, uma pessoa que, segundo dizem, ganha mais que o indivíduo que desempenha funções similares nos EUA, vir falar em aumentos de 1%.

Para quem tem uma pensão de reforma de 200€, trata-se dum aumento de 2€.
Para quem recebe 50.000€ mensais, é um aumento de 500€.

As instituições de crédito telefonam-me quase todos os dias a horas de jantar.

Um pequeno exemplo:
- há 3 anos pedi o cartão FNAC, que descontava na minha conta de DO. Este ano revi os descontos que o banco me fazia e eliminei uns quantos, entre eles um da CREDIBOM, por pensar ser alguma instituição de crédito e eu não ter pedido crédito nenhum. Afinal era uma instituição que servia a FNAC e como não paguei na devida altura, agora vinha cobrar-me 22€ (15€ de renovação do cartão + 7€ de penalização, por não ter pago no devido tempo!!!).
É tudo a sacar. Claro que não paguei e desisti do cartão.

P.S. - Já visitaste o "Peter's"?

 
Às 24 novembro, 2009 21:18 , Blogger Peter disse...

Compadre alentejano

É como a "bluegift" diz e eu falo aí no meu comentário.
Só te digo que estamos "recontrafod...".

 

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