domingo, novembro 15

Vírus nos carrinhos de compras, "ratos" de computador e Multibancos


As pegas dos carrinhos de compras, as maçanetas das portas e os "ratos" do computador são fontes de contágio de microrganismos, como o vírus da gripe A, que só poderá evitar-se com uma frequente lavagem das mãos, alerta um especialista. Mário Durval, da direcção da Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública (ANMSP), explicou à agência Lusa que são aos "milhões" os microrganismos que vivem nas superfícies mais mexidas pelas pessoas. Esses microrganismos podem sobreviver mais do que as oito a dez horas que normalmente resistem no ar quando são transmitidos através das gotículas que saem da boca e fossas nasais, por meio de tosse ou espirros.

"Os vírus dessas gotículas sobrevivem no ar entre oito a dez horas", disse Mário Durval, adiantando que estes passarão de pessoa a pessoa se estiverem a menos de um metro de distância. Contudo, estes microrganismos sobrevivem mais tempo nas superfícies, disse o especialista, chamando a atenção para a facilidade com que essas áreas são tocadas por um grande número de pessoas.

É o caso dos carrinhos de compras - cujas pegas são frequentemente tocadas por mãos de adultos e de crianças, já que algumas têm um suporte para os mais pequenos - mas também caixas de Multibanco, corrimões, maçanetas das portas, "ratos" de computador, entre muitos outros. O contágio pode dar-se desta forma, já que "as gotículas ficam nas superfícies que passam a vida a ser tocadas por muitas pessoas".

Segundo Mário Durval, uma frequente e correcta lavagem das mãos pode evitar até 80 por cento do contágio. Mas este é um hábito a que os portugueses "não ligam muito", daí a mensagem das autoridades de saúde, numa altura em que existe uma pandemia pelo vírus da gripe A (H1N1): insistir na importância da lavagem das mãos. De acordo com a Direcção-Geral da Saúde (DGS), "lavar as mãos frequentemente ajuda a evitar o contágio por vírus da gripe e por outros germes". Este organismo do Ministério da Saúde recomenda o uso de sabão e água, pelo menos durante 20 segundos. "Quando tal não for possível, podem ser usados toalhetes descartáveis, soluções e gel de base alcoólica, que se adquirem nas farmácias e nos supermercados", prossegue a recomendação.

Para Mário Durval, a frequente lavagem das mãos é um hábito a que os portugueses estão "pouco habituados". Na impossibilidade de lavar as mãos, deve "generalizar-se o uso de soluções alcoólicas", disse Mário Durval, para quem ainda não estamos numa fase [da pandemia] que obrigue a cuidados muito rigorosos" nesta área. Apesar disso, esta pode ser "uma óptima altura" para os portugueses se "habituarem" a estes cuidados. "Não fará mal nenhum, principalmente se as pessoas compreenderem o que está em jogo", disse.

Mário Durval alerta ainda para um outro lado da questão: "Não nos podemos esquecer de que precisamos de ser contaminados pelos microrganismos para criarmos defesas". O especialista questiona mesmo os benefícios da "hiperlavagem", defendendo "bom senso" nesta matéria. "Por mais que custe a acreditar, vivemos rodeados de muitos milhões de microrganismos, a esmagadora maioria dos quais não é patogénica", frisou.

(Jornal de Notícias, 15 NOV 2009)

7 Comentários:

Às 15 novembro, 2009 12:21 , Blogger bluegift disse...

Peter, o português está "pouco habituado a lavar as mãos" em comparação com que povos? Aos orientais? Ah! aí estaremos de acordo, já que os povos que conheço mais a norte têm ainda menos esse tipo de hábitos de que esse tal Mário Durval fala. Concordo que se lembre às pessoas a necessidade de tomarem cuidado com superficies tocadas pelo público em geral, mas daí a afirmar que os portugueses estão "pouco habituados ao hábito de lavar as mãos"?!!! Tem santa paciência! mas estamos de novo perante o velho hábito bem negativo de sobrevalorizar indiscriminadamente tudo o que existe além fronteiras. Quando será que esse raio de mentalidade muda?

 
Às 15 novembro, 2009 12:27 , Blogger Compadre Alentejano disse...

Penso que a Gripe A está a ser supervalorizada, tal como as medidas aplicadas na sua prevenção.
Estou convencido que há um grande apetite comercial pelas medidas tomadas, e que tudo não passa de um grande negócio...
Compadre Alentejano

 
Às 15 novembro, 2009 13:18 , Blogger bluegift disse...

eu queria dizer "povos asiáticos" em vez de "orientais"...

 
Às 15 novembro, 2009 13:48 , Blogger Peter disse...

bluegift e Compadre Alentejano

As minhas dúvidas são as mesmas que as vossas. O meu filho tem uma profissão em que todos tinham de ser vacinados e ele não sabia que fazer.
Eu mandei-o ver o vídeo ao lado e disse-lhe que tanto eu como a mãe nos tinhamos vacinado, como todos os anos, contra a gripe sazonal, mas que não nos iríamos vacinar contra a "A". Arriscávamos, portanto a decisão teria de ser dele.
Não sei o que fez, porque devido à sua profissão, não voltei a contactar com ele.

O meu objectivo publicando este artigo, foi possibilitar a quem nos lê, mais elementos para os ajudar a tomarem a vossa decisão. Eu cá vou lavando as mãos, bastante mais vezes do que anteriormente.

Bom domingo e não se preocupem, o que tiver de ser será, por isso vivam a vossa vida.

 
Às 16 novembro, 2009 11:50 , Blogger Ferreira-Pinto disse...

Como dizes e bem, PETER, o que tiver que ser, será embora caldeado com algumas cautelas; quero com isto dizer que no meio, está certamente a virtude nisto tudo!

 
Às 16 novembro, 2009 14:08 , Blogger Peter disse...

Ferreira Pinto

Um feto de oito meses morreu ontem no Hospital de Portalegre, depois de a mãe, de 31 anos, ter sido vacinada contra a gripe A no Centro de Saúde.

 
Às 17 novembro, 2009 21:21 , Blogger Peter disse...

Informando, mas não alarmando:

Uma grávida de 3 meses, que tinha sido vacinada contra a gripe "A", deu hoje entrada no Hospital CUF Descobertas com um nado-morto, informa Direcção daquele Hospital.

 

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