quinta-feira, novembro 26

Detectadas colisões de protões a baixa energia no CERN

Dois feixes de partículas circularam pela primeira vez no grande acelerador do Centro Europeu de Pesquisas Nucleares (CERN) em sentidos opostos, tendo sido detectadas colisões entre protões a baixa energia, anunciou o Laboratório Europeu de Física de Partículas.
O CERN explicou que, com um feixe de partículas a circular em cada sentido, só é possível conseguir uma intersecção em dois pontos do acelerador com 27 quilómetros de diâmetro, o que aconteceu 2ªF.

"Nas primeiras horas da tarde, os feixes cruzaram-se nos pontos 1 e 5, onde estão situados os detectores Atlas e CMS. Mais tarde, os feixes cruzaram-se nos pontos 2 e 8, onde estão (os outros dois detectores) Alice e LHCb", refere o comunicado.
"É um grande sucesso ter percorrido um caminho tão grande num espaço de tempo tão curto", afirmou o director-geral do CERN, Rolf Heuer, em referência ao Grande Colisor de Hadrões (LHC, na sua sigla em inglês), o maior acelerador do mundo que começou a funcionar na noite de sexta-feira, depois de 14 meses de reparações, na sequência de uma grave avaria.
"No entanto, devemos relativizar. Ainda nos falta muito caminho antes de podermos começar o programa de física do LHC", acrescentou.

"É uma notícia formidável, o princípio de uma era fantástica da física e, esperemos, de descobertas, depois de 20 anos de esforços da comunidade internacional para construir esta máquina e os seus detectores", afirmou Fabiola Gianotti, porta-voz do detector Atlas. (notícia da Lusa)



Figura – Grande acelerador de colisões do CERN. Reparem no tamanho do homem.

É um passo inicial em direcção à descoberta de como surgiu o Universo. Pesquisadores do CERN esperam que as experiências comecem a produzir as primeiras pistas sobre as origens do Universo nos próximos meses, quando o maior colisor de partículas do mundo operar à força total.
O disparo, executado na segunda-feira, aconteceu três dias depois da “Máquina do Big Bang”, ou Grande Colisor de Hadrões (LHC), ser novamente ligada, depois de ter sido paralisada por um acidente 14 meses atrás, apenas 10 dias depois de o ter sido pela primeira vez.
O físico Steve Myers afirmou à Reuters que os feixes de protões podem levar até 2011 a atingir a velocidade máxima neste acelerador que custou quase US$ 10 bilhões e que conta com a participação de cientistas de vários países. Portugueses também e não são poucos e em funções de responsabilidade.

O objectivo principal do centro de pesquisa do CERN é tentar descobrir como o Universo tomou a sua forma, depois que o Big Bang ocorreu há cerca de 13,7 bilhões de anos, espalhando matéria e energia a enormes velocidades e que acabaram transformando-se em estrelas, planetas e em nós mesmos.
O LHC operando à força total pode recriar as condições como as que existiram um bilionésimo de segundo depois do BB. Para isso os cientistas planejam agora aumentar a intensidade dos feixes de partículas e acelerar os raios mais ainda para que possam gerar dados de colisões suficientes que lhes permitam criar experiências com base nelas.

20 Comentários:

Às 26 novembro, 2009 10:04 , Blogger bluegift disse...

Volta e meia ainda criam outro BB e lá vamos nós à vida... (lá estou eu com as minhas brincadeiras de mau gosto...).

O meu livro de cabeceira neste momento é o "Deception Point" do Dan Brown. Como sempre, este autor descreve de forma muito interessante os ambientes "escaldantes" em que se desenrola a estória. Neste caso é a NASA e as guerrilhas da Casa Branca em relação ao financiamento dos programas científicos. é uma ficção muito bem feita, sem margem para dúvidas. Tudo isto para dizer que vale a pena observar a intriga gerada à volta do financiamento da pesquisa científica, o aproveitamento político e económico e a necessidade real do avanço científico para o progresso do Homem. É uma visão muito interessante do problema.

 
Às 26 novembro, 2009 10:38 , Blogger Peter disse...

Comprei "O símbolo perdido" mas ainda o não li, pois ando a ler "Fúria Divina" do José Rodrigues dos Santos" (até à pág 202, fraco).
Existe tradução do "Deception Point"?

Não brinques, pois já levantaram o problema de poderem criar mini buracos negros...

 
Às 26 novembro, 2009 11:35 , Blogger bluegift disse...

Buracos negros ? Pois..., pelo menos o do financiamento já está criado, só faltam os outros.
Já procurei um pouco pela versão portuguesa e infelizmente creio que ainda não existe.
Quando leres "o simbolo perdido" diz-me se vale a pena. Ainda não li.
Do José Rodrigues nunca li nada. Não faço ideia de como são os livros dele. No Verão comprei o Rio das Flores, do MSTavares, mas o tema não me atraiu nada. A mentalidade da época que retrata é tão má quanto a fundamentalista muçulmana. Já me basta o que vejo por aqui.

 
Às 26 novembro, 2009 12:02 , Blogger Ferreira-Pinto disse...

Meus caros, como sugestão será que não se poderia mandar para o tal buraco negro quer as criações do José Rodrigues dos Santos, do Miguel Sousa Tavares (ainda assim melhor que aquele, na minha opinião) e, já agora, da Margarida Rebelo Pinto? :)

 
Às 26 novembro, 2009 12:06 , Blogger Peter disse...

É um livro chato (até aqui) pois perde-se em citações do Corão na educação do menino Ahmed que se vê confrontado entre o moderado "mullah" Saad, da mesquita e o novo professor da "madrassa", que ensina um Islão agressivo e intolerante.

O herói, o historiador Tomás Noronha, é cooptado pela CIA para decifrar uma estranha cifra da Al-Qaeda, que se teme tenha a bomba atómica e que pretende reconstituir o Califado de Granada, com ameaças directas a Portugal.

O livro tem perto de 600 págs, por enquanto só vou na 200 e até aqui, não houve acção.

 
Às 26 novembro, 2009 12:29 , Blogger Peter disse...

Ferreira Pinto

A MRP não conheço. Quanto ao MST li "O Equador" ao mesmo tempo que passavam a série na TVI e do JRS li "A filha do capitão" e agora estou a tentar ler "Fúria Divina".
Mas o problema não está aí.
Vendem livros, fazem umas massas...
O problema é todo o ataque que está a ser desencadeado, uma espécie de ajuste de contas contra o 25 de Abril e as suas consequências. É só entrar numa livraria e ver os títulos.

 
Às 26 novembro, 2009 14:23 , Blogger Ferreira-Pinto disse...

PETER concordo em parte ; há que procurar separar o trigo do joio nisso tudo.

Sendo a História uma ciência social não estática é natural que surjam novos dados, novas interpretações e juízos de valor que, naturalmente, estão sujeitas ao contraditório. Um pouco como a dialéctica hegeliana onde a uma tese se opõe uma antítese e do confronto de ambas surge a síntese.

Contudo, não tenho dúvidas que, aqui e ali, junto de alguns sectores tarde ou cedo surgirá uma tentativa quase "revisionista" da História branqueando ou reduzindo a notas de rodapé coisas bem gravosas.

Para isso, e até mais que os historiadores, também o descrédito em que a classe dirigente mergulhou o país e a si própria contribuiu para que naquele famoso concurso Salazar tenha sido o vencedor. Temos de estar atentos, é certo.

 
Às 26 novembro, 2009 14:50 , Blogger vbm disse...

Ferreira-Pinto,

Circula na net um discurso de Salazar de 1936 que assenta que nem uma luva ao descalabro político e financeiro que agora atravessamos em Portugal! A questão da nossa adesão ao euro foi mal analisada e não soubemos introduzir mecanismos de habilitação da nossa capacidade de exportação, de substituição de importações e de dissuação de investimentos desnecessários. Estamos bem "arranjados", essa é que é essa.

 
Às 26 novembro, 2009 15:05 , Blogger Peter disse...

vbm

Já sabia. Talvez não saibas é a aceitação que está a ter em certos meios.

 
Às 26 novembro, 2009 16:21 , Blogger bluegift disse...

Hummm... 200 páginas? Eu já o teria recolocado na prateleira ou oferecido a alguém muito chato. O "Equador" gostei, não vi a série. A MRP não li, mas acho que já anda pelo buraco negro há muito tempo, como diz o Charles Quint.
A companha de "ajuste de contas" era esperada. Deixem passar mais um tempo e a "coisa" endireita (torta há-de sempre ficar, mas um bocadinho menos trota já não será mau).
Peter, achas que vale a pena encomendar o "A filha do capitão"?

 
Às 26 novembro, 2009 16:27 , Blogger Ferreira-Pinto disse...

Caro vbm não duvido que estejamos tramados ou sequer que a solução é remédio ainda bem distante!

 
Às 26 novembro, 2009 17:46 , Blogger Meg disse...

Peter,

Eu ando por aqui a ler - o post e os vários comentários.
Agora entendo algumas coisas.
Desculpa se sou hermética, mas hoje estou assim...
Só me apetece dizer que estou de acordo com a Bue... a MRP já está há muito no buraco negro, ela e muitos que enxameiam as prateleiras das grandes superfícies.

Um abraço

 
Às 26 novembro, 2009 19:30 , Blogger Peter disse...

bluegift

Como de costume, ando à procura do livro e não o encontro. Passa-se na I GM e é daqueles livros despretensiosos, que se vão lendo e rapidamente se esquecem. Acho não valer a pena.

 
Às 26 novembro, 2009 20:08 , Blogger bluegift disse...

Meg, Apesar de tudo há algo de positivo em todo esse lixo que se vai publicando, MRP e afins: é que, pelo menos, há mais livros! eles continuam a ser publicados! As pessoas lêem! Muito ou pouco, não interessa, lêem! Fico já muito contente com isso.
Imagina por exemplo as crianças e jovens que lêm os calhamaços do Harry Potter e da saga Twilyght. Acredita que aí há uns tempos temi que os jovens e as pessoas em geral se desinteressassem totalmente da leitura. Felizmente enganei-me :-)

 
Às 26 novembro, 2009 20:43 , Blogger Meg disse...

Buegift,

Não me estava a referir a essa leitura para jovens - e não só - mas a uma literatura(?) dita light, que deriva da proliferação das revistas cor-de-rosa.
Não há bicho careta que não tenha já "escrito um livro"...
Também cheguei a temer que a net ocupasse o lugar dos livros, mas tal não aconteceu. Tenho várias provas cá em casa.
Felizmente.

Um abraço

 
Às 26 novembro, 2009 22:02 , Blogger antonio - o implume disse...

Os dinheiros gastos nestas experiências impossibilitam a abertura a novas ideias, que por exemplo contestem o big bang...

 
Às 26 novembro, 2009 22:45 , Blogger vbm disse...

Peter,

Não sei de facto que acolhimento esteja a ser dispensado ao Salazar-financeiro-dos-anos-30, mas imagino que a direita, e a extrema-direita, esteja a tentar obter dividendos do actual mal-estar. O próprio Medina Carreira já claramente se filiou numa defesa de Nova Constituição com mais poderes ao Presidente da República. É lamentável que a democracia não consiga, dentro do seu próprio regime, mobilizar os apoios a um programa sério de regeneração política e modernização económica.

 
Às 27 novembro, 2009 01:30 , Blogger Peter disse...

vbm

Começo pelo fim:

"É lamentável que a democracia não consiga, dentro do seu próprio regime, mobilizar os apoios a um programa sério de regeneração política e modernização económica."

Concordo inteiramente.

Quanto ao início, é necessário estar atento, pois há movimentações.

 
Às 27 novembro, 2009 01:51 , Blogger Peter disse...

antonio - o implume

Não vejo que impossibilitem e os nossos cientistas estão lá a trabalhar. Tinha aí uma relação deles e dos cargos que desempenham, mas não a encontro.

Estou farto de dizer aqui que sou um simples curioso que me interesso por estes assuntos. Nunca me enfeitei com penas de pavão como também nunca considerei que o BB fosse a última palavra e que, como tudo já estava resolvido, fechava-se a porta. Simplesmente a teoria do BB é aceite, bem, ou mal, pela comunidade científica internacional, que a faz chegar até ao grande público, no qual me incluo, através de livros de divulgação científica, que são aqueles aos quais tenho acesso.

Por ser um curioso, é com curiosidade que leio a "teoria da evanescência" do teu amigo "alf". Mas a minha falta de bases científicas, não me permite abarcar a totalidade das dissertações do autor.

 
Às 27 novembro, 2009 10:19 , Blogger vbm disse...

A "teoria da evanescência"! :)) Fascinante, as conotações filosóficas que suscita... Uma base dimensional dada a suscitar efeitos só relacionáveis num espaço consequente diverso... Não sei quando, mas hei-de «ir ao curso». De qualquer modo, gosto de me fincar na tese: «Há um só mundo», pelo que qualquer evento é oponível, na assertividade da sua existência, a todos os universos explicativos que não o integrem, o que obriga a teorizar a forma de «Um só mundo».

 

Enviar um comentário

Subscrever Enviar comentários [Atom]

Hiperligações para esta mensagem:

Criar uma hiperligação

<< Página inicial