quinta-feira, outubro 8

Devolver o cartão de crédito para não cair em tentações

"Por não conseguirem pagar as prestações, ou para não caírem na tentação de os usar, há cada vez mais pessoas a devolver cartões de crédito. Em Setembro, havia menos 60 mil cartões de crédito e de débito (os chamados Multibanco) activos em Portugal do que no mesmo mês do ano passado. A quebra é tanto mais expressiva quanto se sabe que, tradicionalmente, o número de cartões subia a cada ano que passava. E confirma o testemunho de três fontes bancárias ouvidas pelo JN, segundo as quais é cada vez maior o número de pessoas que tomam a iniciativa de devolver os cartões de crédito ao banco.

"Há cada vez mais pessoas a devolver os cartões de crédito - e até de débito - por não conseguirem fazer face às prestações mensais", referiu uma fonte de um dos maiores bancos privados em Portugal. "É um fenómeno que verificamos todos os dias e que está em crescendo", acrescentou.

"É verdade", assinalou outra fonte bancária. "Há cada vez mais casos de má utilização do crédito associado ao cartão. Mas a novidade é que também há muitas pessoas a devolvê-los, para evitarem a tentação de os usar".

A questão está "na forma como se usa o cartão", acrescentou uma terceira fonte bancária. "Se as pessoas pagarem , ao final do mês, a totalidade do que gastaram, não há problema. A verdade é que isso acontece cada vez menos. E ninguém pensa nos 26% ou 29% de juros cobrados, caso o pagamento não seja feito na íntegra", disse.

Além disso, os bancos estão também a reclamar a devolução dos cartões de crédito, por incumprimento, e a baixar "drasticamente" o "plafond" concedido. "Antes, dávamos com facilidade 5 mil euros, ou mais, de crédito associado ao cartão. Agora, vai tudo corrido com 500 euros. Depois, em função do comportamento do cliente, logo se vê se há condições para aumentar o 'plafond'", disse uma das fontes."

(Alexandra Figueira e Paulo Ferreira, com Catarina Craveiro, Jornal de Notícias, 2009-10-08)

Quanto a mim, há aqui dois aspectos a salientar:
1 - O incentivo ao consumo promovido pelos bancos, e que levou a banca mundial ao estado em que se encontra: "antes dávamos com facilidade 5 mil euros, ou mais, de crédito associado ao cartão".
2 - As pessoas não pensarem que, se não pagarem na íntegra no final do mês, o banco vai cobrar-lhe 26 ou 29% de juros.

6 Comentários:

Às 08 outubro, 2009 12:32 , Blogger Ferreira-Pinto disse...

Recordo que no dia em que fui ao meu banco (passe a publicidade, a CGD) pedir o meu cartão de crédito, o gerente ter ficado quase aterrado quando eu insistentemente lhe disse que não queria cartão dourado nenhum.
E ele ali a desfazer-se em suores, que até parecia mal porque eu era isto, era aquilo, doutor mais aqueloutro e não sei quê.
E deram-me um limite de credito que eu acho enorme e que nunca usei.
Tudo por causa do meu estatuto ...

Mas o que eu sei é que se tiver de o usar (e volta e meia uso), pago religiosamente tudo no fim do mês porque senão qum entra pela madeira dentro sou eu.

Mas também conheço alguns que tinham aos cinco e mais e iam pagando o crédito de um com outro cartão ... culpa só dos bancos? Só das pessoas? Penso que a culpa é a repartir, embora eu ache que bem mais tolo é o que embarca na conversa quando sabe á partida que não pode!

Andam por aí agora umas meninas muito simpáticas em centros comerciais a vender cartões de crédito; há dias, arrumei uma daquelas mais persistentes dizendo-lhe que o que eu precisava era que me tirassem o que já tinha. Acabou logo ali a conversa!

 
Às 08 outubro, 2009 13:28 , Blogger antonio - o implume disse...

Talvez os bancos tenham de pensar em novas estratégias e baixar os juros para plafonds mais realistas...

 
Às 08 outubro, 2009 18:12 , Blogger Meg disse...

Sou uma felizarda... não tenho cartão de crédito desde que, há uns anos, com os filhos ainda adolescentes, me dei conta de que para eles, o cartão era assim como uma varinha mágica.
Não há dinheiro... ora, mamã, tens o cartão!
Não o devolvi, não, peguei na tesoura e cortei-o devagarinho, às tirinhas, na frente deles, estupefactos!

Os cartões são como os cheques...pré-datados, nenhum deles me preocupa.
E também já recebi cartões em casa, vão directamente para o lixo.
Uso o Multibanco... e nunca me deslumbraram as carteiras forradas a cartões de crédito, que continuo a ver todos os dias.
E depois os bancos ainda tratam os utilizadores como se fossem uns atrasados mentais... não pensam... não são responsáveis... os juros, bla,bla,bla...

Desculpa, Peter, exorbitei mas, apesar de "adolescente" há coisas que me revoltam.

Um abraço

 
Às 08 outubro, 2009 18:16 , Blogger Peter disse...

FP

Mas embarcam, e depois aí temos o crédito mal parado a aumentar.

 
Às 08 outubro, 2009 18:24 , Blogger Peter disse...

António

Fazem agora grande propaganda na TV a um tipo de aplicação que dá 4%de juros ao ano. Não dizem é que os 4% é bruto, não líquido.
O que é isso comparado com os 25/29% com que um desgraçado é onerado por não ter pago ao banco no fim do mês, as compras a crédito que fizera, possivelmente quando trabalhava e nada fazia prever que fosse para o desemprego?

 
Às 08 outubro, 2009 18:41 , Blogger Peter disse...

Meg

Uma vez perguntei a um dos meus netos pequenos onde estava o pai (tinha ido ao Multibanco levantar dinheiro).
Respondeu-me que o pai fora ao banco "comprar dinheiro".

Quando era solteiro, jogava bastante ao poker e acredita: quando eu estava colocando as fichas para cobrir, ou superar uma aposta, não tinha a noção de que elas representavam dinheiro vivo.

Tal como no uso dos cartões de débito: não custa nada, é só apresentar o cartão. Fui das primeiras pessoas a ter o VISA, mas só uma vez não paguei no fim do mês. Os juros que me cobraram fizeram-me aprender a lição.

Os VISA crédito, ou simolares, são indispensáveis para quem se mete num cruzeiro.

 

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