quinta-feira, setembro 24

Tenho de voltar cá


O Banco de Portugal revelou na passada 2ªF que o endividamento do país no exterior já ultrapassava em Junho, os 100% da riqueza criada anualmente. Um dado que compara com 97% do PIB de Dezembro de 2008.
Para quem tinha dúvidas sobre a gravidade do indicador, ficou claro que, em apenas seis meses, a dívida do país ao estrangeiro aumentou em mais de 11 mil milhões de euros, ultrapassando já a fasquia dos 170 mil milhões, ao mesmo tempo que o pico do desemprego deverá ser atingido em finais de 2010, altura em que poderá afectar mais de 650 mil portugueses, ou seja, mais 123 mil do que na actualidade...
Muito para além das tricas da campanha, domingo trata-se de escolher, à esquerda ou à direita, quem nos próximos quatro (?) anos tem melhores alternativas para solucionar, para lá da actual crise conjuntural, a crise estrutural particularmente dura que o país enfrenta.
E este pormenor, ou melhor, “pormaior” , ainda não o vi abordado por nenhum dos candidatos. Toca a banda e siga a marcha.

Foi a este problema que me referi em resposta a um esclarecido comentário de “vbm” sobre o meu texto anterior (“Vale a pena”?), texto que escrevi sem óculos e não com os mesmos de cor rosa e muito menos laranja.

Eu não tenho ilusões, sei muito bem o que me espera e que não há por onde escolher. Já não sei se fui eu que o disse, ou se o li em qualquer lado: “como não há preto, voto branco”. Recuso colaborar no afundamento do meu País.

(imagem: http://pdr21.wordpress.com/2009/08/20/vao-umas-perguntas/)

9 Comentários:

Às 24 setembro, 2009 09:52 , Blogger Bluegift disse...

Peter, concordo inteiramete contigo quando se trata de tentar fazer o máximo possível para que o país aumente a sua qualidade de vida a nível económico. Deve perdoar-se a dívida externa dos países pobres que não têm meios para a pagar, não esquecendo nunca que são os países mais ricos os que têm a dívida externa mais elevada.
http://www.indexmundi.com/map/?v=94&l=fr
Quanto ao desemprego, aí vão mais alguns números:
http://www.indexmundi.com/map/?t=0&v=74&r=xx&l=fr

O maior problema de Portugal parece-me estar mais ligado ao eu emblema internacional: a veia FADISTA!

E assim vive Portugal, cantando o Fado do até ao infinito... sem perder de olho o umbigo!

Abraço!

 
Às 24 setembro, 2009 09:56 , Blogger vbm disse...

Impressiona a dívida externa;
aterroriza o que vai implicar pagá-la!

Mas não pode ser-se pessimista;
Portugal está para «acabar» desde 1143!

Entre os grandes autores de economia
há um que destitui o pessimismo dos clássicos,
Joseph Schumpeter que introduz a imprevisibilidade
na evolução económica das sociedades, através
da inovação.

Nele, o termo não significa uma mera invenção,
técnica ou científica, mas sim a aplicação de uma
nova combinação nos factores de produção.

Medina Carreira lembra-o, na pág. 156:

i) a fabricação de um novo bem;
ii) a abertura de um novo mercado;
iii) a introdução de um novo processo produtivo;
iv) a conquista de uma nova fonte de matérias primas;
v) a realização de uma nova organização.

Agora, para "vermos" um futuro diferente
do passado, postula este desenvolvimento:

i) a duplicação da energia hídrica do país;
ii) exportação para Angola;
iii) a modernização da ferrovia.
iv) a exploração da zona económica exclusiva;
v) nova organização orçamental da união europeia;

 
Às 24 setembro, 2009 12:44 , Blogger Ferreira-Pinto disse...

Não aconselho o voto em branco ... alguém pode preenche-lo!

 
Às 24 setembro, 2009 22:15 , Blogger Peter disse...

"bluegift"

"E assim vive Portugal, cantando o Fado até ao infinito... sem perder de olho o umbigo!"

A propósito disto que dizes, ontem vi na SIC notícias um interessante programa sobre o "crédito mal-parado".

 
Às 24 setembro, 2009 22:25 , Blogger Peter disse...

vbm

"Impressiona a dívida externa;
aterroriza o que vai implicar pagá-la!

Mas não pode ser-se pessimista;
Portugal está para «acabar» desde 1143!"

Depois veio o saque às cidades árabes do sul do futuro país, os descobrimentos com os escravos e depois as especiarias da Índia e arredores, o ouro e os diamantes do Brasil, novamente as colónias africanas, os fundos da CEE.

Houve sempre algo no exterior que nos "desenrascou". Pode ser que afinal sempre haja petróleo no Beato...

 
Às 24 setembro, 2009 22:31 , Blogger Peter disse...

Ferreira-Pinto

É tudo gente séria, vê-se.

A boa notícia das previsões é que o "missionário", não irá subir tanto como esperava. Ao menos valha-nos isso...

Agradeço que daqui a um mês não me encham a caixa de e-mails com "queixinhas".

 
Às 24 setembro, 2009 22:46 , Blogger vbm disse...

.

Ainda algo de "exterior"
mas anterior a Portugal,

tens:

Ebora,
Pax Julia,
Olissipo,
Scalabis,
Conimbriga,
PortusCale,
Bracara Augusta,
Aquae Flaviae,

etc., etc.

ou seja,

as terras, as vilas e cidades
de Portugal são mais antigas
que Portugal e mais antigas
que o Al Garb!

.

 
Às 25 setembro, 2009 11:53 , Blogger Peter disse...

Uma padeira de Penafiel, Luzia Rocha, de 62 anos, moradora na Rua de Maragoça, Valpedre, Penafiel, Padeira há 33 anos devolveu terça-feira, 9.300€ em dinheiro a um homem que o havia perdido. As notas encontrou-as espalhadas pelo chão e numa pasta.
Imaginemos que Luzia Rocha se apoderava indevidamente da maquia. Estaria a incorrer no crime de apropriação ilegítima (artigo 209 do Código Penal), podendo incorrer numa pena de prisão até um ano ou pena de multa até 120 dias.

Tenho orgulho deste bom povo português, ao qual pertenço.

 
Às 27 setembro, 2009 13:25 , Blogger alf disse...

Vejamos como nasce tão grande dívida; há uns anos, quando comprei o meu andar, pedi dinheiro ao banco, é claro. Fiquei a dever ao banco muito mais do que ganho num ano. O banco foi buscar esse dinheiro ao estrangeiro. Logo, eu fui responsável por gerar uma «dívida externa» superior ao meu «PIB anual».

Mas paguei-a e não houve crise.

Isto para mostrar que estes indicadores têm de ser interpretados.

Mas o Peter tem razão, este valor deve ser mantido tão baixo quanto possível. Isso consegue-se fazendo a actividade económica girar dentro do país em vez de comprar ao estrangeiro.

Finalmente, ao fim de tantos anos, este governo entendeu isso e, pela primeira vez desde o 25 de Abril, o Estado passou a adjudicar os concursos a empresas nacionais!!! Como fazem todos os países, nomeadamente os espanhóis, que tem andado maravilhados com a facilidade com que ganhavam concursos em Portugal. Nem entendiam como era possível tal acontecer, como os governanates portugueses podiam ser tão «burros`e «incompetentes»

Eu sei bem do que falo porque tenho vivido isto no pêlo. E o Mira Amaral também, que foi silenciado pelo Cavaco e seguidores quando quis acabar com isso. Eu estava a ver.

 

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