sexta-feira, julho 10



«Cada porção da matéria pode ser concebida
como um jardim pleno de plantas e como um lago pleno de peixes.

Mas cada ramo da planta, cada membro do animal,
cada gota de seus humores é ainda um tal jardim ou um tal lago.


E embora a terra e o ar interpostos entre as plantas do jardim
ou a água entreposta entre os peixes do lago,

não sejam nem plantas nem peixes,

eles os contêm ainda,
as mais das vezes de uma subtilidade
imperceptível para nós.

Assim,
não há nada de inculto, de estéril, de morto no universo,
não há caos nem confusão senão na aparência,

mais ou menos como num lago à distância
no qual se veria um movimento confuso e buliçoso, por assim dizer,
de peixes no lago sem discernir os próprios peixes.

Por isso se vê que cada corpo tem uma enteléquia dominante,
que é a alma no animal;

mas os membros deste corpo vivo
são plenos de outros corpos vivos,

plantas, animais,

dos quais cada um tem ainda
a sua enteléquia ou a sua alma dominante.»


(Leibniz, Monadologia, §§ 67-70)

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2 Comentários:

Às 10 julho, 2009 22:50 , Blogger Peter disse...

Texto de filósofo para se ler duas vezes.

Para reflectir.

 
Às 11 julho, 2009 09:58 , Blogger vbm disse...

Sem dúvida!

E impressionante,
à Leibniz!

com o infinitamente grande,
o infinitamente pequeno,

os mundos co-possíveis
e a harmonia «pré-estabelecida»,
- eu diria antes, «pós-viabiliazada»

 

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