quinta-feira, julho 2

D.Afonso Henriques

“Comemoram-se actualmente os 900 anos do nascimento de D. Afonso Henriques. O mesmo é dizer que não tardará muito que comemoremos os novecentos anos do nascimento do Estado português.
Estas comemorações assumem hoje, em que a crise de identidade portuguesa e o processo de integração europeia vão criando uma certa desorientação no nosso viver comunitário, uma importância excepcional.
O país não nasceu ontem. Resultou do esforço de Afonso Henriques e dos seus barões mas é principalmente o resultado da vida e morte de muitas gerações ao longo de nove séculos.
Ganhámos com o nosso próprio esforço um lugar na comunidade internacional e ganhámos também o direito à soberania, ou seja ao governo de nós próprios.
Por isso é uma verdadeira aberração a forma como o processo de integração europeia, principalmente a partir do Tratado de Maastricht tem levado o nosso país (e não só o nosso país, naturalmente) a reduzir aflitivamente a sua margem de auto-governo.
Como é evidente a interdependência entre as nações, que é uma característica do mundo actual, leva à necessidade de uma muito maior cooperação entre os estados e à regulação supranacional de alguns domínios (o ambiente, a segurança internacional o comércio mundial são alguns exemplos).
Mas o processo de integração europeia tem ido muito mais além do que seria necessário no caminho da redução do auto-governo dos estados, em particular dos de pequena ou média dimensão.
É um erro pensar que o nosso país se pode desenvolver sem autonomia política dentro duns utópicos Estados Unidos da Europa, cujo caminho é, aliás, aberto pelo Tratado de Lisboa.
A autonomia política é uma capacidade que as regiões periféricas devem preservar a todo o custo para poderem prosperar. E basta recordar o que foi o desastre da dominação filipina ou o da dominação da Irlanda pelos Ingleses, para verificarmos que assim é.
Talvez que, na confusa percepção de um guerreiro da Idade Média, Afonso Henriques tenha compreendido isto. Fê-lo certamente melhor que muitos dos políticos portugueses actuais.”


(João Ferreira do Amaral – Economista – “Página 1” – 26/06/2009)

4 Comentários:

Às 02 julho, 2009 10:58 , Blogger Quint disse...

João Ferreira Amaral aborda bem o tema, mas labora num equívoco ... nem toda a dominação filipina foi um desastre!

Tirando isso, e da forma que as coidsas estão a ser feitas na União Europeia, tem razão. Mas isso decorre do facto de a Europa, no seu todo, ser isto ... incapaz de tomar decisões delicadas.
Federação sim, mas sem dizer nada às pessoas e deixando sempre uma porta entre aberta.

Nada tenho contra o federalismo e num hipotético referendo até admito votar favoravelmente, mas ponham as cartas na mesa.

 
Às 02 julho, 2009 12:28 , Blogger Peter disse...

FP

Tens razão, "nem toda a dominação filipina foi um desastre!"
Eu tinha obrigação do saber e sabia-o, mas o tempo vai passando sem termos de utilizar os n/conhecimentos e vamo-nos esquecendo.

 
Às 02 julho, 2009 14:40 , Blogger Meg disse...

Peter,
Num dia de folga inesperada, aproveitei para te vir visitar e ler-te.
Agora sobre o tema de hoje, prefiro não comentar... isto atingiu um tal estado que já não sei nada de nada. Ou antes, sei que, cada vez mais, nada sei.
Fiz-me entender? Se calhar não, mas é do cansaço.

Mas deixo-te um abraço amigo

 
Às 02 julho, 2009 15:56 , Blogger Peter disse...

Meg

Obrigado pela visita. Olha eu vou deixar de tratar temas políticos:
- os dois Partidos mais votados perdem o seu tempo acusando-se mutuamente;
- ninguém sabe o que o PSD tem para nos oferecer se for Poder;
- quanto ao PS entrou numa fase de adiamento, com o fim de ganhar as Legislativas.

Prevejo o pior para todos nós e isso preocupa-me.

E começo a estar farto do blogue, pois já por aqui ando julgo que há 9 anos.

Já chega.

 

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