domingo, maio 31




Equinócio

Chega-se a este ponto em que se fica à espera
Em que apetece um ombro o pano dum teatro
um passeio de noite a sós de bicicleta
o riso que ninguém reteve num retrato

Folheia-se num bar o horário da Morte
Encomenda-se um gin enquanto ela não chega
Loucura foi não ter incendiado o bosque
Já não sei em que mês se deu aquela cena

Chega-se a este ponto Arrepiar caminho
Soletrar no passado a imagem do futuro
Abrir uma janela Acender o cachimbo
para deixar no mundo uma herança de fumo

Rola mais um trovão Chega-se a este ponto
em que apetece um ombro e nos pedem um sabre
Em que a rota do Sol é a roda do sono
Chega-se a este ponto em que a gente não sabe


David Mourão-Ferreira

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1 Comentários:

Às 01 junho, 2009 01:11 , Blogger Peter disse...

Não conhecia este poema do David Mourão-Ferreira, que foge ao tema do amor. E gostei mais porque já me encontro nesse ponto, o "ponto em que se fica à espera".

 

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