terça-feira, maio 26

A crise prossegue

“(…) Sem diferenças relevantes quanto aos objectivos pretendidos e quanto aos conteúdos ideológicos, os partidos do chamado arco do poder envolvem-se em conflitos laterais aos verdadeiros problemas de Portugal. (…) Os portugueses empobrecem, vêem agravadas as suas condições de vida, deparam-se com muitas dificuldades financeiras, vivem o temor da insegurança, são na sua maioria vítimas de um sentimento de desesperança. (…) A crise dá lugar a atitudes oportunistas do patronato, seja chantageando o poder para obter apoios não justificados, seja procurando embaratecer o custo do trabalho através de processos de legalidade duvidosa. (…) Sem entender as razões da crise, o Governo não pode ter mais do que uma política de medidas soltas, não de ataque às causas, mas apenas de atenuação dos seus sintomas. (…) Ao Governo impõe-se o desenho de uma estratégia coerente de combate às debilidades do sistema económico, em diálogo com as outras forças políticas e com os movimentos sociais em especial com o movimento sindical. (…)”

(“Editorial”, Seara Nova, Primavera 2009)

10 Comentários:

Às 26 maio, 2009 01:46 , Blogger Dr. Mento disse...

E as medidas que visam atenuar os efeitos da crise e da ganância de algum patronato surgem apenas porque há três eleições este ano. Caso contrário...

 
Às 26 maio, 2009 02:36 , Anonymous Anónimo disse...

Tudo mudou, somos milhões de marionetas vivendo segundo as regras do grande capital, ou seja, somos apenas números que os alimentam e que eles controlam.

Não somos pessoas,somos personagens dum big brother gigantesco.Somos carne para canhão.

Talvez um dia tudo mude, em geral.Duvido, caminhamos para a destruição. Portugal é apenas um satélite. Há erros internos, graves, é verdade. Mas se não houver uma consciência global dos perigos que corremos, a diversos níveis, incluindo os países de infinita pobreza, nada mudará.
Enquanto continuarmos "números"- e há tantos, em África, e noutras zonas de "pretos" que querem viver - nós não viveremos.

Não seremos livres, mas escravos de fatinho e gravata.

Obrigada, Peter, por este post.

Cumprimentos

 
Às 26 maio, 2009 08:30 , Blogger vbm disse...

Sim, é verdade. Há dirigismo de massas e uma plutocracia de oportunistas. Mas não é verdade que haja quem saiba como debelar a crise e alcançar um sistema melhor. Não há esse conhecimento.

 
Às 26 maio, 2009 09:35 , Blogger Peter disse...

vbm

"Mas não é verdade que haja quem saiba como debelar a crise e alcançar um sistema melhor. Não há esse conhecimento."

Não, não há e infelizmente para nós.

Ontem estive a ouvir o Jerónimo de Sousa a ser entrevistado pelo Mário Crespo. Desisti. É a "cassete" e mesmo durane a entrevista repete-se. Continua a sonhar com conceitos ultrapassados, como a "reforma agrária". É verdade que os grandes proprietários agrícolas alentejanos, depois de lhes terem restituído as terras, viviam à grande, com os subsídios pagos pela CEE para não cultivarem, de modo que nada faziam, passeavam-se pelas feiras de Espanha a ver touradas.
É preciso ter novas ideias, promover os novos. O PCP é uma gerontocracia.

 
Às 26 maio, 2009 19:15 , Blogger vbm disse...

lol.

Claro que o PCP não tem ideias adequadas a governar a sociedade! Mas já não seria discipiendo se conseguisse condicionar que outros as tivessem... :)

Sei bem que há uma tendência generalizada na Europa de os cidadãos, a sociedade civil não se rever nos partidos políticos quer dos responsáveis por governações passadas quer nas novas promessas políticas que surgiram em oposição às antigas.

No entanto, sou contra a abstenção da discussão política, considero que temos de ser nós a tratar da política para que não seja a política a tratar de nós (Miguel Portas dixit) e por isso votarei contra os partidos responsáveis pelos últimos 33 (33 diga 33) no governo sem que isso corresponda a iludir-me com a hipotética competência da velha e nova oposição.

Não sabem como governar, como os demais não sabem, mas sem que haja pressão do povo, aí é que é certo os governantes não fazerem outra coisa senão governarem-se a si próprios.

 
Às 26 maio, 2009 22:43 , Blogger JOY disse...

Amigo Peter,

O mais desesperante de tudo isto, é olharmos para uma classe politica que mais não procura do que tratar dos interesses partidários, logo os seus interesses, não procurando atenuar as angústias de quem vê o seu dia a dia ser cada vêz mais um fardo demasiado pesado para o transportar.

Passei para o cumprimentar.

Um abraço
Joy

 
Às 27 maio, 2009 00:45 , Blogger Peter disse...

Joy

Tens toda a razão:

"O mais desesperante de tudo isto, é olharmos para uma classe politica que mais não procura do que tratar dos interesses partidários, logo os seus interesses"

Obrigado pela visita.

 
Às 27 maio, 2009 19:13 , Blogger Meg disse...

Peter,

Subscrevo o comentário do Joy... é isso mesmo!
E não se consegue parar essa "corrida ao tacho"!

Um abraço

 
Às 27 maio, 2009 23:42 , Blogger alf disse...

Se há um problema, é preciso pensar sobre ele e procurar soluções. Mas não. O que se faz é sempre o mesmo: apontar culpados.

Exercício inútil. Não há culpados, não se iludam. A sociedade humana é uma sociedade em construção. Falta-nos Inteligência suficiente para a construirmos sem falhas. Assim, vamos avançando à custa de tropeções. Aprendendo com os erros.

Apontar culpados é a atitude mais perniciosa que se pode ter. Eu sei que está nos genes. Eu também caio nela. Mas temos de lhe resistir. Temos de pensar positivo.

E, no fundo, os grandes culpados somos nós. Porque nem toda a gente foi apanhada de surpresa com isto - muitos andam há quase um década a tentar explicar que isto ía acontecer e a dizer o que deve ser feito. Mas ninguém lhes ligou nenhuma, a começar pela comunicação social.

E aqui está um ponto interessante de meditação: como é que pudemos ser tão burros que não percebemos que isto ia acontecer? Como é que o Jerónimo de Sousa ou a MFL continuam na total ignorância das razões da crise e das medidas a tomar?

Porque é que o Obama já sabia exactamente o que deveria fazer? Já sabia antes da crise ter explodido, e disse na sua campanha eleitoral coisas impensáveis para um americano. Ele já sabia porque deu ouvidos a essas pessoas que vinham explicando como as coisas funcionam.

Sempre que ouvirmos um opinião única, uma verdade indesmentível, podemos estar certo que ela é o fruto de uma grande burrice. Temos de exigir sempre pluralidade de ideias. A Verdade emerge da discussão e da dúvida, nunca das certezas.

Bem, pelo menos é o que a minha experiência de vida me tem mostrado...

Peter, os seus posts provocam o pensamento... isso é o melhor que um post pode fazer, eu gosto de vir aqui, e ler os comentários, fazem saltar pequenas centelhas de luz, sobretudo os do amigo vbm. Peço desculpa pelo meu estilo reguila, já tentei mudar, mas olhe, não consigo... as coisas ou me saem assim ou não saem.

 
Às 28 maio, 2009 01:53 , Blogger Peter disse...

Temos que ler e pensar sobre os assuntos, o que não se faz, nem uma coisa nem outra.

As campanhas eleitorais são importantes porque é uma maneira das pessoas se deliciarem com as comezainas, não prestando a mínima atenção aos discursos pseudo-políticos. Tanto ouvintes, como oradores, sabem muito bem que aquilo é para esquecer no dia seguinte ao das eleições.

Lendo a "Carta aberta ao primeiro-ministro" escrita pelo prof do ensino suberior, Santana Castilho e publicada no "Público" de ontem (27), destaco:

"Entrámos em campanha eleitoral. Três eleições seguidas, arrastadas, com os mesmos que nos trouxeram à encruzilhada a dizerem que têm as soluções para o país e sem que ninguém peça desculpa por ter sido protagonista dos mesmíssimos erros que apontam aos adversários."

P... se têm soluções, apresentem-nas e deixem de "sacudir a água do capote" e de "apontarem o dedo", que é o que fazem, sempre fizeram, não sabem actuar de outro modo.

 

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