quinta-feira, dezembro 20

Recortes de jornais 6

"Portugal está longe do Brasil. Mas existe na tragédia brasileira uma lição para Portugal, que começa a dar os seus primeiros passos no crime organizado: quando não se dá fim a um começo, isso pode representar o começo do fim. Desde Julho, foram abatidos entre nós quatro "homens da noite" de forma organizada e brutal. Por vingança, certamente. Mas também porque a cidade do Porto está dividida em "territórios", que as "máfias" controlam, exercendo aí os seus "direitos de suserania" e punindo quem os "invade".
Esta conversa devia bastar para que a nossa gente enterrasse os seus clichés ideológicos e procurasse lidar com o fenómeno enquanto ele ainda está na infância. Fatalmente, as reacções oscilam sempre entre a displicência (da esquerda) e a histeria (da direita), o que impede qualquer consenso racional.
Não, o Porto não é Chicago. Mas o Porto também já não é a cidade pacata que exige uma "polícia de proximidade". A cegueira dos próceres, ontem como hoje, é o solo ideal para os maus começos florescerem."

(João Pereira Coutinho, "Maus começos", in Expresso de 15 DEZ 07)

15 Comentários:

Às 20 dezembro, 2007 09:10 , Blogger Tiago R Cardoso disse...

O que seria de esperar era a união de todos em torno do bem comum, evidente que isso nunca irá acontecer.

 
Às 20 dezembro, 2007 10:12 , Blogger quintarantino disse...

Infelizmente, a política dos brandos costumes permitiu que se chegasse a este estado de coisas!

 
Às 20 dezembro, 2007 10:53 , Blogger Ant disse...

Acreditas que nunca me passou pela cabeça que houvesse uma questão como esta no mundo dos "negócios"?
Mas olha, em Chicago estas situações passavam-se nos anos 20 e 30 do sec passado.

O nosso atrazo em relação aos EU é notório... até nestas coisas...

Caraças... pá...

Escrevi sobre isso lá no canto...

 
Às 20 dezembro, 2007 13:03 , Blogger Peter disse...

Tiago

Claro que nunca irá acontecer. Não acreditas no Pai Natal, pois não?
O que irá acontecer é um aproveitamento político, cada Partido deitando as culpas para cima dos outros.

Estou farto deles!

 
Às 20 dezembro, 2007 13:09 , Blogger Peter disse...

"quintarantino"

O receio de perderem votos, de desagradarem ao FCP e a todos os seus sócios e simpatizantes. O receio de desagradarem ao Exmº Sr Pinto da costa.
A estúpida "rivalidade" Norte/Sul, criada e alimentada pelos meios futebolísticos.
Muito mais que os "brandos costumes" que de "brandos" já não têm nada.

 
Às 20 dezembro, 2007 13:13 , Blogger Peter disse...

"ant"

É como escreves:

"Uma coisa parece certa. Portugal atingiu a maioridade no que diz respeito à criminalidade.
Aparentemente, todos os dias, há atentados mafiosos de qualidade. Já não se fala de pequenos furtos a bombas de gasolina ou coisas do género.
Não. Agora é mesmo de metralhadora. Implacáveis, certeiros, os tiros atingem os alvos com uma frieza só antes vista no estrangeiro."

Estamos a "progredir" ...

 
Às 20 dezembro, 2007 21:03 , Blogger Meg disse...

E depois com uma imagem da Justiça tristemente estampada nas "peixeiradas, na comunicação social, na tv... bastonários prolixos e vaidosos, sem tento na língua, sem cuidarem da falta de credibilidade em que envolvem toda uma classe, que sopostamente devia ser discreta e eficiente...

Como não há-de haver criminalidade, se reina a impunidade e a corrupção nos meios mais insuspeitos?
Bom, pelo menos as claques já estão com rédea curta!

Um abraço

 
Às 20 dezembro, 2007 21:04 , Blogger Meg disse...

"supostamente", claro!

 
Às 20 dezembro, 2007 22:10 , Blogger SILÊNCIO CULPADO disse...

Peter
É preocupante o aumento do crime organizado, a insegurança e o medo. Mas pior ainda é a falta de meios e de vontade política para lidar com o fenómeno. Basta ver como tratam os polícias, como vai a justiça e daí por diante.
Um abraço natalício Peter, e isto para eu não ficar já assustada se começo a visualizar o que pode acontecer.

 
Às 20 dezembro, 2007 22:17 , Blogger Peter disse...

Meg

Pelo menos já foi feita alguma coisa...
Vamos ver onde tudo isto nos leva. Parece haver uma "importação" do modelo do Rio e vejo na TV suspeitos, que se encontram em prisão preventiva, a rodearem Pinto da Costa, a pertencerem à claque dos Super Dragões e a ostentarem sinais exteriores de riqueza incompatíveis com os proventos de um simples café de bairro.

 
Às 20 dezembro, 2007 22:31 , Blogger Peter disse...

"silêncio culpado"

Destaco a "falta de vontade política". Tibieza e receio de perder votos no Porto, o que, quanto a mim e felizmente, não corresponde à verdade, pois não podemos, de modo algum, confundir o Porto e as suas nobres gentes, com o FCP.

 
Às 20 dezembro, 2007 23:15 , Blogger herético disse...

tenho sobre a questão uma certa "displicência de esquerda". assumo.

julgo que não é o problema maior do País. nem sequer de Invicta cidade do Porto. mas que interessa à direita agitar...

abraços

 
Às 20 dezembro, 2007 23:31 , Blogger Peter disse...

herético

Claro que "não é o problema maior do País". Ele há tantos!
Quanto a "interessar à direita agitar", é relativo. Quem é a "direita"?
A única e verdadeira "esquerda" é o PCP. Certo?
Então, concretamente, como pretende ele resolver a situação?
Varrendo para debaixo do tapete?

Desculpa lá Herético, mas nem sempre podemos estar de acordo.

 
Às 21 dezembro, 2007 14:43 , Blogger António disse...

Não estou minimamente preocupado!
Tenho a certeza de que é um fenómeno novo mas passageiro que a PJ resolverá.
Além disso não me sinto afectado na minha segurança pessoal; ainda não sou segurança de nenhum dancing ou coisa do género...

 
Às 21 dezembro, 2007 15:13 , Blogger Peter disse...

"antónio"

Ainda bem que não estás preocupado.
Pois olha eu estou e também não sou segurança.
E estou, por já me ter sentido afectado na minha segurança pessoal.
Não me apetece contar a história outra vez.

Que tenhas um Bom Natal e que não sejas vítima do "carjacking".

Também, coitadinhos, todos esses seres humanos que nos matam, nos roubam e nos agridem, precisam de viver.
Guerra à PJ, à PSP e à GNR e vamos todos celebrar o "Natal do mafioso".
Ao fim e ao cabo foi a nossa conduta burguesa e desinteresse pelos mais desfavorecidos que os levou a essa atitude.

 

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