quarta-feira, dezembro 12

Um “farol” nos confins do universo

Com o auxílio do observatório espacial europeu de raios gama, “Integral”, uma equipa de astrónomos descobriu nos confins do universo, um objecto intrigante descrito como um "farol" de raios-gama.



(Ilustração artística do observatório espacial de raios-gama “Integral”)

Os cientistas ficaram surpresos quando outro telescópio espacial, o “Swift” detectou este mesmo objecto em raios-X, revelando a sua posição com uma precisão muito maior do que a obtida com o “Integral” nos raios-gama. Este objecto foi então identificado como sendo a já conhecida galáxia activa MG3 J225155+2217.

Esta galáxia é o objecto celeste mais longínquo alguma vez detectado pelo “Integral” e a sua natureza tem permanecido um mistério.

Todas as galáxias activas possuem um buraco negro supermassivo com uma massa entre um milhão e vários milhares de milhões de massas solares. Estes monstros celestes possuem um campo gravitacional tão intenso que qualquer matéria nas redondezas é "engolida", sendo neste processo libertadas enormes quantidades de energia.

As observações do “Integral” mostram que o IGR J22517+2218 liberta quantidades colossais de raios-gama à medida que vai "engolindo" matéria, a um ritmo de uma massa equivalente a todo o Sistema Solar em apenas alguns dias.
As observações também indicam que este objecto pertence a um tipo especial de galáxias activas conhecido como “blazar”. Os “blazares” são o tipo de galáxias activas mais energético e estão entre os fenómenos mais violentos do universo, sendo fontes de energia altamente variáveis e muito compactas, associadas a um buraco negro supermassivo.
Ilustração artística do que se pensa ser um “blazar”:

Uma das características dos “blazares” são os seus “jactos relativistas” (a azul na figura).

Os dados obtidos pelo “Integral” revelaram alguns factos curiosos:

- Embora tenha sido possível classificar o IGR J22517+2218 como sendo um “blazar”, este objecto possui certas características consideradas peculiares.
Em geral, os “blazares” possuem dois grandes picos de emissão. Em objectos aparentemente semelhantes, um dos picos ocorre no comprimento de onda dos infravermelhos e é produzido pela radiação libertada quando os electrões se movem em espiral em torno das linhas do campo magnético.
O outro pico ocorre no comprimento de onda dos raios-gama de alta energia e é produzido pelos mesmos electrões, quando estes colidem com fotões.
Mas no caso do IGR J22517+2218, o objecto aparenta possuir apenas um pico que ocorre na banda dos comprimentos de onda dos raios-gama de baixa energia, ou seja, fora dos intervalos convencionais.
Isto indica que, ou o pico no infravermelho foi deslocado para comprimentos de onda mais energéticos, ou o pico de raios-gama de alta energia foi deslocado para comprimentos de onda menos energéticos.

Em qualquer destes casos, quando a equipa de astrónomos responsável pela descoberta for capaz de compreender o significado deste fenómeno, terá em mãos algo que fornecerá uma maior compreensão acerca das galáxias activas e, em particular, dos “blazares”. A equipa espera continuar a observação deste objecto em todos os comprimentos de onda, na tentativa de formar uma "imagem" completa da radiação emitida por este corpo celeste. Desta forma, será possível obter uma maior compreensão da forma como o buraco negro supermassivo, localizado no coração do IGR J22517+2218, "devora" o seu meio circundante.

(adaptado de um dos últimos ASTRONOVAS* recebidos)

(*) - Notícias do Observatório Astronómico de Lisboa - Centro de Astronomia e Astrofísica da Universidade de Lisboa

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13 Comentários:

Às 12 dezembro, 2007 09:11 , Blogger Paula Raposo disse...

Gosto quando publicas àcerca do teu tema preferido. Fico a saber muita coisa que não sabia. Obrigada por isso.

 
Às 12 dezembro, 2007 11:42 , Blogger quintarantino disse...

Leio com interesse estes seus textos. Não sendo nem sequer amador na questão, sempre enriqueço conhecimentos.

 
Às 12 dezembro, 2007 11:50 , Blogger Tiago R Cardoso disse...

Muito bem, mais um post sobre um tema que me fascina.

 
Às 12 dezembro, 2007 14:24 , Blogger Ant disse...

este rapaz sabe cada coisa...

abraço

 
Às 12 dezembro, 2007 17:22 , Blogger Peter disse...

Paula

Eu cada vez fico a saber menos e a minha ignorância é quase, quase total.
Gosto de "cuscuvilhar" por esses espaços infinitos tal como tu gosta de fazer (e bem) versos.

Obrigado pela visita. Estes temas têm sempre pouca freguesia...

 
Às 12 dezembro, 2007 17:25 , Blogger Peter disse...

"quintarantino"

Bem, eu sou "amador", quanto a conhecimentos, procuro enriquecê-los de acordo com as minhas limitadas possibilidades.

 
Às 12 dezembro, 2007 17:31 , Blogger Peter disse...

Tiago

Quando publico um artigo destes, já sei que vou ter, pelo menos, um leitor. Já não é mau...

A "bluegift" teve o trabalho de reunir 76 no "Universo Fantástico" (é uma boa contribuição, passe a imodéstia...) nas "etiquetas".

 
Às 12 dezembro, 2007 17:32 , Blogger Peter disse...

Olá "ant", qd quiseres "entrar" é só dizeres.

Abraço

 
Às 12 dezembro, 2007 18:53 , Blogger Papoila disse...

Peter:
Um assunto que me interessa e aqui aprendo sempre mais. Universo fantástico e sempre surpreendente.
Beijos

 
Às 12 dezembro, 2007 21:01 , Blogger Miss Vader disse...

Sim senhor, as coisas que o Peter sabe. Um abraço aqui da Vader. Já agora diga por favor à bluegift que eu andei por aqui.

 
Às 13 dezembro, 2007 02:42 , Blogger Olhos de mel disse...

Peter, existem muitos mistérios a serem desvendados... e chegamos a pensar que ia ser fácil, com a chegada a lua. Acho que ainda estamos distantes disso.
Parabéns pelo belo post! E as fotos perfeitas!
Beijos

 
Às 13 dezembro, 2007 23:20 , Blogger Nilson Barcelli disse...

As coisas que aprendemos contigo... eu estava a Leste...
Obrigado pela partilha.
Abraço.

 
Às 14 dezembro, 2007 10:45 , Blogger MARTA disse...

Um tema fascinante - adorei ler o post...
Desculpas pela ausência; tenho estado adoentada, ainda não me sinto 100%...
Beijos e abraços
Marta

 

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