segunda-feira, dezembro 3

Sistema planetário com grandes semelhanças com o nosso

Esta concepção artística pretende representar 4 dos 5 planetas que orbitam a estrela 55 Cancri muito semelhante ao nosso Sol e que está a 41 milhões de anos-luz, na constelação do Caranguejo.


O artista utilizou cores semelhantes às do nosso Sistema Solar, pois os astrónomos desconhecem as verdadeiras cores dos planetas.
( Image credit: NASA/JPL-Caltech )

O planeta mais recentemente descoberto e que foram precisos 18 anos de medições para que a sua presença pudesse ser confirmada, está representado em primeiro plano e é o 4º a orbitar a estrela. A sua massa é pelo menos 45 vezes a da Terra, ou metade da de Saturno e o seu período de translação é de 260 dias. Os outros 3 planetas interiores estão representados por detrás, orbitando a estrela, enquanto o 5º planeta, devido à distância a que se encontra, se optou por não o representar. A procura de uma 2ª Terra começa assim a tornar-se um assunto premente já a médio prazo se entretanto os governantes (ir)responsáveis não destruírem o nosso planeta, ou tornarem impossível a nossa vida aqui.

O célebre astrofísico Stephen Hawking, da Universidade de Cambrige, declarou muito recentemente:

“Se a Humanidade se quer perpetuar, torna-se necessário que o seu horizonte ultrapasse o do planeta Terra. Não é possível que continuemos a olhar para o nosso umbigo e a apostar num planeta super-povoado e cada vez mais poluído. Isto vai-nos levar muito tempo e esforços, mas tornar-se-á cada vez mais fácil com os avanços tecnológicos.”

Com todo o respeito que me merece tão ilustre astrofísico e partindo da hipótese ( para já, irrealizável ) que a Humanidade se queria transferir de “armas e bagagens” não para este planeta recém-descoberto, pois ele deve ser gasoso como os gigantes do nosso Sistema Solar, mas para um dos seus satélites, que os deve ter e que terão, muito provavelmente uma constituição sólida, não estou a ver como se poderá lá chegar. Ora vejamos:

1 dia = 86400 segundos
86400s x 365 dias x 41.000.000 anos x 300.000 km/s (velocidade da luz)
Qual é a distância a percorrer?
Quanto tempo levaríamos, utilizando os sistemas de propulsão conhecidos, ou mesmo outros mais rápidos que eventualmente se venham a desenvolver, como a “propulsão iónica”?

Decididamente vivemos numa “ilha” de onde não temos qualquer possibilidade de sair … Contentemo-nos em ir viver para Marte, utilizando a Lua como base de partida que é aliás o que já se está a tentar fazer, embora estejam continuamente a surgir problemas: agora é toda a poeira levantada pelos propulsores dos diversos dispositivos que para ali foram lançados ou que lá “alunaram”, que anda a orbitá-la caindo muito, muito lentamente no solo lunar.
Se não o conseguirmos, o Homem terá que ceder o seu lugar a outros organismos vivos e há fortes candidatos: lacraus, escaravelhos, bactérias, vírus … Aliás neste belo planeta azul foram os Dinossauros, que por cá andaram mais tempo, de há cerca de 200 milhões de anos até à sua total extinção por volta dos 70 milhões. Portanto cerca de 130 milhões de anos, enquanto que o Homem é praticamente um recém-chegado de há “apenas” 5 milhões de anos.

Etiquetas:

15 Comentários:

Às 03 dezembro, 2007 08:53 , Blogger Ant disse...

Peter, tu não vês filmes de ficcção científica? Então? É claro que é possível. Quer dizer... um dia destes vai ser.
Sempre é melhor pensar nisso que tratar do que temos não achas?

Como em tudo... olhar para fora de nós é bem mais confortável que olhar para dentro.
Será?

 
Às 03 dezembro, 2007 09:22 , Blogger bluegift disse...

Ora nem mais caro Ant, sempre vamos procurando outras alegrias e mistérios, bem bem longe desta "santa" terrinha.

 
Às 03 dezembro, 2007 09:26 , Blogger bluegift disse...

Tenho a leve sensação que não duraremos nem 5% do tempo dos dinossauros...

 
Às 03 dezembro, 2007 09:37 , Blogger Tiago R Cardoso disse...

Mais um daqueles posts que eu gosto.

Já agora a velocidade que isto vai, desconfio que a presença do homem ainda vai ser mais pequena do que se seria de supor.

 
Às 03 dezembro, 2007 09:58 , Blogger Peter disse...

ANT

Sem dúvida. A busca do desconhecido, o desejo de saber mais do Todo em que estamos inseridos, são sempre aliciantes, mesmo que não haja "vizinhos", ou que estes, se existirem (riam-se lá um pouco, mas eu acredito nos "discos voadores" ...) se apresentarem como inatingíveis.

Boa semana

 
Às 03 dezembro, 2007 10:07 , Blogger Peter disse...

"bluegift"

Também me parece que a passagem do Homem pela Terra vai ser demasiado "breve". Estamos a suicidar-nos. Chegará a altura das plantas tomarem conta do planeta, conforme a antevisão contada num livro muito recente de que não me lembro o nome. Julgo haver também um filme.

Boa semana

 
Às 03 dezembro, 2007 10:12 , Blogger Peter disse...

Tiago

O simples facto de haver uma pessoa que também se interessa por estes assuntos, leva-me a escrevê-los.

Boa semana

 
Às 03 dezembro, 2007 10:30 , Blogger quintarantino disse...

Gostei de ler. Ando é preocupado e indeciso: já imaginaram se nos aventuramos pela galáxia fora? A odisseia que nãos seria. Contudo, pelo que andamos a fazer ao nosso planeta seria de temer o pior.

 
Às 03 dezembro, 2007 10:40 , Blogger indomável disse...

Caro Peter,

perdão por me infiltrar assim neste vosso cantinho, mas não consegui conter-me.
Essa das plantas tomarem conta do planeta está realmente bem posta. Então como será isso possivel, se estão a esvaziar o planeta do dióxido de carbono, tão querido à fotossintese?
Não será mais ao contrário? Não ficarão as plantas reduziadas a pó?

Bem, eu não sou mesmo nada informada nestas coisas... estou para aqui a dizer asneira atrás de asneira... mas acho que o homem está cada vez mais longe do seu destino. Já em infante eu ouvia falar em mudar-mo-nos para a lua - quem não foi espectador atento do espaço 1999? - e depois li os livros todos de ficção cientifica que existiam, onde se falava em viver em Marte. Ir um bocadinho mais além não é milagre nenhum e depois, os ratos são sempre os primeiros a fugir do barco que se afunda... não é uma analogia perfeita para a humanidade?

Abraço sincero. Gostei aqui do cantinho. Posso voltar?

 
Às 03 dezembro, 2007 13:04 , Blogger Peter disse...

"indomável"

Claro que podes voltar e gostaríamos muito que voltasses.

Lá terei que comprar o livro, o que não tem importância de maior, pois sou um "comprador de livros compulsivo". Não tenho é tempo para os ler …

Quanto à clorofila, é dispensável, senão lê:

“Nas profundezas das grutas de Movile, no Sudeste da Roménia, a concentração de sulfureto de hidrogénio é 100 vezes superior à da atmosfera, e o conteúdo em oxigénio, apenas um terço. Contudo, o local fervilha de vida. Colónias de bactérias flutuam à superfície de um lago subterrâneo.
Estes seres habitam um mundo subterrâneo que ficou hermeticamente selado durante mais de 5 milhões de anos. Nem luz nem ar fresco penetram do exterior.
Como é que conseguiram sobreviver em circunstâncias tão hostis? Alimentam-se de microrganismos, formas de vida unicelulares que podem suportar condições extremas que provocariam instantaneamente a morte a seres mais desenvolvidos. O seu nome, "extremófilos", não poderia ter sido mais bem escolhido.

Os seus metabolismos e estruturas celulares adaptaram-se a estas condições terríveis, produzindo proteínas anticalor e antifrio que lhes permitiam manter-se vivos. Ou então sobreviveram recorrendo à esporificação. Os microrganismos de que se alimentam as espécies mais complexas das grutas de Movile, na Roménia, não poderiam ter hábitos alimentares mais frugais. Comem pedra.
O bioquímico alemão Michael Groß descreve microrganismos cuja fonte de energia é o fósforo, ferro e manganésio que encontram nas profundezas da Terra. Outros alimentam-se de petróleo. Nos anos 70, foram descobertas nos fundos submarinos outras formas de vida que podem sobreviver sem luz solar a mais de 2500 m de profundidade.”

Que tenhas uma boa semana.

 
Às 03 dezembro, 2007 14:59 , Blogger Blondewithaphd disse...

I've always, always loved this topic. As a child I wanted to be a scientist and one of my hobbies still is looking at the skies at night distinguish stars from planets and imagine which may be inhabited.
So nice to get lost in this kind of pictures.

 
Às 03 dezembro, 2007 15:01 , Blogger Miss Vader disse...

Eu gosto de ver e ler estas coisas sobre planetas, mas ás vezes ainda é um bocaodo complicado para mim.
Um "hug" para a Bluegift e para o Peter.

 
Às 03 dezembro, 2007 17:51 , Blogger Peter disse...

"blondewithaphd" e "miss vader"

Mais duas leitoras. Nada mau.

A propósito, o livro de que falei aí atrás chama-se: "O mundo sem nós" ("The World Without Us") de Alan Weisman, 2007, publicado por ESTRELA POLAR, 1ª ed Outubro 2007.

"Se a humanidade desaparecesse, o que restaria? Um estudo inspirador e visionário sobre a forma como temos vindo a desestabilizar o planeta e de como a Terra respiraria de alívio com a nossa partida." (Time Magazine)

 
Às 05 dezembro, 2007 18:48 , Blogger António disse...

Uma alternativa é a transferência dos terrenos (ou de parte deles) para plataformas artificiais que permitiriam a subsist~encia da espécie.
Claro que a plataforma portuguesa seria a primeira a avariar...ah ah ah

Abraço

 
Às 05 dezembro, 2007 18:49 , Blogger António disse...

Terrenos = terráqueos

 

Enviar um comentário

Subscrever Enviar comentários [Atom]

Hiperligações para esta mensagem:

Criar uma hiperligação

<< Página inicial