segunda-feira, janeiro 8

O PORTO : O MORRO E O RIO - 2º EPISÓDIO: O LARGO DO COLÉGIO ( I )


O Largo do Colégio, austero, solitário, com a nobreza fidalga tão arredia dos dias de hoje, é um dos tais lugares a que ninguém fica indiferente. Felizes as cidades que ainda conservam espaços como este, sem o insulto do urbanismo moderno à sua volta.
Adivinha-se, lentamente, bocado a bocado, como se não quisesse ser descoberto, se o atingirmos pelos lados de Sant’Ana ou Pena Ventosa.
Abre-se, num momento só, como uma enorme fotografia de um livro até aí escondido, se tivermos vindo, com mais comodidade, pelo terreiro da Sé e o encontrarmos, surpreendentemente, do cimo das suas velhas escadas.

No seu lado poente, olhamos para o enorme buraco da escarpa, em declive acentuado até às traseiras das casas da Rua dos Mercadores. Não é por acaso que por aí corria a primeira muralha do burgo, a Cerca Velha, como que a impedir que todo este patamar se desmoronasse por ali abaixo.
E nessa altura eu disse:

« Aos poucos, vamos vendo o traçado da Cerca Velha. Passava por aqui. O burgo, nessa altura, acabava aqui. A Cerca tinha um perímetro reduzido de 750 metros e situava-se pela parte de fora da actual Rua D. Hugo. Chegavam-lhe quatro Portas. Já vimos onde era a de Sant’Ana. Mas vamos ver as outras…»



A Norte, desembocam a Rua de Sant’Ana, por onde viemos, e mais acima a Travessa de Pena Ventosa, que lhe é paralela.
No século XVIII houve, por aqui, uma incompreensível revolução toponímica: a Rua das Aldas passou a Sant’Ana; a de Pena Ventosa passou a Aldas; e a Pena Ventosa de hoje era a Viela dos Palhais.
Assim, quando se diz que a Rua de Sant’Ana é, possivelmente, a mais antiga da Cidade, estamos a falar da herdeira da Rua das Aldas. E sobre a origem possível da palavra Aldas …não vai ser agora que vou falar.

A Nascente, aquela escarpa, agora ascendente, na direcção do Terreiro da Sé, é um autêntico hino à majestade do granito.
Quando nestes tempos vemos utilizar a palavra Catedral, abusivamente, por tudo quanto é sítio, eu permito-me pensar que Catedral do Granito é a designação que melhor define este Largo do Colégio.


Falta falar do lado Sul, onde se ergue a fria e sempre distante Igreja de S. Lourenço, perfeitamente enquadrada no ambiente granítico à sua volta. Como se impusesse, ao visitante, as suas rigorosas condições de acesso. Ao Largo e a ela própria.

É assunto para o próximo episódio onde vamos lembrar como apareceu o Colégio, recordar Garrett e mostrar o Largo num período triste de alta degradação de toda a zona da Sé.

(continua)

Artigo da autoria de Fernando Novais Paiva, a partir de um DVD feito pelo mesmo.

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15 Comentários:

Às 08 janeiro, 2007 06:04 , Blogger Paula Raposo disse...

Para quem não é do Porto e conhece mal a cidade, como é o meu caso, estas histórias são maravilhosas de ler e dão-me uma outra perspectiva dos vários locais! Gosto muito. Beijos.

 
Às 08 janeiro, 2007 11:44 , Blogger MARTA disse...

Obrigada, Peter - locais que conheço, mas sobre os quais que é sempre bom ler, recordar e lá voltar.
Beijos e abraços
Marta

 
Às 08 janeiro, 2007 13:59 , Blogger augustoM disse...

Não vai ser no Porto mas em Odivelas, o nosso próximo jntar no dia 27 deste mês. As inscrições estão abertas lá no blog.
Um abraço. Augusto

 
Às 08 janeiro, 2007 15:11 , Blogger bluegift disse...

Belíssima reportagem, Peter. Um passeio que promete realizar-se com prazer.

 
Às 08 janeiro, 2007 21:55 , Blogger Peter disse...

"bluegift", penso que sim, que é uma belíssima reportagem. É pena o meu amigo de há longos anos não ter acedido a integrar a equipa do blog, disponibilizando contudo toda a sua colaboração, que é o que está a acontecer.

Desejo salientar o seguinte, para não se pensar que há aqui plágio, ou utilização abusiva de documentação ("copianço"):

1. As fotos são da autoria do FPaiva. Não as foi buscar ao Google.
2. O texto é também dele e baseia-se não só na sua cultura, como nos graus académicos que possui e, muito principalmente, no amor que nutre pela sua cidade. Não foi fazer c&p a qualquer enciclopédia, ou outro tipo de documentação.
3. A adaptação dos 2 DVDs a textos publicáveis em blog, tem sido trabalho de colaboração entre os dois.

Quem gosta, lê, comenta ou não comenta, ou simplesmente não lê.

O simples facto de visitarem o blog, já é para nós motivo de satisfação.

 
Às 09 janeiro, 2007 10:22 , Blogger Nilson Barcelli disse...

Excelente descrição de uma das zonas históricas mais importantes do Porto. Parabéns ao autor.
Reli há pouco tempo o Arco de Sant'Ana do Garret e dei-lhe uma importância completamente diferente da que lhe atribuí aquando da sua leitura obrigatória na escola. Vale a pena reler.
Um abraço.

PS: gostei de rever o Ermitage...

 
Às 10 janeiro, 2007 00:34 , Blogger Peter disse...

O número de visitantes que estamos a ter (139 hoje), parece indicar haver muitos portuenses interessados na série que temos vindo a publicar.
Tal facto leva-nos a não publicar novo artigo sobre outro assunto.

Agradecemos o interesse demonstrado.

 
Às 10 janeiro, 2007 02:21 , Blogger Heloisa B.P disse...

MILAGRE DA *BLUEZINHA*!!!!!!!!
MILAGRE!!!!!!
AGORA ACREDITO EM MILAGRES!!!!!!!!
*ISTO ESTA' LINDO* E AGORA NAO POSSO DIZER MAIS NADA!!!!!
BEIJINHOS ANA! PETER E COMPANHIA!!!!!
(AS COISAS QUE EU NAO SEI!!!!!_VALHA-ME DEUS QUE ASSIM VEJO O TAMANHO DESMEDIDO DA MINHA IGNORANCIA!!!)
PETER*, RECEBEU MINHA MENSAGEM VIA MULTIPLY????
.......................FIQUE BEM NESTE JA' DECIMO DEGRAU DA TAL *ESCADARIA*!!!!!
......................Quando regressar a BATH tentrei recuperar o PERDIDO* por *AQUI* E...POR ALI*!!!!!
*******************************SORRISO ENORMAO A SENHORA *DOS MILAGRES*_BLUEGIFT********!!!!!!!!!!
*************************RINDOOOOOOO!!!!!!!...............
Heloisa
**********

 
Às 10 janeiro, 2007 13:38 , Anonymous Anónimo disse...

venho acompanhando com prazer as tuas descrições das paisagens humanas que nos "levas" a visitar.

"frescos" literárias de excelente qualidade.

abraços

 
Às 13 janeiro, 2007 14:21 , Blogger António disse...

Olá, Peter!
Daqui constato a minha ignorância sobre a história da cidade que me viu nascer.
Não sabia rigorosamente nada disto!
Vamos ver o que se segue.
(e confirma-se que tenho de percorrer esses velhos meandros graníticos de olhos bem abertos e ouvidos bem lavados)

Abraço

 
Às 13 janeiro, 2007 16:30 , Blogger Peter disse...

António, obrigado pela visita. Penso que não ficarás desiludido e que será para ti motivo de orgulho e satisfação conheceres melhor a história da cidade que te viu nascer.

Abraço e bom fds.

P.S.-Continua com a publicação das tuas histórias, que muito aprecio, pois elas são o lado humano da cidade.

 
Às 14 janeiro, 2007 01:36 , Blogger Menina_marota disse...

Cheguei ao Porto vinda de uma cidade completamente diferente,
Confesso que estranhei. Vinha de locaias onde o sol abundava, onde os prédios eram claros e confesso, num dia chuvoso, em que percorri de automóvel a Cidade, tudo me pareceu negro.

Fiquei hospedada, nessa noite, próximo da Fonte da Moura, em casa de Amigos dos meus Pais e o dia seguinte amanheceu cheio de sol.

O pequeno almoço foi tomado num café na Foz do Douro, uma vez que iamos para Gaia, local onde seria a nossa primeira residência.

Adorei a paisagem que os meus olhos viram, num dia brilhante de sol.

Até hoje, consigo descobrir um encanto na cidade do Porto e, apesar de viver na margem sul do Rio, junto ao mar, não esqueçio o Porto e a sua beleza tão própria.

Desculpa Peter, afinal, só queria dizer que adorei o texto e as imagens, daquela que já é a minha Cidade!

Um abraço e parabéns ao autor do texto.

;)

 
Às 14 janeiro, 2007 02:13 , Blogger Peter disse...

MM, acabo de vir do teu blog, onde deixei um comentário.
Estive a almoçar na 3ªF com o FPaiva e penso podermos publicar o 3º artigo sobre este tema que nos encanta, a ele, como portuense e a mim pela qualidade.

Bom Domingo*

 
Às 20 janeiro, 2007 13:20 , Anonymous Anónimo disse...

"O morro e o rio" está cada vez mais interessante.
Continue Dr. Paiva, continue a contar coisas sobre o nosso Porto e feito com tanta mestria.
Obrigada

Cibernauta Dilma

 
Às 28 janeiro, 2007 23:48 , Anonymous Anónimo disse...

Fernando, tenho o privilegio de ter os seus videos sobre este tema.Ao relato falado junta-se a imagem.E neste exacto momento, ainda escuto a fabulosa "Cry me a river", pelo piano e voz de Diana Krall. Só pode estar cantando o Douro...
Eu não sou portuense, mas longo residente na sua cidade.À hospitalidade , retribuo com uma sincera devoção aos dragões, devoção que vc bem entende e compartilha.
Achei interessanta a sua ideia, gostei muito do resultado. Paralelamente aprecio a sua capacidade de realizar uma ideia, de a fazer com trabalho sério e proficionalismo.
Agora vejo que aavançou mais uma etape e divulga o seu trabalho, de amor ao Porto, aproveitando a enorme capacidade de difusão da Net, pelos blogs, que espero um dia sejam mais jornais que nos permitam, sem intermediários mais ou menos engajados, manifestar a nossa opinião e sentir.
Um dia, próximo, a sua divulgação atingirá numeros significativos, aí tornando possível um reavivar do velho caracter invicto da mui nobre cidade do Porto, a cidade com o mais forte caracter , num país de "vencidos da vida".
Abraço amigo,
jorge

 

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