quinta-feira, dezembro 28

O PORTO : O MORRO E O RIO - 1° EPISÓDIO (à margem de uma filmagem)

1º EPISÓDIO

Entrei na Rua de Sant’Ana, possivelmente a mais antiga da Cidade, como se entra num lugar de veneração. Para minha vergonha, era a primeira vez. Mas como tudo, na vida, tem um lado positivo, o ser agora a primeira vez trazia acumulada uma série de encantos que há décadas atrás me passariam ao lado.
Cheguei ali devagar, como se de peregrinação se tratasse. Entrara no Morro pela Calçada de Vandoma. Ouvi os sinos da Sé. E percorri toda a Rua D. Hugo, nobre e misteriosa como ele próprio terá sido. A meio, parei no início das Escadas das Verdades, antes chamadas das Mentiras, possivelmente a primeira ligação do Morro ao Rio.
Depois, deliciado, até comovido, senti o velho coração do Porto, onde tantas gerações conviveram, tão dificilmente – e tão perto – com o forte poder episcopal, dono e senhor da cidade até 1405: S. Sebastião, Pena Ventosa, Aldas, Bainharia, Mercadores.
Ruas estreitas, íngremes, severas, mas enfeitadas, porque de vésperas de S. João se tratava. Com música à mistura, saindo não sei por onde. Mais do que as percorrer, fiz parte delas.


No início da Rua de Sant’Ana falei pela primeira vez:

«O arco, o célebre arco que inspirou Almeida Garrett, situava-se aqui. Mas foi demolido em 1821, juntamente com a Porta de Sant’Ana, uma das 4 Portas da Cerca Velha. Neste nicho, ou oratório, venerou-se a imagem de Sant’Ana, hoje recolhida no Museu de Arte Sacra, uma das dependências do Convento dos Grilos.»
E segui pela Rua fora, com o cenário da fachada da Igreja de S. Lourenço a revelar-se lentamente, como se quisesse defender-se de olhares que não a merecessem.


E só no Largo do Colégio se mostrou, com toda a sua majestade.

E aqui voltei a falar:

«O Convento foi fundado em 1560 pelo Cardeal D. Henrique. Vendido em 1798 aos Agostinhos Descalços, designados por Grilos, por provirem do Convento do Grilo, em Lisboa. E é por Grilos que tudo ficou conhecido.
Três portas. Portal de colunas coríntias geminadas, a enquadrar o símbolo da Companhia de Jesus. Lá em cima, Brasão com as armas de Frei Luís Álvares de Távora, que contribuiu generosamente para a realização da obra – único brasão que escapou à destruição dos símbolos dos Távoras, ordenada pelo Marquês de Pombal que os mandou picar a todos. Deste, pelos vistos, esqueceu-se.»

Mas eu não me vou esquecer de continuar a contar esta peregrinação pelo Centro Histórico do Porto, desde que pressinta que não vou só. Com episódios curtos.
E, já que estou no Largo do Colégio, por aqui ficarei no próximo episódio, porque há muito para ser contado.

(continua)

Artigo da autoria de Fernando Novais Paiva



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7 Comentários:

Às 28 dezembro, 2006 11:04 , Blogger Paula Raposo disse...

Um prazer ler, acompanhado das fotografias, fico a conhecer o que desconhecia! Óptimo. Obrigada a ti, obrigada ao teu amigo.

 
Às 28 dezembro, 2006 12:18 , Blogger MARTA disse...

Olá, Peter - ler sobre o Porto, principalmente escrito com tanta devoção é sempre bom.
Conheço relativamente bem a zona - é um dos meus locais favoritos.
Obrigada pela partilha e aguardo o próximo artigo com todo o interesse.
Beijos e abraços
Marta

 
Às 28 dezembro, 2006 14:58 , Blogger António disse...

Olá, Peter!
Fico à espera da continuação.
De facto, não conheço bem muitas destas ruas, casas, igrejas e capelas que se situam nas escarpas que descem do topo da cidade até ao rio.
(mas conheço algumas, sobretudo as mais próximas da Sé)
Acho que, no final, terei de lá fazer uma peregrinação.

Um abraço

 
Às 28 dezembro, 2006 23:06 , Blogger António disse...

Obrigado pela visita!
Venho também desejar-te uma boa passagem de ano e que o próximo não seja pior do que este.
Já não seria mau, hein?

Um abraço

 
Às 29 dezembro, 2006 15:08 , Blogger Ana Luar disse...

É com o espelho mágico de
Mario Quintana k me despeço de ti este ano.

Se as coisas são inatingíveis... ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos se não fora
A mágica presença das estrelas!

Feliz ano 2007 Peter e k os ventos da esperança soprem em todos os corações.

 
Às 30 dezembro, 2006 10:51 , Anonymous Anónimo disse...

Peter, obrigada pela visita deste meu Porto... Os vestígios do Arco de Sant'Ana, a sua igreja...
S. Nicolau...
Bom Ano Novo!
Beijo

 
Às 30 dezembro, 2006 12:38 , Blogger Peter disse...

"papoila", segundo diz o meu amigo:

"A Igreja matriz de S. Nicolau, freguesia de S. Nicolau, é na Praça do Infante, por baixo da Bolsa"

Ele é que sabe, eu apenas trato da sua colocação no blog. Em meados de Janeiro, contamos colocar outro artigo.

BOM ANO DE 2007

e que me saia o EuroMilhões! :))

 

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