sexta-feira, janeiro 5

Nós não podemos dominar a móvel rede do sentido

Nós não podemos dominar a móvel rede do sentido
nem analisar o líquido tapete das analogias
Cada palavra é uma abertura para o insondável
antes de ser uma relação horizontal com as outras palavras

Se na trama contínua ela desenha a figura do possível
o seu surgir é uma torrente branca ilimitada
em que a vertigem do sentido é a pulsação do impossível
Por isso ela transcende o seu caminho plano
e irrompe como a negra e vermelha biologia de um ser que
é e não é o nada

É o inconcebível infinito o seu puro nada
que nas palavras ressoa com a incandescência do ser

(António Ramos Rosa, "as palavras")

5 Comentários:

Às 05 janeiro, 2007 08:59 , Blogger Ana Luar disse...

Comento com outro pekeno trecho do mesmo livro...

A palavra é o desejo do espaço e o espaço do desejo
para que tudo o que em nós é confuso e vago
se transforme em leve arquitectura
com janelas para o mar ou campos ondulados.

Beijo eterno Peter

 
Às 05 janeiro, 2007 09:07 , Blogger Paula Raposo disse...

Este comentário foi removido pelo autor.

 
Às 05 janeiro, 2007 10:43 , Blogger Peter disse...

Ana Luar e eu completo o poema:

"Mesmo quando a palavra é transparente e nua/
nunca elimina esse silêncio de montanha imersa/
e assim o que nunca foi dito ficará não dito/
tão inatingível como a monótona claridade do dia"

Publiquei esse poema do ARR porque os dois últimos versos se relacionam com o meu artigo anterior sobre Astronomia e Astrofísica, que é a minha área de leitura e de pesquisa favorita.

 
Às 05 janeiro, 2007 10:56 , Blogger Peter disse...

Paula Raposo, até uma dada fase da minha vida, praticamente nunca li poesia. Aprendi a ler sózinho, julgo que aos 4 anos, e foi um devorar de livros. Quando me tornei independente dos meus Pais, escolhia um autor e procurava ler o mais que podia sobre ele. Depois passava a outro e seguia.
Escrevi uns quantos artigos, que foram publicados em revistas da especialidade, nomeadamente na "História", que no seu início era uma óptima revista.

Poesia nunca tentei. Numa determinada altura ofereceram-me "A Nuvem sobre a Página", do António Ramos Rosa, Publicações Dom Quixote, 1978 e foi esse o meu primeiro livro de poemas e que me levou a manter sempre uma certa preferência por este autor.

 
Às 13 janeiro, 2007 10:33 , Blogger António disse...

Olá, Peter!
Logo virei ler e comentar o que está em atraso.

Abraço

 

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