quarta-feira, fevereiro 8

Não sei

Às vezes sinto-me constrangido sem saber o que fazer. Deparo com textos de uma tamanha beleza que me dá vontade de os transcrever, pois por mero acaso tive o privilégio de os ler e gostaria de os publicar, de os dar a conhecer a todos os que partilham este espaço comigo.

Interrogo-me se tenho o direito de dispor assim de algo que não é meu, que é do domínio publico, mas dos quais não irei tirar nenhum proveito, apenas o prazer de divulgar algo que me encantou e que, por circunstâncias diversas, mero acaso, acabará os seus dias na estante de uma qualquer livraria. O poder das editoras também "fazem", e de que maneira, os escritores.

Por vezes recebemos mails que nos enchem de alegria mas que também, pela sua estrema beleza, ultrapassam o mero âmbito pessoal. Vem a propósito um livro recentemente saído:

"D'este viver aqui neste papel descripto", cartas da guerra, de António Lobo Antunes, organizado em colaboração com a mulher, Joana Lobo Antunes.

Até que ponto algo de íntimo que existe entre duas pessoas, ultrapassa pela sua beleza o seu âmbito restrito, a comunhão de sentimentos, para ser dado a conhecer ao grande público, mesmo que previamente, como é natural, tal seja feito com o consentimento mútuo?

No que respeita, ao livro, não tenho a mínima dúvida que “ainda bem que o fizeram”, pois é algo de muito belo e António Lobo Antunes, só por circunstâncias, digamos “estranhas”, não recebeu ainda o Premio Nobel.

E quanto aos mails?

6 Comentários:

Às 08 fevereiro, 2006 11:51 , Blogger MARTA disse...

Peter, eu tenho um outro blog onde faço exactamente isso - partilho com outros poemas com os quais me identifico e escrevo o meu comentário. Se quiser lá ver, o endereço é www.escrevercomamor.blogspot.com.
Quanto aos mails, guarde-os para si! Desfrute-os!
Um abraço
Marta

 
Às 08 fevereiro, 2006 12:26 , Blogger lazuli disse...

entendo perfeitamente, Peter. Partilhar escritas do domínio público que nos "dizem" muito, é bom.
Quanto às escritas que não são do domínio público, já as tenho partilhado também e com consentimento do autor da mesma. Porque se me identifico com ele, se ele me transmite algo de bom e gratificante, apetece não o guardar só para mim e transmiti-lo também aos outros, para que usufruam do conhecimento que me é dado.
Com os devidos limites, como é óbvio.
Vivendo no fio da navalha dum mundo de medos, o "mundo cão" não pode tolher-nos os sentimentos, não deve.
Poder sentir, vibrar com os outros, com aqueles Lobos Antunes que andam por aí, é uma das nossas indeclináveis liberdades.
Transmitir aos outros o entusiasmo ou o interesse que é dado com um texto que me escrevam, com os limites próprios, é partilhar conhecimentos ou apenas o que me vai na alma.

Beijinhos* e um bom dia para ti

 
Às 08 fevereiro, 2006 13:16 , Anonymous AsasdoSentimento disse...

Por vezes dá vontade de transcrever as belas palavras que por aqui andam, e porque não publicar, por exemplo, num blog como este que é muito mais abrangente que os pessoais, identificando o autor porque não, penso que quem escreve bem merece o devido reconhecimento, e nada melhor que o conversas de xaxa 4, na minha opinião.

Um abraço

 
Às 08 fevereiro, 2006 15:25 , Blogger Manoel Carlos disse...

Penso que não há problema em transcrever, dando o devido crédito, pois é uma forma de divulgar; no caso de revelar intimidades, o consentimento prévio se faz necessário.
E o que é de domínio público, a denominação já diz tudo.

 
Às 08 fevereiro, 2006 18:31 , Blogger Betty Branco Martins disse...

Peter

Partilhar, dar a conhecer aos outros (algo de tão belo como é este livro) é uma forma de "despertar" o interesse pela leitura (neste caso). Eu penso que fazes muito bem, tu ou qualquer pessoa que o faça.

Se partilhamos por vezes coisas tão más, por nos incomodarem, sentimos a necessidade de expôr, porque chocam.

Porque não partilhar coisas belas?

Obrigada por teres o "dom" de partilhar - não o deixes de o fazer:)

Beijinhos

 
Às 09 fevereiro, 2006 14:47 , Blogger Isabella disse...

e porque não! Peter? nas palavras dos outros revemos tantas vezes as "nossas" deixo-te um excerto, assim, talvez extenso.. mas fala de quando nos sentimos sem palavras...
(...)
As palavras, que tantas vezes lia... umas suas, outras dos outros, outras ainda que não sendo suas se apropriava, revendo-se nelas. Por essas alturas, viajava nas palavras dos outros, no fascínio, no sentir, no amar, no sofrer... no seu modo de ver... e olhava de novo, uma, mais uma, e outra vez!
O encanto tomava conta de si, e as suas palavras assumiam esse namoro majestoso, envaideciam-se de sentires, de outras fisionomias, de vidas já vividas, ou apenas e só, imaginadas! E, viajava mais um pouco, tentando imaginar as pessoas por trás das palavras.... compunha-lhes os cabelos, coloria-lhes os olhos, vestia-as, despia-as, sonhava-as de si e para si, e subitamente, pareciam-lhe mesmo suas! E de facto, muitas já o eram, tornavam-se íntimas, queridas, desejadas, amigas, amadas... e, quando as palavras dos outros adivinhavam tristeza, sentia-se no dever e na vontade de os acarinhar ....
Hoje também ela precisava muito de carinho, olhou o seu papel vazio de palavras, e ficou mais triste!
“Hoje meu Querido Papel, meu Amado Lápis, não vou poder escrever, hoje estou sem palavras... vou assaltar os livros, todos os que houver, sejam meus ou dos outros, tudo o que vier... para voltar a vontade de escrever...” PaulaIsabel

 

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