quarta-feira, janeiro 13

Elefantes brancos

Depois de Aveiro, Leiria. As autoridades locais não aguentam a despesa de manter estádios construídos para o campeonato europeu de futebol de 2004. Estádios que estão quase sempre vazios, gerando pouquíssima receita. Há quem diga que a única solução será deitar abaixo os estádios.
No entanto, quando se decidiu construir dez estádios novos para o Euro 2004, os responsáveis só viam um futuro brilhante para tais investimentos. Entre esses responsáveis estava o actual primeiro ministro.

Entretanto, as chuvas que têm caído já quase encheram a barragem do Alqueva. Parece uma boa notícia. Mas logo surgiram pessoas e entidades a pôr em dúvida que a água armazenada na albufeira do Alqueva possa ser utilizada na agricultura alentejana em escala significativa.
O regadio é caro, muitos agricultores não estão preparados para usar a água e por aí fora.
O enorme investimento feito no Alqueva arrisca-se, assim, a servir para produzir electricidade, para alguns empreendimentos turísticos e pouco mais. Somos o país dos elefantes brancos, ou seja, do desperdício dos poucos recursos que temos.

(Francisco Sarsfi eld Cabral, in “Página 1” de 12/01/10)

7 Comentários:

Às 13 janeiro, 2010 10:40 , Blogger manuel gouveia disse...

Sonho com um país em que os profetas da desgraça morram à fome, em vez de engordarem!

Os agricultores espanhóis que se estão a fixar do lado de cá, vão aproveitar as potencialidades do Alqueva, tal como:

http://www.alqueva.eu/

 
Às 13 janeiro, 2010 11:05 , Blogger Peter disse...

Manuel Gouveia

Sou alentejano e tenho lá família. Sei que há bastantes estrangeiros que se fixaram cá, espanhóis explorando novos olivais e vinha, enquanto que os nossos conterrâneos viviam dos subsídios da UE, planta, arranca, compravam Mercedes e frequentavam as touradas em Espanha. Eu via-os lá.

Vi o site que me indica e só dá razão ao que FSC escreve:

- empreendimentos turísticos.

 
Às 13 janeiro, 2010 11:38 , Blogger Ferreira-Pinto disse...

O Alqueva só será um elefante branco por força do costumeiro laxismo luso, pois como dizes PETER, não faltam espanhóis a comprar terrenos para olival, por exemplo.
Assim como não faltam exemplos de estrangeiros radicados no Alentejo a apostarem em turismo rural ou no vinho.
Ou até alguns esparsos empreendedores lusos. Particulares e públicos. Neste particular, assinalo o Fluviário que é uma obra digna de ser vista e visitada.

 
Às 13 janeiro, 2010 16:46 , Blogger Peter disse...

Ferreira Pinto

Só uma ressalva: o "fluviário" é em Mora (Alto Alentejo), não tem nada a ver com o Alqueva.

 
Às 13 janeiro, 2010 23:14 , Blogger Nilson Barcelli disse...

Enquanto os portugueses acham que a água de rega do Alqueva é cara, os espanhóis vão comprando terrenos e investindo.
Qualquer dia começam a comprar os estádios...
Caro amigo, um abraço.

 
Às 13 janeiro, 2010 23:57 , Blogger Peter disse...

Nilson

Foste o primeiro a falar dos estádios. Lembro-me que na altura todos queriam um lá na terra...

 
Às 18 janeiro, 2010 11:08 , Blogger Ferreira-Pinto disse...

Meu caro PETER desculparás, mas também não disse que o Fluviário tinha qualquer coisa a ver directamente com o Alqueva; só o chamei à colação porquanto dificilmente seria imaginável que em Mora se lançassem as pedras dum empreendimento assim.
Serve isto para dizer que o Alqueva será sempre aquilo que dele quisermos fazer. Ao caso, se servir para dinamizar turismo (sem campos de golfe anexos), se servir para assegurar abastecimento de água às populações, se servir para produzir electricidade ... não me parece que já fosse coisa pouca. Mas isto sou eu que, conforme é sabido, não sou nada sapiente e apenas dado à má-língua!

 

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