quinta-feira, dezembro 3

Inventar a roda


O diagnóstico está feito, embora novas falhas da justiça portuguesa continuem a surgir. A justiça não funciona em Portugal. Não é só o arrastar dos processos. Nem a clara diferença, na prática da
justiça, entre quem tem poder e os outros. Nem, ainda, a violação sistemática do segredo de justiça. São também as suspeitas de politização do aparelho judiciário.
Sem um sistema de justiça eficaz e credível não há Estado digno desse nome, muito menos democracia. Também não há investimento empresarial. Mais grave, os direitos fundamentais de muita gente são ignorados.
Se tudo isto é sabido, porque não se mudam as coisas? O que é algo muito diferente de alterar leis ao sabor das circunstâncias.
Já se organizaram conferências e congressos sobre justiça, mas os
progressos são nulos. Afinal, em inúmeros países existem sistemas de justiças que funcionam. Não é preciso inventar a roda, já está inventada. Falta vontade política para mudar. E, tendo falhado as corporações da justiça, terão de ser os políticos eleitos pelos cidadãos a dar a volta a este cancro nacional.

(Francisco Sarsfield Cabral, Jornalista, in “Página 1” de 02/12/2009)

15 Comentários:

Às 03 dezembro, 2009 11:09 , Blogger Ferreira-Pinto disse...

Quando me apercebi que nos tribunais se passeavam vaidades e nas sentenças os cidadãos eram encarados como o senhor A e o senhor B, como se aprende em muitos manuais de Direito, comecei por suspeitar que tarde ou cedo o caldo ia entornar!
Se a isto juntarmos um oceano legislativo, custas judiciais brutais e muita litigância por dá cá aquela palha, temos um retrato tremido do que por lá se passa!

 
Às 03 dezembro, 2009 13:36 , Blogger Lylia disse...

Parece um novelo de lã que não tem como acabar, não encontramos a outra ponta...

foco apenas :"Se tudo isto é sabido, porque não se mudam as coisas?"

bjo, lúcia

 
Às 03 dezembro, 2009 13:53 , Blogger Peter disse...

Lylia

Porque, como se diz no texto:

«Falta vontade política para mudar»

 
Às 03 dezembro, 2009 14:01 , Blogger Lylia disse...

Falta a vontade a toda a gente, não são só os politicos.
isto é uma bola de neve que apanhou toda a gente e nós acodamo-nos; queixamo-nos muito é verdade, mas sentados no sofá.

 
Às 03 dezembro, 2009 14:01 , Blogger Lylia disse...

* acomodamo-nos

 
Às 03 dezembro, 2009 17:10 , Blogger Peter disse...

Lylia

O Ferreira Pinto, com conhecimento de causa, descreve-nos a Justiça que temos.

Repara na figura que ilustra o artigo: a estátua da Justiça quer endireitar-se e não pode, o tecto que se abate sobre ela não o permite.

 
Às 03 dezembro, 2009 22:20 , Blogger Meg disse...

Peter,

Eu sou uma cidadã comum e digo que a justiça funciona.
Não está preso o sucateiro, e se bem me lembro a sua secretária?
Está! Porquê? É corruptor.

Não estão os "senhores" corruptos cá fora, sejam lá eles quem forem?
Estão. Porquê?
Porque é assim que a justiça funciona!
Há corruptor sem haver corruptos?
Não.
Então?

E agora deixo-te o que acabei de ler num blog amigo...valha-nos algum humor!

se o dinheiro custa a ganhar, mais vale roba-lo


Um abraço

 
Às 04 dezembro, 2009 00:10 , Blogger Peter disse...

Meg

Vê o vídeo "Postal de Natal" que publicamos e depois diz-me se pensas o mesmo que eu penso.

É bom que o vejam antes de se lançarem na loucura das compras.

 
Às 04 dezembro, 2009 00:45 , Blogger Meg disse...

Peter,

Vi e acho que penso o mesmo que tu... mas de há muito.
Por natureza não sou consumista, e apesar sa minha actividade profissional, não consigo entender, de há muitos anos para cá, como funciona a cabeça das pessoas... que espécie de loucura as atacou.
Impressionou-me há dias ver um casal de pessoas muito simples que, apoiados em 2 quase miseros salários conseguiram um empréstimo de 100.00 euros para construir uma casa lá onde o diabo perdeu as botas. Hoje, a mulher desempregada, com dois filhos, não têm dinheiro para pagar a casa, não têm quem a compre, não podem sair de lá, pois não podem alugar uma casa noutro meio...
Ninguém avisou estas pessoas?
Qual é a responsabilidade dos bancos em (milhares) de situações como esta?
O mesmo se passa com os cartões de crédito... e como as pessoas gostam de abrir as carteiras e exibir dúzias de cartões!
E por que carga de água, eu que nunca fiz um crédito, não tenho contas chorudas, já estou a ser bombardeada com ofertas de crédito rápido e fácil?
Quantas pessoas, em desespero, não se deixam apanhar por estas verdadeiras teias?

Sabes que mais... estamos a viver um drama... e há ainda tanta gente indiferente!
Falam-me de grandes superfícies a abarrotar.

O VÍDEO, MEU CARO, É UMA VOZ NESTE DESERTO!

Um abraço

 
Às 04 dezembro, 2009 00:47 , Blogger Meg disse...

Corrijo

100 mil euros

 
Às 04 dezembro, 2009 09:11 , Blogger Vera Y. Silva disse...

A falta de vontade política é um eufemismo. Na verdade, não há mudanças porque algumas pessoas têm interesse em que na Justiça Portuguesa tudo permaneça na mesma: lento, nebuloso, ineficaz... injusto!

 
Às 04 dezembro, 2009 11:23 , Blogger vbm disse...

Vera Y.

«algumas pessoas
têm interesse

em que

na Justiça Portuguesa
tudo permaneça:

lento, nebuloso, ineficaz... injusto»
_______________________________

Vera,

Não são 'algumas' pessoas:
- metade do povoléu
tem conveniência nisso!

É lógico, perspícuo,
e não vale escondê-lo.

 
Às 04 dezembro, 2009 11:38 , Blogger vbm disse...

Meg,

Hoje, [ ] não têm dinheiro para pagar a casa, [ ] ...
Ninguém avisou estas pessoas?
Qual é a responsabilidade dos bancos em (milhares) de situações como esta?»
_________________________________

Meg,

Metade do povoléu tapa os ouvidos a quem sabe e lhes dá bons conselhos. A 'outra' metade é ingénua. Garanto-te que isto é rigorosamente assim: não ouvem!

Mas reconheço, neste caso da habitação uma desculpa, uma razão de ser: - No final da Monarquia qualquer viúva explorava famílias com rendas de aluguer de casas e quartos sem limite ou controle: a República decretou a lei das rendas, limitando-as a favor dos inquilinos; Salazar manteve a lei; o PS não a alterou na substância dos casos existentes;

hoje em dia, o povoléu de casa alugadas explora os senhorios e o edificado urbano está na decadência que se conhece; o restante, compra casa a crédito e tapa os ouvidos a quem o aconselha a não comprar.

 
Às 04 dezembro, 2009 11:58 , Blogger Peter disse...

Vera

Subscrevo na íntegra o comentário do Ferreira Pinto porque é um profissional e por isso, sabe bem do que fala.

Pelo seu currículo, concordo com o artigo do Sarsfield e foi isso que me levou a tomar a liberdade do transcrever:

«Sem um sistema de justiça eficaz e credível não há Estado digno desse nome, muito menos democracia. Também não há investimento emoresarial. Mais grave, os direitos fundamentais de muita gente são ignorados.»

 
Às 04 dezembro, 2009 13:39 , Blogger Peter disse...

Meg

Os responsáveis não são só os Bancos, são também esses "abutres" das instituições de Crédito, a que os aflitos são obrigados a recorrer em último recurso.

 

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