sexta-feira, dezembro 11

Bjorn Lomborg


Bjorn Lomborg é o mais mediático “céptico” das alterações climáticas. Sete anos depois da sua primeira passagem por Lisboa, a Renascença voltou a entrevistar o professor dinamarquês de estatística que contesta o discurso corrente sobre as alterações climáticas.
Mais suave, reconhece agora que existe aquecimento global com causa humana. Mas continua a criticar as respostas globais a um problema menos urgente que a fome ou a escassez de água. Lamenta não ter debatido o tema com Al Gore e defende um acordo em Copenhaga. Mas não o que estará a ser negociado.

Renascença (RR) - Se bem percebo, já não contesta a existência do aquecimento global. Agora a sua tese é que o caminho para o travar é errado.
Bjorn Lomborg (BL) - Tornou-se uma expressão mediática - e muito porque todos nos preocupamos com o aquecimento global – e é magnífico para os políticos dizerem:
“eu vou salvar o planeta e vou fazê-lo reduzindo emissões de carbono!”. Mas repare nas letras pequeninas no rodapé desta promessa: todos os políticos dizem “eu vou fazer isto quando sair do Governo”. Vão fazê-lo em 2020, quando já não forem políticos. Ou em 2050, quando já cá não estiverem.
RR- Mas não é positivo definir metas de longo de prazo?
BL - Não há nada de mal. Mas é errado ter metas fantasiosas. E elas são fantasias basicamente porque não vamos lá chegar.
RR - A União Europeia pensa que sim…
BL - A União Europeia envolveu-se de forma tão intensa nesta discussão que, provavelmente, suportará as suas promessas. Mais ou menos conseguiram-no para o Protocolo de Quioto. E penso que é razoável concluir que vamos gastar centenas de milhares de milhões de euros para chegar a essas metas. Portanto, nós quase vamos conseguir. Apesar de irmos fazer uma data de truques de contabilidade e uma série de coisas para tudo parecer bonito.
RR - Obama também tem uma lei climática no Senado...
BL - Mesmo que a aceitemos pelo seu valor facial e que toda a gente siga o exemplo da Lei Waxman-Markey (nome da lei aprovada na Câmara dos Representantes e em debate no Senado), os modelos de estimativas mostram que mesmo que o façamos – o que é fantasticamente improvável – incluindo os chineses e os indianos, o resultado líquido será uma redução de temperatura no final do século de… 0,22 graus centígrados. Estou, simplesmente, a questionar um calendário que custa uma enorme quantidade de dinheiro e que é incrivelmente improvável que aconteça. Mesmo que se concretize e que tudo se conjugue nesse sentido, ainda acabaríamos por fazer muitíssimo pouco pelo futuro, mesmo que em cem anos.
RR - Alguma vez discutiu as Alterações Climáticas com Al Gore?
BL - Al Gore não quer debater comigo.
RR - Porquê?
BL - Terá que lhe perguntar…
RR - E debateria com ele?
BL - Claro! Mas para ir ao ponto: ele ia ter uma entrevista com o maior jornal dinamarquês. Eles avisaram-no que eu ia estar presente. E a resposta foi “não, a entrevista está cancelada”. Eles disseram “tudo bem, então não vamos trazê-lo”. E do outro lado disseram “a entrevista continua cancelada porque vocês falaram com o Bjorn Lomborg”. Numa outra ocasião, fiz uma apresentação conjunta com Al Gore num seminário da BBC para 1500 funcionários. E o staff de AlGore deu uma ordem especifica para eu ficar fora da sala até ele sair.
RR - Acha que de Copenhaga pode sair um acordo?
BL - Nós precisamos, de facto, de um acordo internacional sobre aquecimento global. É um bem público e precisamos de um acordo público para lidar com ele. Mas espero que, se toda a gente previr que a estratégia corrente de prometer cortes que não conseguimos cumprir levará a um falhanço - se o percebermos a tempo - há a possibilidade de encontrarmos uma estratégia muito mais inteligente que passa por investir em Investigação e Desenvolvimento, em tecnologias energéticas verdes, para garantir que no futuro teremos tecnologias mais baratas.

(in “Página 1” de 10/12/2009)

1 Comentários:

Às 11 dezembro, 2009 11:40 , Blogger Ferreira-Pinto disse...

Lá está, afinal lá como é todos de acordo com a magnitude do problema mas em desacordo com o caminho a seguir. Enquanto assim andamos, vai-se apostando em panaceias que não passam de remendos!

 

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