sexta-feira, junho 5

Decida-se!

"Quinze meses depois da saída de Oliveira e Costa do BPN, seis meses depois da nacionalização, os contribuintes tardam em saber quanto lhes custará a decisão. Nem o Banco de Portugal nem o Governo parecem preocupados em prestar-nos contas nesta matéria.
Mais escandalosa ainda é ausência de esclarecimentos das autoridades no caso BPP. Muitos clientes aparentemente vítimas de uma gestão ruinosa, além de verem congeladas as respectivas contas há mais de três meses, viram prolongada esta medida de excepção por mais noventa dias, numa decisão tão arbitrária quanto injustificada pelo Banco de Portugal. Para alguns, a ausência de solução configura uma tragédia, mas nem isso parece impedir a sobranceria com que continuam a ser vistos pelas autoridades.
Sabe-se que, desde segunda-feira, repousam nas Finanças os Planos de Solução a adoptar nos dois casos, e que contam com o respectivo aval dos reguladores, mas, aparentemente, o Governo receou dá-los a conhecer antes das eleições.
O receio não augura nada de bom sobre a excelência das soluções propostas.
Talvez nunca se possa vir a saber se a decisão de nacionalização do BPN defendida por Vítor Constâncio junto do Governo foi ou não a melhor solução. Os efeitos de uma eventual falência sobre todo o sistema seriam provavelmente bem mais devastadores do que os 2,5 mil milhões já “enterrados” nesta solução.
Mas, precisamente porque já pagámos pela manutenção da “confiança” esse preço escandaloso,não convêm continuar a desbaratá-la. Pior do que uma má decisão só mesmo a indecisão."

(Graça Franco, “Página 1” de 03/06/2009)

9 Comentários:

Às 05 junho, 2009 11:53 , Blogger alf disse...

Creio que o receio de um efeito dominó da falência destes bancos sobre o sistema já passou. Na altura, isso poderia ter acontecido, mas agora cada vez menos.

Então, a solução lógica deverá acabar por ser tratar este bancos como se trata qq outra actividade privada. Pior: contrariamente ao que sucede com as indústrias, manter estes bancos não tem qq interesse para o país, não são minimamente geradores de riqueza.

Há uma cobertura legal para depósitos, onde o estado assume o papel de uma seguradora da actividade bancária; caberá pois ao estado pagar a garantia que estabeleceu àquilo que considerar que era abrangido por essa garantia. O resto, é uma questão social e como tal deve ser tratado. Há muitos outros dramas sociais neste país e bem mais graves e injustos. A generalidade das pessoas que puseram o seu dinheiro nesses bancos e não noutros sabiam muito bem ao que iam.

 
Às 05 junho, 2009 12:45 , Blogger Peter disse...

alf

Qd foi da construção do Alqueva, que agora não sei para o que serve,
pintaram na parede, em letras garrafais:

PORRA CONSTRUAM-ME!

É caso para dizer o mesmo:

DECIDAM!

Nos EUA, duma penada, resolveram o caso Bernard Madoff e estiveram-se nas tintas para o facto dele se ter divorciado e dos bens estarem em nome da ex-mulher.

No caso do BPN o então director está em prisão preventiva e há que aguardar o desenrolar do processo. Mas no caso do BPP, no que respeita aos grandes depositantes, milhão a menos, para eles, é igual ao litro.
E quanto aos que tinham lá uns milhares de euro, poupanças duma vida e que esperavam ali ganhar um pouquito mais?

Que se lixem, não é?

E quanto ao então director do BPP?

"Na maior", não é?

 
Às 05 junho, 2009 19:47 , Blogger Peter disse...

Estão em curso buscas na sede do
BPP, em Lisboa e, também, numa sociedade de advogados. As acções estão a ser conduzidas por magistrados do DIAP de Lisboa
e nelas participam também inspectores da PJ do combate á corrupção e elementos da administração fiscal.
No caso da sociedade de advogados,
não se sabe ainda sobre quem
recai efectivamente as buscas.

 
Às 05 junho, 2009 22:56 , Blogger alf disse...

Peter

Eu não estou a discordar do que disse, estou apenas a tentar pensar mais sobre o assunto.

Há, evidentemente, as responsabilidades dos accionistas e gestores - eles é que se comprometeram perante os clientes, os seus bens devem responder por isso, como aconteceu com o Madoff.
Agora, os meus bens é que não devem responder por isso.

Acresce que eu, ao longo destes anos, conheci pessoas que iam logo a correr às «d. brancas» antes que desse o estoiro, quem vier atrás que se lixe, que andavam gulosamente e orgulhosamente nos BPP e BPN, e que voltarão a fazer exactamente o mesmo se voltarem a ter outra oportunidade.

Agora arranjam uns casos de puxar as lágrimas para impressionar a opinião pública, que toma um ou outro caso pela generalidade, quando não é assim - a generalidade saberia muito bem onde estava metida. E já ganhou muito dinheiro com os esquemas.

Claro que somos muito mais sensíveis às pessoas que estão no nosso nível de riqueza. Os que têm mais, que se lixem, podem perder o que têm a mais, os que têm menos, já ganhamos insensibilidade aos problemas deles, onde andaríamos nós se nos pusessemos a imaginar a vida duma mãe com dois filhos, sozinha e com ordenado mínimo, como há por aí aos montes.

Note-se ainda o seguinte: os gestores destes bancos fizeram o quê? Investiram em actividades especulativas. Isso é crime? Usaram offshores. Isso é proibido? Eles podem não ter feito nada de ilegal. O estoiro aconteceu porque a economia estoirou, não por eles terem metido o dinheiro ao bolso.

Os clientes desses «bancos» foram vítimas do colapso económico, como o estão a ser as pessoas que perderam o emprego; com a diferença de que essas pessoas tiveram escolha, embora admita que algumas foram genuinamente vigarizadas.

Creio que o Governo deveria tomar uma primeira decisão em relação aos clientes baseada no pressuposto de que o que aconteceu não foi devido a actividades de burla mas um colapso económico, que afectou uma actividade especulativa que deveria ser condicionada mas não o foi e os clientes não têm culpa disso; entretanto, o assunto teria de ser investigado a fundo e as eventuais responsabilidades apuradas.

Misturar as duas coisas é que vai dar confusão. Parece-me.

Temos pois de conseguir enquadrar as coisas friamente, o que não é fácil, até porque nos falta sempre saber muita coisa.

Note que eu não tenho certezas nestas coisas, são meras opiniões de momento - escrevo com este ar de quem sabe do que fala porque é o meu estilo...

 
Às 05 junho, 2009 23:14 , Blogger Peter disse...

"Há, evidentemente, as responsabilidades dos accionistas e gestores - eles é que se comprometeram perante os clientes, os seus bens devem responder por isso, como aconteceu com o Madoff."

É isso que eu pretendo e esclareço que não sou parte interessada. Sou um cidadão eleitor, apenas isso.

"Agora, os meus bens é que não devem responder por isso."

Nem os teus, nem os meus.

(continua)

 
Às 05 junho, 2009 23:58 , Blogger Peter disse...

alf

Madoff=D.Branca.

O BPN é um caso de polícia, ao seu director foi-lhe aplicada a mais pesada das medidas de coacção: a prisão preventiva. Aguardemos, como estamos a aguardar o desenrolar do processo Casa Pia. Quanto é que este já te custou como cidadão contribuinte? Entretanto, os depositantes do BPN, não têm as suas contas congeladas.

O BPP, não é nem uma coisa nem outra. Lês todas cláusulas escritas naquela letra miudinha, que vem no verso dos contratos? Já foi legislado que tal não é permitido, mas Seguros e Bancos, ninguém cumpre e nada lhes acontece pelo não cumprimento.

Onde tens o teu dinheiro? Debaixo do colchão, no estrangeiro, em offshores? Ou és tão pobrezinho que não tens conta num banco? Porque se tens, farias o mesmo que eu faria, se soubéssemos que havia um banco que nos garantia o retorno total do dinheiro investido, após o final do prazo, pagando-nos um juro maior que o dos outros bancos? Não se trata de nenhum esquema em pirâmide. O Ministro das Finanças tem razão: é um caso cliente/banco. O Governo tem culpa porque, muito possivelmente o BdP não fiscalizou devidamente o BPP. Os accionistas dos Bancos não podem ter só lucros, têm que suportar as perdas e os responsáveis perante eles, são os directores porque por isso, para fazerem uma boa administração, é que são pagos “principescamente”.

 
Às 06 junho, 2009 02:50 , Anonymous Anónimo disse...

É a falência dos tecnocratas, às custas do povo, também é a falência do modelo.
Manoel Carlos

 
Às 06 junho, 2009 09:07 , Blogger Peter disse...

Manoel Carlos

Aquilo que diz é verdade, mas teremos que inventar um sistema novo, pois o modelo da "Monarquia" (os filhos sucedem aos pais...) Comunista da Coreia do Norte, por exemplo, não obrigado.

Amanhã vota-se para o Parlamento Europeu.

 
Às 06 junho, 2009 12:21 , Blogger Peter disse...

Já leram os jornais de hoje:

"A pedido do DIAP de Lisboa, foi ontem decretado o arresto de bens de ex-gestores do Banco Privado Português, ao mesmo tempo que foram efectuadas novas buscas, incluindo os advogados de João Rendeiro."

Não vale a pena perder mais tempo. Aguardemos...

 

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