domingo, maio 3



«Au début des années soixante, alors qu’il cherchait
à affiner les méthodes de prévisions, le météorologue
Edward Lorenz s’est aperçu qu’en modifiant
imperceptiblement une variable parmi
d’innombrables autres, le pronostic
changeait du tout au tout…

Il suffit d’une seule différence infime,
et apparemment négligeable, pour que le résultat
du système tout entier s’en trouve bouleversé.

Selon sa formule devenue célèbre, le battement
d’ailes d’un papillon en Chine peut déclencher
une tornade à l’autre bout de la planète.

Cette réaction en chaîne, aujourd’hui connu
sous le nom d’«effet papillon», montre à quel point
le comportement de systèmes complexes à variables
multiples est imprévisible

Non pas imprévisible pour nous, qui serions trop
ignorants ou obtus, mais imprévisibles de par leur
nature même…

Parce que notre monde est un système particulièrement
complexe, dont l’évolution reste impénétrable, les prédictions
ne seront jamais que des hypothèses plus au moins hasardeuses.


Si l’avenir est imprévisible, c’est qu’il est indéterminé.

À tout moment, le cours des événements peut bifurquer…»

Zygmunt Bauman, ’’Et si… l’avenir, c’était le présent ?’’
in philosophie-magazine, avril 2009

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8 Comentários:

Às 03 maio, 2009 10:24 , Blogger vbm disse...

E abaixo, a tradução:


No princípio dos anos sessenta, na altura em que procurava
afinar os métodos de previsão, o meteorologista Edward Lorenz
apercebeu-se que ao modificar imperceptivelmente uma variável
entre inúmeras outras, o prognóstico alterava-se totalmente…

Basta um só diferença ínfima, e aparentemente desprezável,
para que o resultado do sistema no seu todo se mostre subvertido.

Segundo a sua fórmula tornada célebre, o bater de asas
de uma borboleta na China pode desencadear um tornado
no outro lado do planeta.

Esta reacção em cadeia, hoje em dia conhecida
pelo nome de «efeito borboleta», mostra até que ponto
o comportamento de sistemas complexos de variáveis
múltiplas é imprevisível.

Não imprevisível para nós, que seríamos ignorantes demais,
mas imprevisíveis dada sua própria natureza…


Porque o nosso mundo é um sistema particularmente complexo,
cuja evolução se mantém impenetrável, as predições não serão
nunca senão hipóteses mais ou menos ao acaso.

Se o futuro é imprevisível, é porque ele é indeterminado.
A todo o momento, o curso dos acontecimentos pode bifurcar…

 
Às 03 maio, 2009 18:43 , Blogger Peter disse...

vbm

Num universo despovoado de formas geométricas perfeitas e onde proliferam superfícies irregulares difíceis de representar e de medir, a “geometria fractal” apresenta-se como um meio de tratar aqueles fenómenos, até agora considerados erráticos, imprevisíveis e aleatórios, numa palavra: “caóticos”.

 
Às 03 maio, 2009 21:43 , Blogger vbm disse...

Presumo que é pela re-iteração de uma sequência de procedimentos fixos, incindindo sobre algo dado, que se replicam as formas geométricas semelhantes entre si. Mas tal poder de descrição no espaço não é porventura aplicável ao devir dos acontecimentos, por muito que os historiadores se comprazam a retirar lições do passado.

 
Às 04 maio, 2009 10:19 , Blogger Peter disse...

vbm

Os Fenómenos Caóticos, bem como a Geometria Fractal, têm sido nos últimos anos, alvo das investigações de muitos cientistas em todo o mundo. As técnicas fractais em particular, mais do que um ramo da Matemática, têm-se revelado uma ferramenta extremamente útil a muitas Ciências, mesmo as Sociais, permitindo uma linguagem comum entre especialistas de diferentes áreas.
Num universo despovoado de formas geométricas perfeitas, onde proliferam superfícies irregulares, difíceis de representar e medir, a geometria fractal apresenta-se como um meio de tratar aqueles fenómenos até agora considerados erráticos, imprevisíveis e aleatórios, numa palavra, caóticos.
O atrito, a turbulência de uma massa de ar, ou o crescimento de uma população, são exemplos de sistemas dinâmicos não-lineares sobre os quais esta 'Ciência do Caos', através do uso de formas fractais, se debruça, encontrando-se indissociavelmente ligada aos computadores com a sua elevada velocidade de processamento e capacidades gráficas, a cuja inovação e beleza não podemos ficar indiferentes.
A aplicação prática dos fractais é cada vez maior, constituindo uma maneira nova de encarar a realidade e também uma ferramenta científica de enorme alcance que agora está a dar os seus primeiros passos.

 
Às 04 maio, 2009 12:31 , Blogger vbm disse...

Os fractais não prevêem o futuro;
descrevem o presente.

Toda a conjectura do devir
é uma hipótese explicativa,
ceteris paribus.

Os fractais sõ mais o caso
de um mutatis mutandis,
descritivo.

(Enfim é o que 'imagino' genericamente,
não estou dentro do assunto.)

 
Às 04 maio, 2009 12:51 , Blogger Peter disse...

vmb

Há um livro de Mandelbrot - "The Fractal Geometry of Nature", que eu não conheço.

“As dimensões fraccionárias tornaram-se uma forma de quantificar qualidades que, de outro modo, permaneceriam sem dimensão precisa: o grau de irregularidade ou tortuosidade de um objecto. Uma linha de costa sinuosa, por exemplo, impossibilita a sua medição em termos de comprimento, mas possui um grau determinado de irregularidade.”

”o grau de irregularidade permanece constante através de diferentes escalas”

 
Às 06 maio, 2009 01:45 , Blogger alf disse...

O livro do James Gleick, «CAOS», é excelente para fazer entender estas coisas e está excelentemente escrito e organizado. A sua leitura fascinou-me, se não conhecem, aconselho vivamente.

Agora, se é verdade que as coisas são imprevisiveis localmente, não é verdade que sejam imprevisiveis globalmente ou em termos médios; o bater de asas de uma borboleta pode ter uma consequência imprevisível qq num qq local do planeta, mas não tem nenhuma consequência imprevisivel a nível global ou médio. E isto é igualmente fascinante; a indeterminação local, profundo, total, insusceptível sequer de ser equacionada em termos estatísticos, está, no entanto, de mãos dadas com o determinismo global.

As propriedades deste Universo são bem mais misteriosas e subtis do que presumimos.

 
Às 06 maio, 2009 07:31 , Blogger vbm disse...

Ora aí está: micro-indeterminismo e macro-condicionamento. Parece ser essa a realidade física, quiçá também a da mecânica social.

Em termos intelectuais, esta dicotomia é sumamente interessante: não se restringe o pensamento de cada mente particular mas convem-se na congruência dos espíritos segundo a disciplina de leis gerais.

No fundo, os três reinos de Popper, repescados da antiguidade: o reino dos seres físicos; os das mentes particulares; o das ideias abstractas.

:))

- Já li o "Caos" de Gleick, da Gradiva há muitos anos, mas já não lembro nada...

 

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