quarta-feira, setembro 24

Bom dia!


Hoje ao dirigir-me ao Café para comer o rissol de camarão (dos melhores de Lisboa) e o café matinal, passei por um velhote que estava sentado num dos bancos do jardim que normalmente atravesso.
Devia ser pessoa de oitenta e muitos anos. Nitidamente alentejano, camisa negra às riscas e boné escuro, gozava a manhã soalheira deste ameno início de Outono.
Quando passei por ele, distraído como sempre, deu-me os bons dias:

- Bom dia.

Admirado, eu que nem sequer conheço os inquilinos do prédio onde moro, respondi à saudação, parei e fui sentar-me ao lado dele. Começámos a falar e esqueci o café.

Claro que era alentejano, viúvo, sem nenhum familiar na terra, viera para Lisboa viver com uma filha divorciada e sem filhos, que morava no bairro. Passava o dia e às vezes as noites ... sozinho, sem ter ninguém com quem falar. Por isso vinha sentar-se ali a ver pessoas e sempre na esperança que alguém parasse para trocar dois dedos de conversa. Sempre era melhor do que estar emparedado vivo num depósito de velhos, a que com eufemismo chamam "lar".

Tivemos sorte:
- ele porque encontrou um patrício com quem poderia falar do seu Alentejo, que nunca mais deverá ver;
- eu porque me senti humano e me libertei da massa anónima da grande cidade, que se atropela e se empurra sem a mínima consideração para com ninguém. O lisboeta tornou-se egoísta e indiferente, não quer chatices e está-se nas tintas para com os outros. O seu umbigo é o centro do mundo.

8 Comentários:

Às 24 setembro, 2008 08:27 , Blogger vbm disse...

Tocante instantâneo urbano.

A única vez que vi quebrarem-se
as barreiras sociais de convívio
na cidade, foi durante o PREC
em Lisboa; mas, todos estavam
fora de si, e às ocultas,
manipulavam-se
as massas populares.

Nada substitui o diálogo,
contacto directo
pessoa a pessoa.

 
Às 24 setembro, 2008 14:17 , Blogger Ferreira-Pinto disse...

Eis uma das coisas que adoro ... passar por um desconhecido e, em sinal de educação e respeito, saudar essa pessoa!

 
Às 24 setembro, 2008 16:01 , Blogger Ant disse...

E pronto. O concerto lá foi.
estarei de volta em breve.
Pelos blogues há umas coisas novas.
Abraço

 
Às 24 setembro, 2008 17:55 , Blogger Nilson Barcelli disse...

Instantes como o que contas são raríssimos numa cidade como Lisboa.
Porque, como dizes, o umbigo de cada um é cada vez mais o centro do mundo...
Abraço.

 
Às 24 setembro, 2008 21:16 , Blogger Tiago R Cardoso disse...

concordo, não é só em Lisboa, por todo lado o individualismo de uma sociedade que esmaga quem parar.

 
Às 24 setembro, 2008 23:14 , Blogger heretico disse...

abraços.

deixou de haver tempo para uma saudação amigável.

 
Às 25 setembro, 2008 15:20 , Anonymous Anónimo disse...

Comovente, Peter, comovente!
Se não fosses tu...
Mariasinha Beijocas

 
Às 25 setembro, 2008 18:25 , Blogger Peter disse...

Obrigado anónima Mariasinha ;)

 

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