quarta-feira, abril 23

Reflexões avulsas

Define-se o que é pel' o que há. Mas, como qualificar o que há?
O que há, existe, isso o diferencia do que não há. Contudo,
confrontar o que há com o que não existe
é uma desmesura infinita.

Para qualificar o que há, para distinguir entre si o que existe,
e assim pluralizar as manifestações de ser, nenhuma relação
se deve estabelecer com o que não há. O que existe só pode
relacionar-se com o que há, de que aliás depende
por composição.

Como discernir então diferenças no que existe? Arbitrando qualidades,
estados, eventos, cuja presença ou ausência imponha semelhanças/
/dissemelhanças entre as manifestações do que há.

Tal operação implica a co-possibilidade do observador com a coisa observada
o qual arbitra as diferenças que entender operar nas coisas que observa.

Especificando cada característica, o observador estabelece a dicotomia
do mundo pela presença ou ausência da qualidade que monitoriza.
Progredindo na análise, na bifurcação geométrica não/sim, 0/1,
de cada critério, modela a inteira descrição do mundo.

Mas explica-o? Não.

Tudo o que há não se explica pelo que não há e não pode explicar-se
pelo que há, por óbvia circularidade do explicado na coisa a explicar!


No Teeteto, Sócrates conta que, em sonho, lhe teriam revelado,
que «os elementos primeiros, dos quais somos compostos,
nós e todas as coisas, não teriam explicação;
cada um deles só poderia ser nomeado,
mas não seria possível dizer nada
sobre eles!

— lembra a física quântica mais os seis sabores dos quarks! :).


Na verdade, se fosse possível designar um elemento
e ele ter uma explicação própria,

então ele teria de ser nomeado
independentemente de tudo o mais!

Ora, tal é impossível.

{Pode algo independer de tudo!?
Só de um mundo 'fora do mundo',
o que requereria um 'terceiro mundo'
que integraria o mundo e a sua causa
independente, que, ipso facto
deixaria de o ser.} :)


Sendo assim, os compostos que derivam dos elementos primeiros,
inexplicáveis, só nomeáveis, como tal incognoscíveis, mas
denotáveis, observáveis (no mínimo, com a qualidade
de se distinguirem entre si
,

— como os sabores dos quarks :) —,
já são passíveis de explicação pois que

«o entrelaçamento dos nomes (dos elementos)
é justamente aquilo que a explicação é»
!


Assim a ciência,
que explica o que há
por aquilo que ignora!

:)

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3 Comentários:

Às 23 abril, 2008 12:31 , Blogger Peter disse...

Uma brilhante explicação filosófica. Os meus parabéns.

Mas, se não fosse a Ciência, não estariamos os dois aqui a correspondermo-nos, utilizando certas tecnologias para os quais ainda não foi encontrada explicação científica.

:)

 
Às 23 abril, 2008 13:01 , Blogger vbm disse...

:)) Claro! E embora se possa compactuar com o cepticismo mitigado, isso não esmorecerá nunca o esforço e a curiosidade da ciência em conhecer o cosmos por limitada que seja a inteligibilidade com que o tacteamos.

 
Às 23 abril, 2008 13:55 , Blogger Peter disse...

Sim Vasco, sobretudo porque estamos "esgravatando" apenas cerca de 10% dele, pois o restante é sobretudo "black force", que não se sabe o que é, apenas que actua sobre a força da gravidade e "black matter", para a qual, aliás, existem hipóteses que apenas a cobrem em parte.

Uma certeza:
- Trata-se de matéria não bariónica.

Que tenhas um bom fds prolongado.

 

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