sexta-feira, março 7

O não-professor do ano

Faço projectos, planos, planificações;
Sou membro de assembleias, conselhos, reuniões;
Escrevo actas, relatórios e relações;
Faço inventários, requerimentos e requisições;
Escrevo actas, faço contactos e comunicações;
Consulto ordens de serviço, circulares, normativos e legislações;
Preencho impressos, grelhas, fichas e observações;
Faço regimentos, regulamentos, projectos, planos, planificações;
Faço cópias de tudo, dossiers, arquivos e encadernações;
Participo em actividades, eventos, festividades e acções;
Faço balanços, balancetes e tiro conclusões;
Apresento, relato, critico e envolvo-me em auto-avaliações;
Defino estratégias, critérios, objectivos e consecuções;
Leio, corrijo, aprovo, releio múltiplas redacções;
Informo-me, investigo, estudo, frequento formações;
Redijo ordens, participações e autorizações;
Lavro actas, escrevo, participo em reuniões;
E mais actas, planos, projectos e avaliações;
E reuniões e reuniões e mais reuniões!...
E depois ouço,
alunos, pais, coordenadores, directores, inspectores,
observadores, secretários de estado, a ministra
e, como se não bastasse,
outros professores e a ministra!...
Elaboro, verifico, analiso, avalio, aprovo;
Assino, rubrico, sumario, sintetizo, informo;
Averiguo, estudo, consulto, concluo,
Coisas curriculares, disciplinares, departamentais,
Educativas, pedagógicas, comportamentais,
De comunidade, de grupo, de turma, individuais,
Particulares, sigilosas, públicas, gerais,
Internas, externas, locais, nacionais,
Anuais, mensais, semanais, diárias e ainda querem mais?
- Que eu dê aulas!?...

(origem desconhecida – desenho do GOOGLE)

25 Comentários:

Às 07 março, 2008 10:40 , Blogger Ant disse...

Vi a entrevista da ministra, vi parte do debate (?) logo a seguir...
A ideia é o quê?
E os alunos?
Já tive bons professores, já tive péssimos professores... alguns até figuras públicas... Alguns, se fossem avaliados, e até sem grande rigor, eram despedidos, garanto...
Outros, trabalham que se fartam e têm os mesmo louvores que os idiotas...
Como ainda não vi a Lei não me vou adiantar. Mas vou ler, ai isso é que vou.

abraço

 
Às 07 março, 2008 10:59 , Blogger vbm disse...

eu gostei e aprovei os argumentos da ministra mª de lourdes rodrigues. tenho porém mais dúvidas do 1º ministro que inaugura computadores em aulas de alunos a fingir, contratados para aparecerem no boneco da televisão.

quanto ao fundo da questão, pessoalmente extinguiria o ministério da educação (aulas destas dá-las-ia aos pais que se vountariassem para as receber) e formaria um ministério da instrução.

 
Às 07 março, 2008 11:42 , Blogger Peter disse...

ANT

Dizes uma grande verdade:

"Outros, trabalham que se fartam e têm os mesmo louvores que os idiotas..."

Talvez tenha sido um dos que cumprem, que elaborou o texto que recebi. Ou talvez não...

Abraço

 
Às 07 março, 2008 11:56 , Blogger Peter disse...

"vbm"

Quanto aos computadores já sabia serem muito "fraquinhos" e com pouca fiabilidade.
Agora essa da "assistência paga" (existem Agências que vivem desse trabalho) não sabia.

Não há dúvida que se viveu um período em que os Lics que não arranjavam emprego iam para profs.
Esse período está ultrapassado.

O "fundo da questão" é complexo e diversificado, não podemos estar a generalizar. Mas, quanto a mim, que não ouvi a Ministra, nem conheço a Lei, há um ponto em que os profs têm razão:

- Não é a altura do ano escolar mais adequada para se pôr em prática este assunto complexo das avaliações e tal traduz-se necessariamente em prejuízo do aproveitamento escolar dos alunos.

Abraço

 
Às 07 março, 2008 12:44 , Blogger Olhos de mel disse...

É meu amigo lindo! Desconheço a realidade de seu país. Aqui os professores fazem que ensinam, porque o governo faz de contas que paga. Então se faz tanta coisa, por que não dar o lugar de professor pra quem quer e precisa?
Existem coisas que não dá pra entender...
Bom final de semana!
Beijos

 
Às 07 março, 2008 14:04 , Blogger bluegift disse...

Peter, o início do ano também não pois há que planear e arrancar com o projecto escolar; o final do ano também não pois é necessário dar um último empurrão aos alunos preparar exames avaliações finais, etc. Então é quando?
E não há Lics que vão para professores porque não se enquadram noutra realidade? Essa agora é que me espanta... cada vez há mais, meu caro Peter! E os verdadeiros professores que se aguentem, porque muitos ficam na cauda da lista.

Gostei da sugestão do Vasco: Ministério da Educação para os pais e da Instrução para os filhos! Apoiado Vasco!

 
Às 07 março, 2008 17:00 , Blogger Betty Branco Martins disse...

olá____________Peter



nunca será a altura certa_____________para fazer seja o que for!!!

_____não só na educação________é no geral!!!



(concordo plenamente____

Ministério da Educação para os pais e da Instrução para os filhos)_______









beiJO

 
Às 07 março, 2008 17:01 , Blogger Betty Branco Martins disse...

querida___________Bluegift



bom.fim.de.semana:))












beijO c/ carinhO

 
Às 07 março, 2008 18:27 , Blogger Peter disse...

"bluegift"

Esta altura é o período crucial para se conseguir o êxito escolar dos alunos, quanto a mim, não é o mais adequado. Quando? Não sei, pois não estou dentro dos actuais programas, mas os profs que se vão manifestar devem saber. Alguém os consultou? Também não sei. Possivelmente não.
Essa de:
"E não há Lics que vão para professores porque não se enquadram noutra realidade? Essa agora é que me espanta... cada vez há mais, meu caro Peter! E os verdadeiros professores que se aguentem, porque muitos ficam na cauda da lista."
Desculpa, mas julgo não ser assim: não só não há cada vez mais, como os verdadeiros profs não ficam na cauda da lista. O que acontece é que Lics há vários anos como profs não efectivos, são ultrapassados por Lics formados posteriormente, já com o Estágio Pedagógico incluido na respectiva licenciatura, o que não acontecia com os licenciados anteriormente.
A ideia do Vasco é interessante. Se fosse viável, esse Ministério da Educação até podia servir para formar bons cidadãos cônscios dos seus deveres cívicos, o que seria altamente benéfico para acabar com os "assassinos do volante".

 
Às 07 março, 2008 18:31 , Blogger Peter disse...

"olhos de mel"

Olá minha linda amiga brasileira!
As minhas desculpas pois não tenho visitado o seu blog, mas vou fazê-lo este fim de semana, pois já iniciei a visita aos "links".
Pelo que me têm dito, os profs brasileiros estão bem pior que os nossos.

 
Às 07 março, 2008 20:54 , Blogger SILÊNCIO CULPADO disse...

Este comentário foi removido pelo autor.

 
Às 07 março, 2008 20:56 , Blogger SILÊNCIO CULPADO disse...

Peter
Não estou ligada ao ensino e não sei pronunciar-me sobre esta matéria de forma consistente.
Maria de Lurdes Rodrigues era uma professora que todos queriam ter no ISCTE porque acompanhava os alunos, não faltava, não era distante.
Penso que há aproveitamentos políticos e um aproveitamento de certas situações para fazer barulho. Não digo que não possam ter razão em certos casos mas, por exemplo, o conteúdo deste post revela um autêntico exagero segundo o que me parece.
Um abraço

 
Às 07 março, 2008 21:40 , Blogger Peter disse...

"silêncio culpado"

Sabes que fui colega (do curso de História, que frequentámos na FLL) do Prof do ISCTE, António da Costa Pinto?
Éramos mesmo muito amigos e cúmplices (;)
Depois ele foi para Florença seguir o Doutoramento, juntamente com o actual Min da Defesa, que tb foi nosso colega.

Ainda mantemos contacto. Hei-de falar com ele sobre a Min Educação, como colega dela.

Tenho familiares no Ensino, que escuto e dou razão às suas queixas, como é óbvio.

 
Às 07 março, 2008 21:51 , Blogger Peter disse...

"Num debate televisivo recente, a ministra ripostou a uma interveniente que não interessavam as pessoas mas sim as políticas. E quando na defesa dessas políticas permitem que se crie o ambiente que hoje se vive, transformando as suas relações com a sociedade que governam num caso continuado de tribunal, só sobra uma solução: a saída dessa pessoa."

(Santana Castilho, Prof Ens Sup, "A revolta dos professores","Público", 05MAR08)

 
Às 08 março, 2008 01:51 , Blogger Vieira Calado disse...

Muito, mas muito bom!
Um abraço

 
Às 08 março, 2008 08:03 , Blogger bluegift disse...

Peter,
Desde pelo menos 1987 que os professores estão sempre contra a mudança. E têm em parte razão, hùa mudanças a mais! É preciso estabilizar mas cada vez que muda o governo há sempre reformas de fundo na Educação. Já cansa, é verdade. A única defesa dos professores contra este estado de coisas é reclamar, por isso não importa a medida a implementar é preciso é reclamar porque se está a mexer em direitos considerados como "adquiridos".
Há que séculos que a variante ensino foi introduzida nos curriculos universitários, porque razão ainda existem professores na lista que não estão professionalizados? Ora pensa lá um bocadinho.
Têm sido ditas coisas impressionantes sobre a MLR, que sempre conheci como alguém hiper dedicado ao ensino. Houve mesmo uma amiga minha, professora de carreira, doutorada por Leeds, imagina, que ao abordarmos o facto de ela ser ministra da educação me respondeu: "pois ela sempre trabalhou no ensino e com os professores, mas não é professora..."
Olha, nem lhe respondi... não vale a pena.

 
Às 08 março, 2008 08:04 , Blogger bluegift disse...

Olá Betty,
Um Grande Beijinho também para ti :)

 
Às 08 março, 2008 12:03 , Blogger Peter disse...

"bluegift"

Enviei mail

Bom fds

 
Às 08 março, 2008 15:01 , Blogger H. Sousa disse...

Eu sou suspeito! Li o poema, ele satiriza a situação de alguns colegas promovidos a titulares porque sempre fizeram tudo menos dar aulas. Talvez fossem desses lics que forma para o ensino porque não arranjaram emprego decente. Sim, isso de ser professor é uma solução menos indigna para os milhares de licenciados sem emprego. Sempre é melhor dar aulas do que trabalhar no supermercado, isso é verdade. Ao menos temos uma réstea de prestígio junto de alguns alunos quando damos aulas e gostamos de o fazer. Mas é claro que o lic. que vai dar aulas é um eterno frustrado e complexado e deixa-se cavalgar por todos os governos que prometem endireitar a Educação. Isso de educação devia ser, de facto, para os pais, os professores são agentes de ensino e deviam estar sob a tutela de um Ministério do Ensino. Mas são só palavras, isso é o menos.
Fala-se hoje de avaliação como se não existisse avaliação. Os «gestores» são os maiores inimigos de quem trabalha porque na sua ânsia de controlar estorvam os que trabalham porque têm uma missão definida e cumprem-na de acordo com as regras. Mas são confrontados com regras trapaceiras e lixam-se. Por exemplo, as da assiduidade. Têm o direito de dar X faltas por ano a descontar nas férias; depois legisla-se de forma a prejudicar quem fez uso de um direito. Os cargos são atribuídos a pessoas que não se importam ou preferem-nos a ter de dar aulas; o professor que sempre fugiu aos cargos orque prefere dar aulas é prejudicado por novas e doutas leis. A nota que o professor dá ao aluno, que até agora é dada numa base de justiça e sujeita a pedido de revisão pelos pais, passa a entrar na avaliação do professor que a dá. Etc., etc.. Sim, nós estamos fartos de tantas reformas que não chegam a consolidar prejudicando alunos e professores. A maioria de nós já nem lê as coisas, eu até desconheço o novo ECD...
Bem, para terminar, a forma como a M.ª de Lurdes Rodrigues atacou a os professores foi, no mínimo, indecente, até se refere a eles como professorzecos.
Ao nível do professorado havia injustiças a precisar de correcção mas nessas nem mexeram.
Abraços, Peter, bem sei que tens vozes de um lado e do outro da barricada.

 
Às 08 março, 2008 15:03 , Blogger H. Sousa disse...

Corrijo, logo no princípio, «lics que foram para o »

 
Às 08 março, 2008 22:34 , Blogger Meg disse...

Peter,

Ora cheguei no fim do debate, mas a net meteu férias esta tarde

Eu sinceramente, quando vejo o que se está a passar no Ensino, não consigo deixar de comparar com o meu tempo.
E como ´frequentei sempre o ensino particular, tenho receio de ser injusta com os profs de agora.
Mas quando olho para aquela mole de gente a manifestar-se, a maneira como falam, como gritam, sempre com o folclore dos "pic.nics" o ar festivo, desculpem-me, devo estar serôdia, mas não consigo levar "aquilo" a sério. Claro que deve estar tudo certo, eu é que não vejo o mínimo de compostura naqueles que não sei como se vão dar ao respeito perante os nossos netos´´

Um abraço

 
Às 09 março, 2008 00:51 , Blogger Peter disse...

"bluegift" - "h.sousa" - "meg"

Depois da manifestação, verdadeiramente impressionante na sua grandeza, depois de ter lido a resposta da "bluegift" ao meu e-mail, leio na "homepage" da VISÃO as declarações feitas em 06 Mar 2008, ( portanto, antes de... ) por Guilherme Valente, Editor da Gradiva e ex-membro do Conselho Nacional de Educação, as quais transcrevo e subscrevo:

“Continuo a pensar que o Primeiro-Ministro (foi o primeiro chefe de governo a identificar o flagelo (o “eduquês”, para dizer tanta coisa numa palavra) e decidiu enfrentá-lo. Anunciou medidas correctas e insiste nelas com a coragem e persistência indispensáveis num país que é, seguramente, o campeão do mundo da resistência à mudança. Mas a equipa ministerial que escolheu (como escolheu esta gente, aparentemente sem qualquer experiência ou preparação para gerir algo mais do que as suas próprias casas...) tem sistematicamente, pervertido, desvirtuado, sabotado ou deixado sabotar, adiado, estragado, complicado, concebido, apresentado e defendido desastrosamente a concretização das acertadas medidas anunciadas e, estou convencido, claramente desejadas pelo Engenheiro Sócrates. A ministra ou melhor o ministério (mas é ela a responsável...) tem conseguido o milagre de quase sempre transformar em disparate e em provocações as sua iniciativas. Tenho, sinceramente, muita pena que seja assim: pela escola, pelo país, pelo Primeiro-Ministro. Há Primeiro-Ministro, não há ministro, parece um destino fatídico...”

 
Às 09 março, 2008 15:51 , Blogger Peter disse...

Avaliação

"Não é possível apoiar a ministra por inteiro, nem criticá-la por atacado. O seu legado de medidas, ideias e objectivos tem de tudo, do muito bom (a consolidação do cargo de director de escola, os contratos de três anos a favor de um princípio de estabilidade dos professores), ao muito mau (o sistema de avaliação, o regime de faltas dos alunos).
(...)
O sistema de avaliação é a dissolução da autoridade e da hierarquia, assim como um obstáculo ao trabalho em equipa e ao diálogo entre profissionais. É um programa de desumanização da escola e da profissão docente. Este sistema burocrático é incapaz de avaliar a qualidade das pessoas e de perceber o que os professores realmente fazem.
(...)
Mais do que dos sindicatos ou dos professores, a ministra Maria de Lurdes Rodrigues é vítima da 5 de Outubro."

(António Barreto, sociólogo, artigo "Avaliação" in "Público" de 09MAR08)

 
Às 09 março, 2008 17:52 , Blogger Peter disse...

Afinal a manifestaçãozita de 100 mil profs que ocorreu ontem em Lisboa, foi de comunistas, ou de simpatizantes e filiados do PCP. Pelo menos é o que escrevem:

- Emídio Rangel, no "Correio da Manhã":
"Tenho vergonha destes pseudoprofessores que trabalham pouco, ensinam menos, não aceitam avaliações e transformaram-se em soldados do Partido Comunista."

- Fernando Madrinha, no "Expresso":
"As escolas são o mais firme reduto das esquerdas e o PCP ainda é o mais forte poder instalado."

 
Às 12 março, 2008 09:21 , Blogger Peter disse...

Sempre valeu a pena a manifestação dos professores. Vale sempre a pena lutarmos pelos nossos direitos e não esperar que outros o façam por nós.

FLEXIBILIZAÇÃO e BOM SENSO, era o que se pedia e foi o que se alcançou.

 

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