terça-feira, janeiro 15

Uma “não-escrita”

Isto é uma “não-escrita” porque não vou escrever sobre coisa nenhuma. Há tanto para escrever, mas eu não me consigo decidir. Tudo está condicionado, porque sim. Porque não é original, porque não, porque estão fartos de política, porque futebol nem pensar. Detestam, nem querem ouvir falar.

Vou falar do “porcão” na Via de Cintura Interna do Porto, à saída para a A3? Devia ter sido giro a apanha à mão, dos 200 porcos. Será que os apanharam todos?

Ou vou falar do nevão em Vila Real? Nem tem comparação. A neve é imaculadamente branca e pura. Os seus cristais são uma maravilha da Natureza. Não há dois iguais. Parece impossível, mas é mesmo assim. A Natureza é assim, não há dois seres iguais, rigorosamente iguais. Nem mesmo os gémeos verdadeiros o são. Sei isso de experiência vivida.

“quero-te e és o meu amor.
Será que sou o teu?”

Não sei quem escreveu isto? Eu não fui. Nunca iria expor os meus sentimentos na praça pública. Mas é bonito, nós gostamos que nos digam palavras bonitas e sobretudo sentidas.

Será que são sentidas?

Duvido, duvido sempre. O meu mal é esse: duvidar.


A foto? Acho que é um “boneco” giro. É Lisboa, praia da Torre, um sítio que por ali há e a que chamam “Feitoria”. Vocês não conhecem, ou talvez alguns conheçam. Hum … duvido.

A sonda “Stardust” regressou à Terra depois de percorrer milhões de quilómetros no Espaço. Trouxe uma colher de chá de poeira estrelar. Dizem que irá ocupar os cientistas no seu estudo durante largo tempo. Mas o que é que isso vos interessa?

E que permitirá conhecer as origens do nosso Universo. Tretas, já não vou nisso.

Mas se já não vou nisso, vou no quê?

Lá está ele com a mania que sabe do assunto e o que é que vos interessa a queda da sonda?

“Não imaginas como é importante saber, nunca mais tive esta sensação que tenho contigo, este desejo que arde e esta ternura toda e esta ansiedade que escondo ou tento esconder, muitas vezes até de ti procuro esconder em parte, talvez seja para não ser demasiado ansiosa, para tentar não ser.”

Outra vez. O texto com interferências. Devo ter colhido estas palavras de amor em algum comentário. Possivelmente é considerado plágio. Será que ainda vou ser processado?

Já vos disse que os comentários são a melhor coisa deste blog?

Pois é, afinal é para isso que escrevo, como agora estou a fazer, ou melhor, a tentar fazer:
- para obter “feed back”.

Este texto, foi publicado no blog em 15 JAN 06, portanto faz hoje 2 anos. Introduzi-lhe actualizações, mas como o texto é meu …
Dois anos se passaram. É muito tempo. Pode ser a “vida” dum blogue, mas também pode ser uma vida na vida duma pessoa.
A foto? Esta é actual (24 OUT 07) também é minha e não tem “copyrights”.

14 Comentários:

Às 15 janeiro, 2008 09:23 , Blogger bluegift disse...

Bem, pelo menos já me fizeste rir e sorrir, o que significa que o artigo já serviu para defender uma boa causa!

 
Às 15 janeiro, 2008 09:33 , Blogger Marta disse...

Define muito bem o estado de espírito quando se acorda com o pé esquerdo.
Também me fizeste rir e ficar bem disposta...
Beijos, abraços e xis
Marta

 
Às 15 janeiro, 2008 11:33 , Blogger quin[tarantino] disse...

Para quem dizia que o texto era sobre coisa nenhuma, acabou por ser sobre coisa alguma. Gostei.

 
Às 15 janeiro, 2008 11:33 , Blogger JOY disse...

Amigo Peter

Como dizia uma letra de uma música dos Rádio Macau :

Há dias assim
dias de alma vaga.

JOY

 
Às 15 janeiro, 2008 12:02 , Blogger Tiago R. Cardoso disse...

Escrever sobre nada e sobre tudo...

Gostei, sim senhor.

 
Às 15 janeiro, 2008 12:58 , Blogger Rui Caetano disse...

Escrever sobre nada é a tarefa mais difícil que podemos propor a nós mesmos.
Mas a força das palavras e os contornos da imaginação correm ao encontro de um sentido escrito neste não-escrever.

 
Às 15 janeiro, 2008 13:34 , Blogger augustoM disse...

Já vi que hoje estás muito desanimado, escrever ou não escrever não é a questão, mas o que escrever sobre a questão, se vale a pena escrever sobre a questão. Vale sempre a pena quando a pachorra não é pequena.
Im abraço. Augusto

 
Às 16 janeiro, 2008 11:33 , Blogger Paula Raposo disse...

Não me lembro de ter lido o artigo inicial. Mas gostei imenso de te ler agora. Acho que está excelente e que reflecte um pouco daquilo que conheço de ti. Duvidar...eu também. Concordo contigo. Beijinhos.

 
Às 16 janeiro, 2008 14:24 , Blogger Belzebu disse...

Nem sempre é possível controlar os dedos, nesta dança sobre o teclado. Dizias que irias escrever sobre coisa nenhuma e no entanto, escreveste sobre muita coisa. Foste saltando de tema em tema, sofreste interferências , escarrapachaste uma foto sem "copyrights" e concluímos todos, que o Peter de 2006 é o Peter de 2008. Fiel à sua capacidade de duvidar sempre, exigente na escolha das palavras e na composição, cativante nas divagações e muito coerente!

É por essas e por outras que por aqui ando, desde que comecei nesta coisa das bloguices!

Aquele abraço infernal!

 
Às 16 janeiro, 2008 17:39 , Blogger Meg disse...

Peter,

Quisera eu ter esse dom de nada dizer sobre coisa nenhuma!
...E no fim ter dito tanto!
E este teu texto veio a propósito, em dia em que, nem enganadas, as palavras de soltam.

Um abraço

 
Às 16 janeiro, 2008 22:39 , Blogger herético disse...

mesmo quando em escrita "ligeira" vais ao fundo das coisas. neste caso de todas as dúvidas...

... e da "urgência" em quebrar os muros da (in)comunicação.

abraços

 
Às 17 janeiro, 2008 11:36 , Blogger Manuel Rocha disse...

À Bluegift:

No seguimento da nossa troca de comentários sobre "problemas ambientais", deixei lá no meu canto uma arenga que talvez esclareça melhor o que eu pretendia dizer...:))

 
Às 18 janeiro, 2008 02:18 , Blogger Olhos de mel disse...

Oie Peter! Escreveu sobre nada? Quando for escrever sobre tudo, o que dirá? Ficou bem legal! Adorei!
Beijos

 
Às 20 janeiro, 2008 18:31 , Blogger António disse...

Eis como a exteriorização de dúvidas pode dar um bom e curioso texto.

Abraço

 

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