terça-feira, janeiro 22

Curiosidades dos anos 1600 a 1700

Quando se visita o Palácio de Versailles, em Paris, observa-se que o sumptuoso palácio não tem casas de banho.
Na Idade Média, não existiam dentífricos ou escovas de dentes, perfumes, desodorizantes, muito menos papel higiénico.
As excrescências humanas eram despejadas pelas janelas do palácio.

Em dia de festa, a cozinha do palácio conseguia preparar banquetes para 1.500 pessoas, sem a mínima higiene.
Vemos, nos filmes de hoje, as pessoas sendo abanadas.
A explicação não está no calor, mas no mau cheiro que exalavam por debaixo das saias (que propositadamente eram feitas para conter o odor das partes íntimas, já que não havia higiene).
Não havia o costume de se tomar banho devido ao frio e a quase inexistência de água canalizada.
O mau cheiro era dissipado pelo abanador. Só os nobres tinham empregados para os abanar, para dissipar o mau cheiro que o corpo e a boca exalavam, além de também espantar os insectos.

Quem já esteve em Versailles admirou muito os jardins enormes e belos que, na época, não eram só contemplados, mas "usados" como vaso sanitário, porque não existia WC, nos sumptuosos bailes promovidos pela monarquia.


Na Idade Média, a maioria dos casamentos ocorria no mês de Junho (para eles, o início do verão).
A razão é simples: o primeiro banho do ano era tomado em Maio; assim, em Junho, o cheiro das pessoas ainda era tolerável. Entretanto, como alguns odores já começavam a incomodar, as noivas carregavam ramos de flores, junto ao corpo, para disfarçar o mau cheiro.
Daí termos Maio como o "mês das noivas" e a origem do "ramo de noiva" explicada.

Os banhos eram tomados numa única banheira enorme, cheia de água quente.
O chefe da família tinha o privilégio do primeiro banho na água limpa. Depois, sem trocar a água, vinham os outros homens da casa, por ordem de idade, as mulheres, também por idade e, por fim, as crianças.
Os bebés eram os últimos a tomar banho. Quando chegava a vez deles, a água da banheira já estava tão suja que era possível "perder" um bebé lá dentro.
É por isso que existe a expressão em inglês " don't throw the baby out with the bath water ", ou seja, literalmente, "não despeje o bebé juntamente com a água do banho", que hoje usamos para os mais apressadinhos.

O telhado das casas não tinha forro e as vigas de madeira que os sustentavam era o melhor lugar para os animais - cães, gatos, ratos e besouros se aquecerem. Quando chovia, as goteiras forçavam os animais a saltarem para o chão.
Assim, a expressão "está a chover a potes " tem seu equivalente em inglês em "it's raining cats and dogs" (chovem gatos e cães).

Aqueles que tinham dinheiro possuíam pratos de estanho.
Certos tipos de alimento oxidavam o material, fazendo com que muita gente morresse envenenada (lembremo-nos de que os hábitos higiénicos da época eram péssimos).
Os tomates, sendo ácidos, foram considerados, durante muito tempo, venenosos.

Os copos de estanho eram usados para beber cerveja ou whisky.
Essa combinação, às vezes, deixava o indivíduo "no chão" (numa espécie de ‘narcolepsia’, induzida pela mistura da bebida alcoólica com óxido de estanho).
Alguém poderia pensar que ele estivesse morto e, assim, preparavam o enterro.
O corpo era, então, colocado sobre a mesa da cozinha por alguns dias e a família ficava em volta, em vigília, comendo, bebendo e esperando para ver se o morto acordava ou não.
Daí surgiu o velório, que é a vigília junto ao caixão.

Em Inglaterra, alguns anos após um cadáver ser enterrado, os caixões eram abertos, os ossos retirados e postos em ossários e o túmulo utilizado para outro cadáver.
Às vezes, ao abrirem os caixões, percebia-se que havia arranhões nas tampas, do lado de dentro, o que indicava que aquele morto, na verdade, tinha sido enterrado vivo.

Surgiu, assim, a ideia de, ao se fechar o caixão, amarrar uma tira no pulso do defunto, passá-la por um buraco feito no caixão e amarrá-la a um sino.
Após o enterro, alguém ficava de plantão ao lado do túmulo, durante uns dias. Se o indivíduo acordasse, o movimento de seu braço faria o sino tocar.
E ele seria "saved by the bell ", ou " salvo pelo sino", expressão usada até aos dias de hoje.

(Recebido por e-mail - foto GOOGLE)

16 Comentários:

Às 22 janeiro, 2008 13:50 , Blogger augustoM disse...

Em Paris as casa só têm casa de banho à relativamente pouco tempo, nos princípios do século XX a maior parte dos prédios só tinha uma casa de banho (retrete) para todos os inquilinos do prédio. O que as pessoas tinham era o "quarto de d’água", onde tomavam banho como podiam.
Peter o Henrique Sousa está doente e internado no hospital de Leiria. Parece que o pior já passou, mas tem de continuar internado por tempo indeterminado. Gostava de sugerir que as pessoas que o conhecem lhe ligassem para o telemóvel, 922037128, sempre ajuda a passar o tempo e ficar com a sensação de que não está esquecido. Podes ligar da parte da tarde das 16 às 20 horas.
Um abraço. Augusto

 
Às 22 janeiro, 2008 14:12 , Blogger quintarantino disse...

Algumas curiosidades já as conhecia, outras não. Como por exemplo o do "saved by the bell".
Peter, caríssimo amigo, mesmo assim Versailles é "magnífique"...

 
Às 22 janeiro, 2008 15:27 , Blogger bluegift disse...

Essa do "ramo de noiva" é que estraga a poesia toda...

Um boa parte dos velhos apartamentos de Bruxelas, os únicos que se aproveitam em termos de beleza, diga-se de passagem, só há muito pouco tempo começaram a ter uma casa de banho. Existe o hábito de construir um cubículo para a sanita à parte, não por uma questão prática, mas porque a seguir à guerra foi uma das únicas inovações neste domínio.
Ainda hoje, quando se aluga um apartamento com gastos incluídos, o proprietário fica todo chateado se o interessado vem do Sul porque, imagine-se, os tipos do Sul tomam duche todos os dias, o raio dos porcos!
Nós é que temos a fama, mas o proveito fica por estes lados...

 
Às 22 janeiro, 2008 18:48 , Blogger Peter disse...

Augusto

Na antiga URSS era assim nos prédios de apartamentos: casa de banho e WC ao fundo do corredor. Era preciso fazer fila e "proíbido" estar com diarreia.

P.S. - Acabei de falar com o henrique, que estava a ser medicado. Continuei a conversa com a Ashera que me disse que a situação era um pouco complicada, mas havia que ter esperanças.

 
Às 22 janeiro, 2008 18:55 , Blogger Peter disse...

quintarantino

É de uma beleza e grandiosidade que nos esmaga.
Impossível de apreciar numa simples visita. Por acaso, da 1ª vez que fui a Paris, de carro, fiquei num hotel em Versailles, o que deu para ver mais um pouquinho.
Felizmente que os jardins já estão "desminados". LOL

 
Às 22 janeiro, 2008 19:03 , Blogger Peter disse...

Blue

Os "queridos" belgas. É por esse desprezo com que nos julgam e tratam que eu, no outro dia me insurgi contra os ingleses.
Felizmente que este Verão não devem aparecer muitos lá pelo condominío pois os preços são demasiado altos para aquele tipo de turistas e o "boom" do aluguer clandestino oferece-lhes preços mais compatíveis com as suas bolsas.

Lá se vai toda a poesia sobre o ramo de flores de laranjeira das noivas ...

 
Às 22 janeiro, 2008 21:08 , Blogger Marta disse...

Interessante....
Gostei de ler - espero poder visitar Versailles um dia destes..Sem cheiros!!!!!!!!
Obrigada
Beijos e abraços
Marta

 
Às 22 janeiro, 2008 22:12 , Blogger herético disse...

a linguagem como "sedimentação" do tempo...

excelente. abraços

 
Às 22 janeiro, 2008 23:11 , Blogger Peter disse...

Marta

Na minha vida profissional tive a sorte de fazer um estágio de 3 semanas em Paris. Não fui a Versailles.
Fui lá com a minha mulher numa 2ª vez que voltei a Paris.

 
Às 22 janeiro, 2008 23:13 , Blogger Peter disse...

herético

Um bom artigo sobre o Poder Autártico, que sai um bocado ferido do filme "Call girl", que, aliás, tem outros motivos de interesse.

 
Às 23 janeiro, 2008 10:09 , Blogger Tiago R. Cardoso disse...

Palácio de Versailles, sim senhor, tenho de visitar, logo eu casado com uma francesa, ainda nem fui a França...

Gostei das curiosidades, bastante interessante...

 
Às 23 janeiro, 2008 13:54 , Blogger Ant disse...

bluegift: Pois é. Essa coisa de gastar água nos banhos. É por isso que este país não avança ;))
Que artigo interessante... saved by the bell heim?
Pode ser que um dia destes algum ministro se lembre de puxar a sineta e alguém a oiça...

 
Às 23 janeiro, 2008 14:00 , Blogger Peter disse...

Ant

E NINGUÉM A OIÇA!

 
Às 23 janeiro, 2008 14:13 , Blogger Peter disse...

Tiago

Para mim, Versailles não é primeira prioridade.
Se resolveres ir a Paris, manda vir através da FNAC um livre trânsito por 3 ou 5 dias, que te dá entrada em todos os museus e monumentos de Paris, com excepção da Torre Eiffel. Chegado lá, tu mesmo preenches os dias do início e do fim da validade. Depois é o "por aqui me sigo" enquanto as outras pessoas permanecem horas nas filas.

Abraço

 
Às 24 janeiro, 2008 17:00 , Blogger Meg disse...

Peter,
Cá estou "furando" uma pausa que espero breve.
Também recebi esse mail, vas a foto era diferente. Apesar de saber há muito porque é que a indústria dos perfumes começou em França, não fiquei indiferente a tantos pormenores... de tal forma que vão voltarei a ver Versailles com os mesmos olhos.
Realmente é de espantar, mas por outro lado Paria é Paris, assim como dizes, percorrida a pé ou de Metro, sem ser em grupo.
E chegaram as saudades...

Um abraço

 
Às 24 janeiro, 2008 23:13 , Blogger herético disse...

andas a ver filmes folclóricos, pá?
rsss

 

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