quarta-feira, dezembro 26

“The day after”

Passou mais um Natal e o ano está a terminar.
Mais um ano, menos um ano.

“Lembrar que estarei morto em breve é a ferramenta mais importante que já encontrei para me ajudar a tomar grandes decisões. Porque quase tudo - expectativas externas, orgulho, medo de passar vergonha ou falhar - caem diante da morte, deixando apenas o que é apenas importante (…) ninguém quer morrer. Até mesmo as pessoas que querem ir para o céu não querem morrer para chegar lá. Ainda assim, a morte é o destino que todos nós compartilhamos. Ninguém nunca conseguiu escapar. E assim é como deve ser, porque a morte é muito provavelmente a principal invenção da vida. É o agente de mudança da vida. Ela limpa o velho para abrir caminho para o novo. Neste momento, o novo é você. Mas algum dia, não muito distante, você gradualmente se tornará um velho e será varrido.” (*)

O Natal é, ou era a “festa da família”. É como tudo, é para alguns, para os que têm família, não para aqueles que, por motivos diversos, não a podem ter junta como desejariam. A saudade dos que já morreram, dos que se afastaram, dos que não puderam juntar-se, está sempre latente.
Por mais que queiramos esquecer, eles estão sempre presentes no nosso espírito, no espírito dos mais velhos.

Será a festa das crianças, que começam a contar os dias e depois as horas que faltam para a meia-noite do dia 24.
- “Pai, já podemos abrir as prendas?”
- “Não, só à meia noite.”
- “Quanto tempo falta?”
- “Come. Ainda faltam 3horas.”
- “Nunca mais chega!”

A D.Laura, que tem uma pequena loja de “pronto a vestir” aqui no bairro e que lá se vai aguentando (mal…) teve o seu Natal: partiram-lhe o vidro da montra pela 2ª vez e mesmo com grade roubaram o que puderam.
Os contentores estão a abarrotar de papeis e cartões das prendas que se espalham pela rua. É o consumismo desenfreado.

Sabe-me a boca a “papeis de música”.

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(*) A “bluegift” deu-me estes dois endereços:
http://www.youtube.com/watch?v=yplX3pYWlPo&feature=related (1ra parte)
http://www.youtube.com/watch?v=ksoo-G_YB2o&feature=related (2nda parte)
São 2 vídeos do You Tube com o discurso de Steve Jobs, o criador da Apple, para os formandos de Stanford.
O texto citado é da (2nda parte). Vale a pena ouvir os dois vídeos. São a história de um lutador que triunfou na vida, a partir do nada.

15 Comentários:

Às 26 dezembro, 2007 22:46 , Blogger Meg disse...

Peter, confesso que as tuas primeiras palavras um tanto tétricas, morte e mais morte, quando é suposto esta ser uma data em que se festeja a esperança.

Alguma melancolia, meu velho... as coisas já não são o que eram, mas sempre é melhor estar cá para ver.
E se fosse só o lixo e aquilo a que muitos (alguns) chamam a "pequena criminalidade".

Que tenhas tido um Bom Natal, pelo menos com crianças por perto!

Um abraço

 
Às 26 dezembro, 2007 22:49 , Blogger Meg disse...

corrijo...

"Confesso que achei as tuas primeiras palavras....."

 
Às 26 dezembro, 2007 23:17 , Blogger António disse...

Olá, Peter!
Um excelente texto com o Natal regado com vinagre.
Eu, polvilhei-o com estricnina.

Abraço

 
Às 27 dezembro, 2007 00:36 , Blogger quintarantino disse...

Em cada momento da vida, há que procurar extrair dela o melhor que lá estiver à espera de ser colhido. Conseguir isto e aprender a viver sem fazer daquilo que os outros possam pensar de nós é bem capaz de ser meio caminhado andado para que até o Natal ainda possa ser vivido daquela maneira especial... a outra parte do caminho, que envolve falta de civismo espelhada em lixo espalhado pela ruas e assaltos a quem pouco tem, só à força de cacete!

 
Às 27 dezembro, 2007 01:43 , Blogger Peter disse...

Meg

As primeiras palavras são de Steve Jobs, o criador da Apple, no seu discurso para os formandos da Universidade de Stanford (está legendado em português) e que a "bluegift" considerou e bem como "Uma lição de vida". Vale a pena lê-lo, nunca é tarde demais para arrepiarmos caminho.

Depois é o Natal dos adultos, que é o nosso, comparado com o das crianças, já contagiadas pelo "vírus" do consumismo, em que o que conta são as prendas e o Pai Natal já se transformou numa personagem secundária.

Finalmente é o regresso à realidade do quotidiano, que nos deixa esse sabor na boca.

 
Às 27 dezembro, 2007 01:51 , Blogger Peter disse...

António

É a realidade. Deixemos para as crianças a festa do Natal, a nós resta-nos a alegria dos vermos felizes com as prendas recebidas.

Não embarco no "Natal é quando o homem quiser" e noutras frases estafadas e emblemáticas duma "caridadezinha" passageira e de circunstância.

 
Às 27 dezembro, 2007 02:14 , Blogger Peter disse...

Quintarantino

Esse discurso de Steve Jobs vale a pena ser lido.

"O seu tempo é limitado, então não o gaste vivendo a vida de um outro alguém. Não fique preso pelos dogmas, que é viver com os resultados da vida de outras pessoas. Não deixe que o barulho da opinião dos outros cale a sua própria voz interior. E o mais importante: tenha coragem de seguir o seu próprio coração e a sua intuição. Eles de alguma maneira já sabem o que você realmente quer se tornar. Todo o resto é secundário."

"My way", como cantava o Frank Sinatra e que eu transformei em lema de vida.

Nestas reuniões tradicionais, nós (eu) sentimos mais a falta dos que já ali não estão, pelos diversos motivos a que já me referi.

Depois do "levantar da feira" fica-me sempre aquele sabor na boca: sabor a papeis de música.

 
Às 27 dezembro, 2007 10:15 , Blogger Ant disse...

Peter, o sabor a papéis de música é bem característico destes dias. de facto a malta abusa um pouco... nos doces, nos doces... :))...

O que é aborrecido é que esse sabor se instala na alma, não é?

Abraços

 
Às 27 dezembro, 2007 10:48 , Blogger Nilson Barcelli disse...

Na verdade, ninguém quer morrer.
Mesmo com a boca a saber a papéis de música, que é clássica nesta época...
Um óptimo 2008, abraço.

 
Às 27 dezembro, 2007 10:50 , Blogger Paula Raposo disse...

Fiquei perfeitamente colada a ouvir as palavras de Steve Jobs nos dois vídeos! E fiquei sem palavras...obrigada pela partilha. Desejo um bom ano à vossa equipa. Beijos.

 
Às 27 dezembro, 2007 12:24 , Blogger Peter disse...

Ant

Tens razão: o que é aborrecido é que esse sabor se instala na alma.

 
Às 27 dezembro, 2007 12:49 , Blogger Peter disse...

Nilson

Continuo a seguir a minha "Bíblia" recém-descoberta, nas palavras de Steve Jobs:

"Seu trabalho vai preencher uma parte grande da sua vida, e a única maneira de ficar realmente satisfeito é fazer o que você acredita ser um óptimo trabalho. E a única maneira de fazer um excelente trabalho é amar o que você faz. Se você ainda não encontrou o que é, continue procurando."

Um óptimo 2008!!!!!!!!

 
Às 27 dezembro, 2007 12:56 , Blogger Peter disse...

Paula

Em meu nome e no do resto da equipa, agradecemos e desejamos-te um bom 2008.
Ainda bem que gostaste de ouvir o Steve Jobs.
Tendo em vista o ano que se aproxima, deixo-te aqui mais umas palavras dele:
"Você tem que acreditar em alguma coisa - sua garra, destino, vida, karma ou o que quer que seja. Essa maneira de encarar a vida nunca me decepcionou e tem feito toda a diferença para mim."

 
Às 27 dezembro, 2007 13:09 , Blogger Paula Raposo disse...

Obrigada Peter!!

 
Às 27 dezembro, 2007 15:29 , Blogger bluegift disse...

Este discurso é memorável. Agradeço ao Obvious a sua divulgação. Abraço.

 

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