domingo, outubro 7

Existimos?

“Poucas pessoas pensantes não se terão perguntado em determinado momento das suas vidas se toda esta existência não poderia ser um mero fantasma, uma ilusão. Dada a natureza frágil e distorcida das nossas percepções, como nos poderemos convencer a nós próprios de que haja algo de sólido lá fora, um mundo, um universo, que actue como pano de fundo do nosso drama mental?
Quanto mais dissecamos este mundo, estes átomos, mais descobrimos que esta aparente solidez é uma quimera.
A mesa sobre a qual escrevo é um entrelaçado tremeluzente de núcleos atómicos através dos quais flui um rio de electrões, um vácuo permeado unicamente por campos de forças inimaginavelmente fortes. Os electrões e outras partículas atómicas, que se considera formarem a base de sustentação da nossa existência, acabam por ser meras aparições probabilísticas, capazes de estar em toda a parte e em parte alguma, atingindo uma identidade definida apenas quando nós, o observador, efectuamos uma medição."

( in Michael Rowan – Robinson,”Os nove números do Cosmos”)

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19 Comentários:

Às 07 outubro, 2007 10:43 , Blogger bluegift disse...

Coisa extraordinária é esta "realidade" da existência.
Voltando ao assunto da Constituição Europeia, em hora oportuna discutiremos melhor o tema; quero apenas referir que o mail que me enviaste é de tendência claramente extremista, de esquerda ou direita.
Todos os países contribuiram IGUALMENTE na elaboração do tratado e posteriores modificações. Existem formas claras e legais de bloquear medidas que prejudiquem um só dos países membros (a possibilidade de uma crise da "cadeira vazia" já existia e continuará possível), logo, considerando a realidade deplorável do país antes da adesão, só é possível concluir que o país ganha poder, e não que o perde.

 
Às 07 outubro, 2007 12:20 , Blogger Paula Raposo disse...

Pois...talvez sim. Talvez não. Beijos.

 
Às 07 outubro, 2007 13:34 , Blogger Papoila disse...

Querido Peter:
Essa pergunta persegue-me desde a infância... a realidadade é subjectiva... objectivamente quem sou eu? O que sou eu? Um complexo (?) conjunto de reacções químicas e electromagnéticas a que chamamos existência...
Beijos

 
Às 07 outubro, 2007 13:59 , Blogger Peter disse...

"papoila"

"Os electrões e outras partículas atómicas, que se considera formarem a base de sustentação da nossa existência, acabam por ser meras aparições probabilísticas, capazes de estar em toda a parte e em parte alguma, atingindo uma identidade definida apenas quando nós, o observador, efectuamos uma medição."

Portanto e como pensas e eu penso:
- a realidade é subjectiva, só se revela quando observada.

Mais:
- somos constituidos por vazio.

Esta afirmação é fácil de confirmar nas estrelas de neutrões:
- a matéria foi de tal modo comprimida que desapareceram os vazios entre os átomos e entre todas partículas constituintes dos mesmos. Deste modo, uma colher de café desta matéria pesaria milhares de toneladas ...

 
Às 07 outubro, 2007 14:10 , Blogger Peter disse...

"bluegift"

"Coisa extraordinária é esta "realidade" da existência."

Eu diria:

- "realidade/irrealidade" ...

Quanto à Constituição Europeia é assunto que merece ser discutido num artigo à parte, até porque interessa a todos nós.
Deixo-te um desafio:
- publica um pequeno resumo do pps.

"Brilhante"

Entre:
- o desemprego;
- a miséria;
- a inflção;
a prioridade da UE é "a luta contra a inflação" (artº 1-3-3)

Esta nossa tendência de confundir, ou pretender confundir, Governo com País ...

 
Às 07 outubro, 2007 14:12 , Blogger Peter disse...

Paula Raposo

Como vês nas respostas que dou à "bluegift" e à "papoila", estás dentro da razão.

 
Às 07 outubro, 2007 20:36 , Blogger bluegift disse...

O pps é falacioso em todos os slides, e muito provavelmente terá origem comunista. Tu sabes muito bem que eu estava a favor do "Não" durante as discussões sobre o referendo ao anterior tratado. Neste momento a situação mudou um pouco, não só porque várias modificações foram realizadas, nomeadamente no que diz respeito à lei Bolkenstein, mas porque a consciência em relação ao mercado também mudou. A nova Constituiçao é melhor que a nossa. Pelo menos, deverá ser respeitada, ao contrário de nossa que não passa de um arremedo de princípios que ninguém segue a não ser quando convém.
A tendência do mercado é terrível, sou a primeira a afirmá-lo, mas não penses que é fragilizando a UE que vamos conseguir fazer-lhe face. É uma tendência mundial, nós não passamos de um mosquito perdido no nariz da Europa (para não dizer outra coisa...). Se a Europa for forte nós conseguiremos fazer face ao esmagamento económico que nos espera. Mesmo que muitos estejam no desemprego. O inverso será mesmo a miséria, sobretudo para países com recursos tão limitados quanto os nossos.
O grande problema no nosso país é que continuamos a brincar com a economia e falta-nos investimento. Queremos omoletes quando nem ovos temos, e nem sequer aproveitamos as gemas que, praticamente, nos são oferecidas...
O povo tem mais poder na nova constituição, podes reunir 1 milhão de cidadãos e propor uma nova lei (direito de petição), coisa nunca vista em Portugal. O resto é da competência do governo e do parlamento nacional e quem os coloca lá é o povo. Por isso a decisão está no povo, quer queiramos quer não, e não na mão de gente que insiste em querer decidir em nome de um povo que nunca a elegeu.

 
Às 07 outubro, 2007 22:43 , Blogger Peter disse...

“bluegift”
Eu bem queria tratar deste assunto num espaço próprio. Assim lá se vai o “Existimos?”, mas reconheço que interessa mais a todos os portugueses serem esclarecidos sobre este assunto e já que o Governo não o faz …
É um facto que foi dito na TV que podíamos consultar o projecto, mas não só não indicaram o “site”, como não estou a ver alguém como eu a ler um documento de 852 páginas!

É óbvio que estou em desvantagem em relação a ti:
- estás lá e o assunto insere-se, ou pelo menos relaciona-se com o teu “métier”.

Mas vamos por partes.
Falando como um “curioso”, não me parece que os trabalhadores portugueses tenham ficado a ganhar com a “Lei Bolkeinstein, que estatui:
- o ordenado passa a ser determinado pelo país de origem do trabalhador e não pelo país onde trabalha.
Assim:
- um português que vá trabalhar em França, em vez de amealhar uns trocos, irá lá ganhar o ordenado português, mas pagará o supermercado francês, o passe social francês, a casa francesa, tudo como dantes, isto é, aos preços franceses.

(continua)

 
Às 07 outubro, 2007 22:48 , Blogger Peter disse...

A não ser que as várias modificações que foram realizadas, nomeadamente no que diz respeito à lei Bolkenstein e que eu desconheço, tenham suavizado o problema.

(continua)

 
Às 07 outubro, 2007 23:15 , Blogger Peter disse...

“bluegift”

Escreves:
“Se a Europa for forte nós conseguiremos fazer face ao esmagamento económico que nos espera. Mesmo que muitos estejam no desemprego. O inverso será mesmo a miséria, sobretudo para países com recursos tão limitados (como o nosso).”

É terrível, mas é um facto doloroso que teremos de aceitar.

Portanto, é o “vale tudo”, o que justifica o artº III – 131:

“Em caso de guerra, os Estados Membros preocupam-se em evitar que o mercado seja perturbado”

Matem-se uns aos outros, mas não dêem cabo dos nossos negócios …

Não sei se o pps é “falacioso”, como tu dizes, mas duas coisas eu sei (já não é mau …):
1º - Isto é uma discussão amigável, ou melhor, nem sequer é uma “discussão”. É uma “troca de pontos de vista” em que eu, pelo menos, sairei esclarecido, ou mais esclarecido.
2º - Não sou comunista e, como tal, não consigo identificar a origem do pps.

 
Às 08 outubro, 2007 00:05 , Blogger bluegift disse...

Peter, o ordenado sempre foi o do país de destino, o problema prendia-se sobretudo com a segurança social, que neste momento está salvaguardada.
Em caso de guerra, é o conselho de ministros dos 27 (e não 28) mais o conselhos de segurança e a NATO que vão tratar do assunto, cabendo aos estados membros manter a economia para o bem das populações. Há melhor alternativa?
Eu sei que não és comunista mas o problema é que os extremistas sabem muito bem manipular a informação em acordo com os seus objectivos. Olha só o efeito que na Bélgica o Vlaams Belang, de extrema direita, está a ter no perigo actual de desagregação da Bélgica. É preciso estar atento a manobras enganosas desta envergadura. O melhor é ouvir as opiniões dos dois lados e tentar "fazer a média".

 
Às 08 outubro, 2007 00:40 , Blogger Peter disse...

"o problema prendia-se sobretudo com a segurança social, que neste momento está salvaguardada."

Correcto.

"Em caso de guerra, é o conselho de ministros dos 27 (e não 28) mais o conselhos de segurança e a NATO que vão tratar do assunto, cabendo aos estados membros manter a economia para o bem das populações. Há melhor alternativa?"

Aqui é um bocado complicado ... se não há defesa autónoma e é a NATO a tratar do assunto, estamos dependentes dos EUA. Não será a raposa dentro do galinheiro?

Como eu escrevi:

"É uma “troca de pontos de vista” em que eu, pelo menos, sairei esclarecido, ou mais esclarecido."

O pps é "falacioso", é sim senhora e os Kamaradas a pretenderem "embarretar-nos" ?

 
Às 08 outubro, 2007 02:17 , Blogger Olhos de mel disse...

Peter, sempre em algum momento, estaremos nos fazendo essas perguntas.
Que sua semana seja feliz!
Beijos

 
Às 08 outubro, 2007 09:39 , Blogger bluegift disse...

Peter, nós não temos capacidade de resposta. Sem a colaboração da NATO e eventualmente da Rússia (que já não é comunista para grande desgosto de alguns)somos um alvo demasiado fácil. Até criação de melhor sistema que o da democracia ocidental é assim que teremos que viver. Uma das bestas (como diria o nosso vizinho Helder) principais a combater é o liberalismo selvagem, que na generalidade está a ser mais bem combatido pelos partidos católicos que pelos socialistas! E esta, hein?!
Há pano para mangas. Voltemos então à nossa calma habitual, por enquanto... ;-)

 
Às 08 outubro, 2007 14:11 , Blogger Peter disse...

"bluegift"

Assuntos a debater:

- combater o liberalismo selvagem, que na generalidade está a ser mais bem combatido pelos partidos católicos que pelos socialistas;

- a UE não pode estar dependente dos EUA (através da NATO). Se quer afirmar-se como uma grande potência, e os EUA não estão interessados nisso, a UE tem de criar os seus meios próprios.

Quanto ao primeiro ponto, cá não dou por isso ...

Quanto ao segundo ponto, julgo que a UE já o tentou fazer, mas teve, ou foi obrigada a desistir.

 
Às 08 outubro, 2007 22:46 , Blogger bluegift disse...

Vivemos alheados do mundo nesse canteiro à beira mar plantado, essa é que é ;-)

Actualmente, nem dás pelos católicos nem pelos liberais, uns perderam a identidade e os outros deram em palhaços de feira. Sobram os socialistas que se limitam a gerir o sistema de forma a não nos afundarmos ainda mais. Ideais para vos quero!?

 
Às 09 outubro, 2007 00:15 , Blogger Peter disse...

"bluegift"

Voltando ao livro do Michael Rowan-Robinson, o texto do FPessoa que publicaste vem mesmo a calhar. Nem de propósito...ou foi?

 
Às 10 outubro, 2007 09:51 , Blogger António disse...

Olá!
Não estou de acordo como autor do artigo!
Mas qu sei eu e que sabe ele?

Abraço

 
Às 10 outubro, 2007 14:55 , Blogger Peter disse...

António

Michael Rowan-Robinson é astrónomo e astrofísico, Chefe do Departamento de Astromomia e Astrofísica do Imperial College London.
Em 1981/2 foi professor de Astronomia no Gresham College.
Actualmente é o Presidente da Royal Astronomical Society.

O asteróide 4599, descoberto em 1985 por H. Debehogne foi rebaptizado de “Rowan” em sua honra, pelas contribuições dadas à Astronomia no campo dos infra-vermelhos.

Penso que deve saber um pouco mais do que tu sobre o assunto …

É fácil dizer:
- "não estou de acordo com o autor"
mas há que dizer as razões ...

 

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