segunda-feira, setembro 10

Convergência e Contingência


Releio Hubert Reeves introduzindo-lhe estes conceitos:

«Acicatados pelo aguilhão da sobrevivência, os seres vivos têm tendência para utilizar ao máximo os fenómenos naturais (“convergência”), mas ninguém pode descrever previamente as suas múltiplas modalidades (“contingência”).»

Por exemplo:
- O voo é uma vantagem adaptativa fundamental num mundo onde impera a competição, que apareceu isoladamente várias vezes ao longo da evolução e para o qual não se exige nenhuma predeterminação. Há muitas combinações moleculares e transformações fisiológicas susceptíveis de proporcionar o voo. Neste sentido, podemos falar duma “convergência”, que privilegiou o aparecimento do voo. Existem várias espécies animais com técnicas de voo muito diferentes: aves, morcegos, insectos, peixes voadores.
Não obstante a variedade das suas estruturas (“contingência”), têm todas uma característica comum: elevam-se nos ares.

«No nosso planeta, a vida estabeleceu-se por todo o lado. Os meios mais hostis são habitados por organismos munidos de sistemas de adaptação surpreendentes.»
São os organismos conhecidos por “extremófilos”.

Esta omnipresença da vida é uma consequência natural da competição e da pressão das exigências vitais. Quando todos os nichos ecológicos estão ocupados, inventam-se outros novos e os seres adaptam-se a condições cada vez mais hostis. A história das migrações humanas dá-nos disso inúmeros exemplos.

Se os peixes antepassados dos anfíbios tivessem sido dizimados, provavelmente outros organismos teriam tomado o seu lugar.
Não existe nenhuma “seta biológica sinaladora” que tenha como alvo o homem, nem a Terra foi criada expressamente para o receber.

Se, como diz Stephen Jay Gould, no seu livro: “Darwin et les grandes énigmes”:

«Devemos dar graças à pedra celeste que teve o bom gosto de acertar no nosso planeta!»

Ela permitiu que eu aparecesse aqui na Terra, faz hoje muitos e muitos anos …

7 Comentários:

Às 10 setembro, 2007 08:02 , Blogger Paula Raposo disse...

Gostei de ler especialmente hoje este texto. Desejo-te um dia bonito e tenho pena de não poder dar-te um grande beijo pessoalmente. Beijinhos.

 
Às 10 setembro, 2007 10:46 , Blogger Peter disse...

Obrigado, foste muito gentil. De facto a distância é grande, pois continuo cá por baixo.
Será um "beijo virtual".

Os anos já começam a pesar, mas enquanto for assim, não me posso queixar.

Uma boa semana para ti.

 
Às 10 setembro, 2007 19:27 , Blogger Olhos de mel disse...

Oie Peter! Com certeza sempre haveriam substitutos para quaisquer raças.
Bela leitura!
Que sua semana seja feliz!
Beijos

 
Às 10 setembro, 2007 23:44 , Blogger heloisa disse...

PARABENS MEU CARISSIMO AMIGO********!!!!!!!!!
CONSEGUI VIR AQUI******* TRAZER-LHE MEU AMIGO ABRACO E OS VOTOS DE VIDA LONGA E FELIZ!!!
Sua Amiga,

Heloisa B.P.
***************

 
Às 11 setembro, 2007 01:51 , Blogger Peter disse...

Obrigado Heloísa! Sei quanto lhe custa vir até aqui e por isso aprecio de um modo muito especial os seus parabéns.
Quem ler o texto poderá ficar desconfiado das 4 últimas linhas, mas se não souber que é uma alusão velada, não chega lá. LOL

 
Às 11 setembro, 2007 12:28 , Blogger António disse...

Embora com um dia de atraso, não posso deixar de registar aqui os meus votos de uma vida ainda muito mais longa e repleta de momentos de felicidade (já que felicidade a 100% não é coisa deste mundo).
O texto que usaste para fazer o anúncio é daqueles que dá muito para pensar, estudar, conversar e discutir.

Um abraço especial

 
Às 11 setembro, 2007 21:52 , Blogger Peter disse...

António

Obrigado pelos parabéns. De facto estou a atingir a idade de me retirar destas lides bloguistas.
Quanto à felicidade é um conceito que nada me diz. Vivo e sinto prazer nisso.

Sobre o texto escolhido, tens razão, mas para isso era preciso haver comentários geradores de debate.

Abraço amigo

 

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