quarta-feira, agosto 29

Nuvens


“Encantei-me com as nuvens, como se fossem calmas
locuções de um pensamento aberto. No vazio de tudo
eram frontes do universo deslumbrantes.
Em silêncio via-as deslizar num gozo obscuro
e luminoso, tão suave na visão que se dilata.

Que clamor, que clamores mas em silêncio
na brancura unânime! Um sopro do desejo
que repousa no seio do movimento, que modela
as formas amorosas, os cavalos, os barcos
com as cabeças e as proas na luz que é toda sonho.

Unificado olho as nuvens no seu suave dinamismo.
Sou mais que um corpo, sou um corpo que se eleva
ao espaço inteiro, à luz ilimitada.
No gozo de ver num sono transparente
navego em centro aberto, o olhar e o sonho.”

(António Ramos Rosa, “Volante Verde” – 1986 in Antologia Poética - Selecção de Ana Paula Coutinho Mendes)

«J’aime les nuages ... les nuages qui passent ... là-bas ... là-bas ... les merveilleux nuages ! »

(Charles Baudelaire, « Le spleen de Paris – petits poèmes en prose »)

(Foto Peter)

5 Comentários:

Às 29 agosto, 2007 12:43 , Blogger Paula Raposo disse...

Gostei de ler...

 
Às 29 agosto, 2007 17:46 , Blogger Olhos de mel disse...

Oie Peter! Que lindo poesia e musica. Casamento perfeito!
Tou voltando aos pouquinhos. Mas precisava vir ver os amigos que amo.
Fique com Deus! Beijos

 
Às 29 agosto, 2007 21:42 , Blogger Papoila disse...

Peter:
Lindíssimos os poemas! Regresseo de férias! Baudelaire... As nuvens! As nuvens!
Beijo

 
Às 29 agosto, 2007 22:33 , Blogger herético disse...

como o voo delicado das emoções. ganhando forma. "lá-bas"...

abraços

 
Às 30 agosto, 2007 23:34 , Blogger António disse...

Não convém esquecer que as núvens são água e a água é uma das bases da vida, portanto:
As núvens são uma das bases da vida.

Abraço

 

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