domingo, dezembro 10

Mais um passo na compreensão de um fenómeno poderoso

Com o auxílio do telescópio espacial Swift, uma equipa de cientistas observou duas dúzias de explosões de estrelas, designadas por “supernovas”, pouco depois de estas terem ocorrido.

O objectivo principal do telescópio espacial Swift é o estudo das “explosões de raios-gama” (ERG), as explosões mais energéticas de todo o Universo. A maioria das ERG não duram mais do que cerca de 10 segundos, o que torna essencial a rapidez de um instrumento para a detecção e estudo destes fenómenos. Existem vários tipos de “supernovas” que diferem na forma como são originadas e na radiação que emitem. Enquanto que na nossa galáxia uma “supernova” ocorre apenas uma ou duas vezes em cada século, no Universo próximo, este número aumenta para umas dúzias. Estas explosões ocorrem suficientemente perto para serem observadas e estudadas em detalhe utilizando telescópios terrestres e espaciais.

Nestes estudos destacaram-se duas “supernovas”: uma das explosões, designada por SN 2005ke é a primeira “supernova Tipo Ia” a ser detectada no comprimento de onda dos raios-X, e revelou ser muito mais brilhante nos ultravioleta do que se esperava.
As “supernovas Tipo Ia” são designadas por "velas padrão" e os astrónomos utilizam-nas para medir distâncias no Universo, devido ao facto de cada uma destas explosões possuir uma luminosidade conhecida.

Apresentamos um conjunto de 3 imagens (da esquerda para a direita: no óptico, no ultravioleta e nos raios-X) da SN 2005ke.




Existem duas teorias para a origem das “supernovas Tipo Ia”: a explosão de uma “anã branca” que orbita uma outra “anã branca”, ou a explosão de uma “anã branca” em órbita de uma estrela “gigante vermelha”. A “anã branca” é um objecto muito denso e pode "roubar" matéria à sua companheira. Devido à adição de matéria, a “anã branca” acaba por aumentar a sua massa que, ao atingir o nível crítico de 1,4 massas solares, acaba por explodir.

A equipa descobriu evidências directas, na luz ultravioleta e raios-X proveniente da SN 2005ke, de que a “anã branca” (agora desfeita) estava em órbita de uma “gigante vermelha”.

Uma outra “supernova” a destacar-se foi a SN 2006bp. Esta “supernova”, de Tipo II, é originada pelo colapso do núcleo de uma estrela de grande massa quando esta esgota o seu combustível. No caso desta “supernova”, a equipa foi capaz de observar a explosão em detalhe, menos de um dia após esta ter ocorrido, um recorde para qualquer telescópio espacial.
Para ver um conjunto de 3 imagens (da esquerda para a direita: no óptico, no ultravioleta e nos raios-X) da SN 2006bp.



Os raios-X fornecem informações directas acerca da composição química e da vizinhança da estrela que explodiu. Esta radiação é também um indicador da presença, na vizinhança da estrela, de gás muito quente aquecido pela explosão.

(ASTRONOVAS – OAL, adapt.)

9 Comentários:

Às 10 dezembro, 2006 10:34 , Blogger bluegift disse...

Excelentes imagens para um fenómeno espectacular. Bom resto de fim de semana !

 
Às 10 dezembro, 2006 11:37 , Blogger Peter disse...

"blue" o traço da "aurora boreal", representa o percurso de uma pessoa que atravessou a minha vida. Uma pessoa humilde, mas boa, prestável, sempre bem disposta, sempre pronta a aturar-me e que durante 48 anos trabalhou em casa dos meus pais.
Era a pessoa que sempre soube tudo da minha vida.
Tinha lá estado em casa dela na véspera da sua morte. Fazia a sua vida normal e queria que eu almoçasse lá, conforme tantas vezes acontecia.
Converssámos e rimos. Dissemos mal de uns e de outros.
Depois quiz por força acompanhar-me ao carro e ali estivemos mais meia hora a conversar e a rir.

No dia seguinte o filho telefonou-me a dizer que ela morrera.

Fiquei (estou) desfeito.

 
Às 10 dezembro, 2006 14:53 , Blogger António disse...

Peter!
Cada vez me apercebo melhor que és um amante e estudioso da astonomia.
Confesso que não é dos temas da minha preferência, mas pude apreciar o prazer com que falas das Supernovas.
Já que as novas vão faltando, que nos valham as supernovas...eh eh

Obrigado pelo teu comentário ao meu post do "Antoninho".

Um abraço

 
Às 10 dezembro, 2006 15:25 , Blogger H. Sousa disse...

Os meus sentimentos pela perda, amigo Peter.
Abraços

 
Às 10 dezembro, 2006 19:30 , Blogger Nilson Barcelli disse...

Já vi que és um entendido da astronomia.
Gostei de saber algumas coisas que não sabia...
Um abraço.

 
Às 10 dezembro, 2006 21:25 , Blogger Peter disse...

António, é a explosão das supernovas que espalha pelo cosmo os átomos que compõem o teu corpo.

 
Às 10 dezembro, 2006 21:28 , Blogger Peter disse...

Nilson não exageremos! Interesso-me pelo assunto.

 
Às 10 dezembro, 2006 21:30 , Blogger Peter disse...

Obrigado Henrique

 
Às 10 dezembro, 2006 22:38 , Blogger Papoila disse...

Peter a explosão das supernovas como fonte de vida de átomos que nos constituem.
Um abraço pela perda dessa tão querida,
Beijo

 

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