domingo, novembro 5

Respondendo ao Augusto do blog "klepsidra"

O meu amigo Augusto, fez-me sobre o artigo abaixo, o seguinte comentário, que na realidade é uma pergunta:

“Gostaria que respondesses à pergunta que faço no meu blog, relacionada ao teu comentário.”

Como a minha resposta é demasiado extensa para lhe responder num simples comentário e até por o assunto nada ter a ver com o que escrevi no artigo abaixo, o que me leva a pensar se valerá a pena continuar a escrever, aí está a minha resposta:

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O texto que escreveste foi este:

”Os microrganismos, como todos os elementos que compõe o Universo, tiveram de fazer parte da singularidade primeira, onde nada estava dividido. Com a Explosão Primordial, e o sequente processo de expansão, deu-se a dissociação do elemento primeiro, originando o aparecimento de todos os elementos conhecidos, inclusive os microrganismos, protagonizados por átomos, sementes da futura evolução.”

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A minha resposta é esta:

1.000 milhões de anos depois daquilo a que chamam, indevidamente, big bang, enquanto o universo prossegue o seu arrefecimento, as primeiras estrelas experimentam uma considerável subida de temperatura. Esse reaquecimento é provocado pela contracção da estrela, por acção do seu próprio peso. QUANDO A TEMPERATURA ATINGE CERCA DE 10 MILHÕES DE GRAUS (não sei como lá poderiam viver microorganismos) os protões combinam-se para formarem hélio.

As estrelas mais maciças brilham muito mais e, por isso, esgotam o seu hidrogénio em apenas alguns MILHÕES DE ANOS, o que as leva a retomarem a sua contracção e o aumento da temperatura até esta ultrapassar os 100 milhões de graus. Então, um conjunto de reacções nucleares vai permitir combinações inéditas: 3 átomos de hélio dão origem a 1 átomo de carbono, e 4 átomos de hélio a 1 de oxigénio. O encontro e fusão dos 3 átomos de hélio é um fenómeno muito raro e por isso todo este processo leva milhões de anos para o centro destas estrelas se povoar de núcleos de oxigénio e de carbono. Este, com a sua configuração atómica particular, presta-se à construção de longas cadeias moleculares que intervirão na aparição da vida. Por seu lado, o oxigénio entrará na composição da água, outra substância indispensável.

Muitos milhões de anos depois, o coração da estrela abate-se sobre si próprio aumentando mais a temperatura da estrela. Quando ultrapassa os 1.000 milhões de graus, geram-se núcleos de átomos mais pesados, os do ferro, do zinco, cobre, enfim... da centena de elementos atómicos que conhecemos na natureza. Estes núcleos entram então em contacto uns com os outros e ressaltam provocando ondas de choque e, por consequência, a explosão do astro. Como todos sabemos, é o que se chama uma "Super-nova". Os preciosos elementos que a estrela produziu ao longo da sua existência são espalhados pelo espaço em redor a velocidades de dezenas de milhar de quilómetros por segundo.

Somos verdadeiramente feitos de poeiras das estrelas.

13 Comentários:

Às 05 novembro, 2006 15:05 , Blogger Papoila disse...

Olá Peter:
Somos poeira cósmica... com centelha de vida... (mandei-te num mail um presente...)
Beijo

 
Às 05 novembro, 2006 21:45 , Blogger augustoM disse...

Olá Peter
Facilmente se depreende que a minha visita aos comentários do teu texto, não tinha como objectivo fazer um comentário, mas solicitar que viesses ao meu blog.
Usei este expediente porque como já tinhas comentado o meu texto, podias não voltar lá esta semana.
O motivo do meu pedido, prende-se com uma pergunta que te faço, não relacionada com o que eu escrevi, mas com o tu escreveste.
Não foste lá, ainda bem, ou não teríamos a oportunidade de ler mais um texto teu, com a qualidade que já nos habituaste.
Esclarecido o equívoco, não vejo motivo para nos privares da tua escrita, que uma vez mais digo, eu e muitos outros apreciamos.
Mas voltando ao assunto da minha pergunta, passo a transcrever o que está no meu blog.
«Não era minha intenção responder directamente aos comentários, como já tinha dito, preferia ir fazendo-o nas sucessivas publicações, contudo, uma afirmação tua, não transcrita de um texto que tenhas lido, gostaria de ver esclarecida.
Quanto ao “não mostres a ninguém…”, gostava que especificasses as reticências (…) para que possa perceber melhor o alcance da afirmação.»
Quanto ao post que me dedicaste, sinto-me muito lisonjeado, pois quando faço o mesmo é sempre em nome da admiração que sinto pela pessoa a quem o dedico, aliás o que acontece com todos os posts que tenho publicado sobre a Origem da vida, na tentativa de responder à tua pergunta.
Um abraço. Augusto

 
Às 05 novembro, 2006 22:14 , Blogger Peter disse...

"papoila", o pior é explicar a "centelha de vida".

Limito-me a falar da formação dos átomos que constituem o nosso corpo e tudo o que nos rodeia, a chamada "matéria bariónica" e que parece constituir apenas cerca de 10% do universo e de tudo o que o constitue: seres vivos, matéria inanimada, astros ...

Não recebi nem mail, nem presente e fui ver um filme que era um autêntico barrete.

Bj

 
Às 05 novembro, 2006 22:39 , Blogger Peter disse...

Augusto

Apenas posso permitir-me falar da formação dos átomos, nunca da “origem da vida” e muito menos do que se entende por esta.
Não tenho bases para sequer o tentar.

O que está em causa é o seguinte, incluído no meu comentário ao teu texto:

«Quanto ao que escreves e que eu transcrevo:

”Os microrganismos, como todos os elementos que compõem o Universo, tiveram de fazer parte da singularidade primeira, onde nada estava dividido. Com a Explosão Primordial, e o sequente processo de expansão, deu-se a dissociação do elemento primeiro, originando o aparecimento de todos os elementos conhecidos, inclusive os microrganismos, protagonizados por átomos, sementes da futura evolução.”

Desculpa, mas queres um conselho?

Não o mostres a ninguém …»

Mais concretamente, a última frase.
O porquê?
Por eu pensar, em face do que exaustivamente tenho escrito, que não está correcto.
Tu achas que está? Tudo bem, tu lá sabes.

Abraço

 
Às 06 novembro, 2006 02:14 , Blogger Betty Branco Martins disse...

Olá Peter

Eu gosto muito deste tema.

Acho que o fazes com gosto e saber:)e na verdade tenho aprendido bastante sobre os elementos que compõe o Universo.

Beijinhos
BoaSemana

 
Às 06 novembro, 2006 09:59 , Blogger Peter disse...

Betty

O "saber" é muitíssimo limitado. O "gosto", o saber os "porquês" é muito.
E como é muito, há cerca de 10 anos que leio dezenas de livros de cientistas consagrados: Hubert Reeves, Trinh Xuan Thuan, Stephen Hawking, James Gleick, Einstein, Fred Hoyle, Carl Sagan, Steven Weinberg, Brian Green, Richard Feynman, Carlos Fiolhais, João Magueijo, Ilya Prigogine, John Gribbin ...

Era preciso ser muito "burro", para não ter aprendido um pouquinho.

Beijinhos
Boa Semana

 
Às 06 novembro, 2006 16:00 , Blogger Ant disse...

Olá Peter. Tens andado ocupado e bem.
Deixa lá ver o que posso eu dizer...

Então a Fernanda saiu? Não deixou notícias?

É sempre um vazio estranho não é?

 
Às 06 novembro, 2006 21:57 , Blogger MARTA disse...

Interessante a ideia, Peter.
Nunca tinha pensado nisso!!
Entretanto, deixei um desafio no meu blog; gostava que participasses.
Please????
Beijos e abraços
Marta

 
Às 06 novembro, 2006 22:26 , Blogger Peter disse...

Pois é António. Esgotei-me.
A Fernanda fechou o blog e é pena, pois escrevia muito bem e fazia versos maravilhosos. Faz falta, pois era um blog que eu visitava com regularidade, sempre à procura de novos posts.
Preciso que me faças um selo para colocar nos comentários. Pode ser? Eu envio-te o boneco.

Escreve qd quiseres. Eu ando a ler um livro de div científica, preciso de tempo e o pessoal quer é amor e poesia e isso só tu lhes podes dar.

Abraço

 
Às 07 novembro, 2006 12:02 , Blogger Paula Raposo disse...

Não opino...mas que o sermos 'feitos de poeiras das estrelas' é poético, é. Beijinhos.

 
Às 07 novembro, 2006 18:24 , Blogger Peter disse...

"paula", somos feitos de átomos, assim como toda a matéria visível, que representa apenas 10% do universo.
O pequeno texto com que discordo, o que não implica que o Augusto concorde, são umas quantas linhas do longo texto que ele publicou.

Pronunciei-me sobre um assunto sobre o qual sempre me tenho interessado.

Não há que tomar partido.

 
Às 08 novembro, 2006 00:04 , Blogger Lumife disse...

Como nem sempre há possibilidades de visitar os amigos coloquei hoje um poema dedicado a todos os que considero como tal e a quem desejo tudo de bom.

Abraço

 
Às 08 novembro, 2006 00:55 , Blogger Peter disse...

"lumife", não consegui colocar o seguinte comentário no teu blog:

A música é belíssima. Amigos? Verdadeiros? São demasiado preciosos para se perderem.
Como tens uma tela do meu conterrâneo, Simão Dordio, nos teus comentários, vou incluir-te nos n/links.

Abraço

 

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