sábado, fevereiro 11

Teoria do CAOS


Segundo os meus (des)conhecimentos de matemática , a “Teoria do Caos” procura a “ordem na desordem e a desordem na ordem”. Ou mais simplesmente ainda, ou mais “humanamente", que: "a ordem que vemos inicia-se na desordem".

O Caos caracteriza-se pela imprevisibilidade. Dentro de um quadro determinista, é possível caracterizar o sistema através de variáveis matemáticas, mas não é possível prever o comportamento do sistema a (longo) prazo, devido à sua sensibilidade às condições iniciais de realização, porque não é possível precisá-las com exactidão. Toda essa errância comportamental é feita em torno de uma ordem isto é, de atractores estranhos, geometricamente fractais. (ver imagem) A ordem que julgamos presenciar no macrocosmos da nossa percepção é de facto desordem no microcosmos que o gera. Isto acontece porque desconhecemos todas as influências sobre um dado concreto e sobre a sua evolução no tempo, como escrevi atrás. A mínima influência no microcosmos interfere num sistema considerado estável no nosso macrocosmos.Mas uma pequena alteração provoca grandes mudanças, pequenas diferenças evoluem para grandes diferenças. Esta parte foi observada por Lorenz que as traduziu no conhecido “Efeito Borboleta” (o bater de asas de uma borboleta na China pode vir originar, a longo prazo, um furacão nas Caraíbas). Por outro lado, Mandelbrot vem demonstrar com os fractais que “a irregularidade é regular”. Se uma visão do Todo fosse possível, poderíamos interrogar-nos se o que chamamos Teoria do Caos não seria antes uma Teoria da Ordem? Se as irregularidades que de um modo ténue constatamos não serão regulares e determinadas? E se nessa abstracta visão do Todo, desde o ínfimo ao infinito, os acontecimentos não estarão determinados desde o primeiro instante?

Com as minhas naturais limitações, penso que não poderemos colocar o problema em termos de “ordem/desordem”.
Todo o ser vivo é um organismo multicelular complexo que, em termos da 2ª Lei da Termodinâmica, funciona como um sistema aberto, isto é, quando se respira expelimos ar. Este ar, fundamentalmente constituído por átomos de oxigénio (mas não só), dá possibilidade a que os mesmos se associem com átomos de outros elementos, levando ao aparecimento de outras “entidades”, portanto mais “desordem”.
Se o Universo for “fechado” a expansão»desordem»entropia pára, porque cessou a possibilidade de criação de matéria nova. Tudo passa a ser organizado e por isso “fechado”.

No que respeita ao “holismo” e ao “princípio antrópico”, aceites por muitos cientistas, há quem os aceite e quem não os aceite. Quanto a este último, talvez estejamos perante o aparecimento da “consciência” e da “inteligência”, que interpreta o próprio real a que pertence. Eu tenho dúvidas, e tantas mais quando tal entra já no campo da Filosofia, no qual sou um autêntico “zero à esquerda”.

Citando Hubert Reeves*:

“- Como foi possível a extrema (quase infinita ... ) precisão do valor das “constantes cosmológicas”?
- Será que nos elementos constituintes da “papa inicial” do Universo primevo, não existiriam já os elementos constituintes que levariam ao aparecimento da vida aqui, ou noutro lugar?”


(*) Cientista canadiano, doutorado em “astrofísica nuclear”, o seu livro “Patience dans l’Azur”, traduzido em muitas línguas e em Português com o título: “Um Pouco Mais de Azul”, esteve na origem do grande interesse actualmente existente, particularmente por parte de um público jovem, pelos temas científicos e a problemática da ciência.

(Na gravura: um “fractal", a Espiral de Mandelbrot)

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12 Comentários:

Às 11 fevereiro, 2006 20:39 , Blogger marakoka disse...

como sempre é com atenção que te leio
..mas não digas mais q ue sabes pouco, diz antes q queres sempre saber mais, tá bem....
pois todos sabemos que sabes, por exemplo mais que eu, sobre esses temas que adoras e que eu devoro lendo ...ainda por cima deste modo, com tudo explicadinho e bem digerido :)))
gosto. ponto final.
jocas maradas

 
Às 11 fevereiro, 2006 20:52 , Blogger Peter disse...

"marakoka", o teu comentário é encorajante e leva-me a continuar, nem que sejas a única a fazê-lo.

Procuro e esforço-me por ser claro, abolindo tudo o que me pareça demasiado tecnico, do mesmo modo que procuro compreender este Universo no qual me insiro.

Bom Domingo

 
Às 11 fevereiro, 2006 22:43 , Blogger lazuli disse...

ao ler-te, Peter, lembrei-me dum livro que tenho por aqui e fui procurar é o Caos de James Gleick, agora depois deste magnifico texto que se lê com muito prazer hei-de ler um pouco desse livro já com outros olhos..

"Humana era a música, natural era a estática.."

Beijos e uma boa noite**

 
Às 11 fevereiro, 2006 23:14 , Blogger Peter disse...

"lazuli":

"Físicos, biólogos, astrónomos, economistas, criaram e estão a desenvolver uma nova forma de compreender a complexidade crescente da natureza.
Esta nova ciência estabelece a existência de ordem e padrões onde antes só o casual, o errático e o imprevisível - numa palavra, o caótico - eram observáveis."

Reflexões num sábado perdido.

Beijos mil e um bom Domingo*

 
Às 11 fevereiro, 2006 23:24 , Blogger lazuli disse...

Peter um sabado perdido mas talvez um domingo reencontrado.
Lá diz o ditado que sempre há uma janela que se abre, mais ou menos isto...

mais beijinhos*

 
Às 12 fevereiro, 2006 02:43 , Blogger Betty Branco Martins disse...

Peter

Já quis comprar este livro mas está esgotado. Mas já tive o previlégio de o ler (emprestado)

Palavras de H. Reeves, do livro “UM POUCO MAIS DE AZUL”
A Evolução Cósmica

O notável
progresso da radioastronomia e da biologia molecular permite-nos
reconstruir as grandes fases da evolução química entre as estrelas e
nos planetas primitivos. E, finalmente, seguindo Darwin, veremos
levantar-se diante de nós a grande árvore dos seres vivos no nosso
planeta: a evolução biológica leva-nos das bactérias ao aparecimento
da inteligência humana.
A via da complexidade termina com o ser humano? Não temos nenhuma
razão para o afirmar. O coração do Mundo continua a bater no seu
ritmo. O "sentido" continua em marcha. Talvez já noutro planeta se
tenham processado novos avanços. Que maravilhas desconhecidas prepara
em nós a gestação cósmica? O Homem nasceu do primata; que nascerá do
homem? No final da leitura deste livro o leitor sentirá o nosso
parentesco profundo com tudo o que existe no Universo. Na mais pura
tradição hinduista, poderemos dizer que a natureza é, realmente, a
família do homem.
(H. Reeves)

Mais um post magnífico.Parabéns!

Beijinhos

Bom domingo

 
Às 12 fevereiro, 2006 09:59 , Blogger Peter disse...

"lazuli", os Domingos para mim são os dias mais aborrecidos da semana. Os portugueses "tesos" , nos quais me incluo, como é óbvio, vão para os Hipermercados (eu não vou), ou dão o seu passeio semanal de automóvel, com todos os perigos que condutores que só saiem uma vez/semana, acarretam para os outros.

Para mim é o dia de não fazer a barba e ficar por aqui a "pastar" ...

Beijinhos*

 
Às 12 fevereiro, 2006 10:14 , Blogger Peter disse...

Betty, foi precisamente esse livro que me iniciou no gosto por estes assuntos.
Gosto muito do Reeves e julgo ter todos os livros que ele publicou. Se ainda não o leste, lê "Aves, maravilhosas aves - os diálogos do céu e da vida", col "Ciência aberta", nº104, da Gradiva. É um livro maravilhoso.
Obrigado pelas referências que fazes ao meu post sobre o CAOS. É natural que tenha incorrecções, não sou "expert", mas procurei escrever um texto compreensível.

Bom Domingo*

 
Às 12 fevereiro, 2006 15:05 , Anonymous Maria Papoila disse...

O modo quase coloquial em que dissertas sobre estas teorias levam me a crer que sabes muito do assunto Peter. Artigo muito interessante e que a tua escrita quase torna fácil. Beijo

 
Às 12 fevereiro, 2006 17:30 , Anonymous zezinho disse...

Sem dúvida que consegues despertar o interesse nestas temáticas.

 
Às 12 fevereiro, 2006 17:42 , Blogger lazuli disse...

zezinho, é raro apanhar-te aqui.
E não ando sempre em frente do monitor.
Estou a caminho do teu texto...

 
Às 12 fevereiro, 2006 17:48 , Blogger Peter disse...

"zezinho". é como eu escrevia no outro dia à bluegift:
As pessoas passaram a interessar-se pelos vizinhos, inquilinos do mesmo predio (sistema solar). Qualquer dia ousam atravessar a rua (interessarem-se pela Via láctea).

 

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