segunda-feira, fevereiro 13

O profeta do terceiro milénio


Passa hoje o centenário do nascimento de Agostinho da Silva. Para o recordar, transcrevo um pequeno texto da sua última obra, publicada já depois da sua morte, ocorrida em 03 de Abril de1994:

" A Revolução de 25 de Abril e, sobretudo, a afirmação popular que se lhe segue no Primeiro de Maio é, embora já coartado por políticas importadas, contra a essência nacional, de povos tão diferentes de sua própria gente, o aviso de que um terceiro Portugal anseia pela vida e poderá ser a desabrochada flor do que nos outros dois esteve como raízes, caules e ramos no vegetativo aparelho das plantações da História, o paradisíaco fruto, um dia, de todo um indispensável pretérito; e a este fruto, embora prontos a assumir, aprovando-o ou reprovando-o - e por aí se definindo nossa individual personalidade -, tudo o que a vida traga, como comunhão marcante do perfeito entendimento entre todos os homens."

( "Textos Vários - Dispersos", Âncora Editora, OUT 2003, pp. 247/8)

9 Comentários:

Às 13 fevereiro, 2006 14:24 , Anonymous js disse...

...um homem inteligente...que talvez por politico não ter sido ... fica tantas e tantas vezes esquecido...
Todas as homenagens são poucas para divulgar as sua ideias...
FORÇ'AÍ!
js de http://politicatsf.blogs.sapo.pt e...

 
Às 13 fevereiro, 2006 15:39 , Anonymous Ana Luar disse...

Lembro de uma frase especifica que guardei de Agostinho da Silva.."Queria que o povo português, tivesse mais confiança em si mesmo"... grande verdade!!!

 
Às 13 fevereiro, 2006 16:08 , Blogger Tribunal_Beatas disse...

Há pessoas que pela sua presença de espírito e sapiência nunca deveriam desaparecer. Agostinho da Silva desapareceu mas deixou um legado riquíssimo que deverá ser sempre respeitado. Ele foi um homem à frente do seu tempo e tomara que muitos seguissem os seus passos.

 
Às 13 fevereiro, 2006 19:55 , Blogger LetrasaoAcaso disse...

Uma vida fiel à liberdade humana
BIOGRAFIA
O filósofo e pedagogo Agostinho da Silva, de se u nome completo George Agostinho Baptista da Silva, nasceu no Porto a 13 de Feve reiro de 1906 e viveu como um espírito livre, em sintonia com o que preconizava para todos os Homens.



O menino que aprendeu a ler aos quatro anos - e viria a falar 15 língua s e dois dialectos - cresceu para se tornar um "cidadão do mundo", alguém que co nsiderava desnecessário o bilhete de identidade e outros documentos que vinculam as pessoas a um único território.

Terminou o Curso Geral dos Liceus em 1924 com 20 valores e, quatro anos depois, concluiu a Licenciatura em Letras, também com 20 valores, iniciando o D outoramento em Filosofia Clássica na Faculdade de Letras do Porto - que terminou em 1930 "com o Maior Louvor".

Aprovado "com Mérito Absoluto" no concurso para a cadeira de Geografia e História da Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, em 1931, frequentou a Es cola Normal Superior em Lisboa, terminando o curso também com a classificação má xima.

Fundador do Centro de Estudos Filológicos, o actual Centro de Linguísti ca da Universidade Clássica de Lisboa, por encargo da Junta Nacional de Educação , foi enviado por esta entidade para estudar História e Literatura na Sorbonne e no Collège de France, em Paris, entre 1931 e 1933.

Ainda em 1933, regressou a Portugal para se tornar professor efectivo d os Liceus, mas, ao ser colocado no Liceu de Aveiro, em 1935, recusou-se a assina r a "Lei Cabral" (declaração que o obrigava a não seguir a ideologia marxista) p or esta afectar a liberdade que tanto prezava.

Como ficou no desemprego, começou a dar aulas particulares, tendo sido professor de figuras como o ex-presidente Mário Soares ou o escultor Lagoa Henri ques, após o que partiu para Madrid.

Quando voltou a Portugal, em meados dos anos 1930, dedicou-se à publica ção dos "Cadernos de Iniciação Cultural", tendo editado cerca de 120 entre 1937 e 1944.

Os cadernos "O Cristianismo" (1943) e "Doutrina Cristã" (1944) foram ma l aceites pelo regime do Estado Novo e pela Igreja e, após acesa controvérsia, A gostinho da Silva acabou por ser preso no Aljube.

Quando foi libertado, exilou-se voluntariamente no Brasil, seguindo dep ois para o Uruguai e a Argentina, até regressar ao território brasileiro em 1947 , para co-fundar as universidades federais de Paraíba e Santa Catarina e a Unive rsidade de Brasília.

Com nacionalidade brasileira adquirida em 1958, deslocou-se ao Japão, M acau e Timor-Leste, tendo fundado o Instituto de Língua e Cultura Portuguesa (Tó quio), o Centro de Estudos Ruy Cinatti (Macau) e o Centro de Estudos Brasileiros (Díli).

Em 1969, com a instauração de uma ditadura militar no Brasil, voltou pa ra Portugal, onde foi eleito membro da Academia Internacional de Cultura Portugu esa.

Cerca de 14 anos depois foi nomeado Director do Centro de Estudos Latin o-Americanos do Instituto de Relações Internacionais (Universidade Técnica de Li sboa) e do Gabinete de Apoio do Instituto de Cultura e Língua Portuguesa, no Min istério da Educação.

Nos seus últimos anos tornou-se muito conhecido do grande público devid o às suas intervenções televisivas no programa "Conversas Vadias", da RTP 1, que sentava milhares de espectadores à frente do televisor.

Quando morreu, em Lisboa, a 03 de Abril de 1994, Agostinho da Silva dei xou uma obra vastíssima que inclui textos pedagógicos, ensaios filosóficos, nove las, artigos, poemas, estudos sobre História e cultura e as suas reflexões sobre a religião.

Entre esses volumes contam-se "Sentido Histórico das Civilizações Cláss icas", "A Religião Grega", "Glosas", "Sete Cartas a um Jovem Filósofo", "Diário de Alcestes" e "Moisés e Outras Páginas Bíblicas".

"Quadras Inéditas", "Reflexão", "Uns Poemas de Agostinho", "Um Fernando Pessoa", "As Aproximações", "Educação de Portugal" e "Do Agostinho em Torno do Pessoa" são outros dos títulos da sua autoria.

Deixou ainda textos dispersos por revistas e jornais, como "A Águia", " Dyonisos", "Seara Nova", "Revista de Portugal", "Pensamento", "Espiral", "Tempo Presente", "O Tempo e o Modo", "Cultura Portuguesa", "Vida Mundial" ou "Notícia" .

Foi igualmente tradutor de autores clássicos e modernos (Sófocles, Plat ão, Aristófanes, Terêncio, Tácito ou Montaigne) e autor de biografias de Francis co de Assis, Franklin, Miguel Ângelo, Pasteur, Lincoln, Leopardi, Leonardo da Vi nci ou Montaigne.

Uma vida preenchida, talvez previsível para alguém que manteve a liberd ade como valor cimeiro, afirmando sem problemas numa entrevista que não lia jorn ais... e que só comprava o Público para ver a banda desenhada do Calvin & Hobbes .


Apenas uma pequena contribuição

 
Às 13 fevereiro, 2006 22:24 , Blogger Peter disse...

"letrasaoacaso", uma belíssima contribuição. Foste ao encontro do pedido que te fiz. Destaco, porque me identifico:

" alguém que manteve a liberdade como valor cimeiro ... que não lia jornais... e que só comprava o Público para ver a banda desenhada do Calvin & Hobbes"

Apenas neste aspecto. Longe de mim a ideia de me pretender equiparar.

 
Às 13 fevereiro, 2006 23:23 , Anonymous Anónimo disse...

Peter:

mais do que te parabenizar pelo artigo, congratulo-te por seres a primeira pessoa, neste blog pelo menos, que usa a expressão "ao encontro de" correctamente!

Beijinhos,
Margarida

 
Às 14 fevereiro, 2006 12:44 , Blogger Peter disse...

"margarida", nada mau, ao menos não escrevo: "estar-mos" ou "À muito tempo ..."

Bjs*

 
Às 14 fevereiro, 2006 14:04 , Blogger Betty Branco Martins disse...

Palavras de Agostinho da Silva:

"Do que você precisa, acima de tudo, é de se não lembrar do que eu lhe disse;

nunca pense por mim, pense sempre por você;

fique certo de que mais valem todos os erros se forem cometidos segundo o que pensou e decidiu do que todos os acertos, se eles forem meus, não seus.
Se o criador o tivesse querido juntar a mim não teríamos talvez dois corpos ou duas cabeças também distintas.
Os meus conselhos devem servir para que você se lhes oponha. É possível que depois da oposição venha a pensar o mesmo que eu;

mas nessa altura já o pensamento lhe pertence. São meus discípulos, se alguns tenho, os que estão contra mim;

porque esses guardaram no fundo da alma a força que verdadeiramente me anima e que mais desejaria transmitir-lhes: a de se não conformarem."

Beijinhos

 
Às 19 fevereiro, 2006 16:55 , Blogger Lord of Erewhon disse...

Para me repetir... mais vale repetir-me!

Desculpem lá... eu conheci pessoalmente o «velhote de quem se fala» (cena gótico-tétrica!!)... e posso confidenciar-vos q parte da sua genialidade já lhe vinha da demência dos idosos!
Mas, de facto, foi um grande senhor... antes do final gágá e patético para consumo de um País atrasado!... mas nessa altura era jovem... e ninguém em Portugal falava dele!!
Nunca me esquecerei... do Governo ridículo q, pouco antes da sua morte, concedeu - como num acto de misericórdia iluminada! - a pensão a q Agostinho da Silva SEMPRE TEVE DIREITO!!!
Fodem a vida às pessoas inteligentes e corajosas, fazem-nas cavar do País e dp cantam-lhes hinos funéreos!
ORA VÃO PARA O CARALHO!!
GENTE DE MERDA!!!
REPÚBLICA DAS BANANAS DE MERDA!!!!

In: http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6211865&postID=114005809320112065&isPopup=true
Blog: http://gotikka.blogspot.com/

 

Enviar um comentário

Subscrever Enviar comentários [Atom]

Hiperligações para esta mensagem:

Criar uma hiperligação

<< Página inicial