segunda-feira, dezembro 5

Incongruências.

[Sei que algo se libertou do meu corpo e foi em busca não sei de quê]
Cinzeiro: Cheio de “beatas” queimadas em longos travos de solidão de onde se escapam espirais de fumo e pedaços de vida.
O chapéu:Que não tenho mas que tiraria de boa vontade para o pendurar na testa de alguns governantes.
A chávena:De café matizada de tons escuros escorrendo no branco imaculado conspurcando-o. Saboroso devoro-o em doses sucessivas.Marca cantos de boca contornando lábios cor de café.Do branco restam indícios.
O cigarro:Companheiro das longas noites de solidão, incandescente queima vontades.
O telefone:Toca e do outro lado chega uma voz que quebra o silêncio de noites longas e oceanos pacíficos.Ainda assim, companhia. O projectar corpo através de som. O corpo é som.
O isqueiro:Irrompe a chama que ilumina fugazmente estilhaços de negro.
Mirabolâncias:A insanidade percorre os corredores de São Bento e de Belém.Imagino-os todos numa missa celebrada por Cerejeira ansiando beatificações.Sampaio de “credo” na boca pede um milagre.Todos os outros acham que o milagre já aconteceu e rezam desalmadamente louvando o senhor.O Cardeal [Cerejeira] figura de ave de rapina vestido de negro [o corvo] paira sobre as cabeças dos cretinos submissos convertidos em beatos.Todos ganharam já o reino dos céus.O tricórnio do demo aparece aqui e ali atrás do [corvo] altar prometendo vida eterna.
São Bento é hoje lugar de peregrinação. Não a de Fernão Mendes. Todos os deputados irão ser beatificados em breve.Ministros [ai as hierarquias!] serão de imediato Santificados.O primeiro será mesmo elevado à categoria de Deus. Confrontado com a ideia afirma: “serei se me deixarem abraçar o islamismo. Preciso de trinta ou quarenta mulheres] ao que o corvo aquiesce.
A noite:Enluarada atravessada por uma ou outra nuvem de formato bizarro e desconexo vai-me tomando aos poucos. Possuir-me-á.
Posfácio:Falar deste escritor é algo de perturbante. Situado entre uma lucidez impressionante e uma loucura considerável, deixa uma obra vasta mas de leitura difícil. Vagueando entre a ironia subtil e um arrazoado intrincado, perde-se em cogitações quase ininteligíveis que não sei se ele próprio entendeu. Talvez seja esse o rasgo de génio que todos lhe reconhecemos.
Resposta do autor:Direito ao contraditório: o fulano sabe do que está a falar?Quem permitiu que escrevesse o posfácio? – Coisas de editoras certamente. – Se nem eu sei o que escrevi…Críticos! Acrescento com ar de desprezo.

7 Comentários:

Às 06 dezembro, 2005 16:14 , Blogger Betty Branco Martins disse...



Não é de todo - "com um ar de desprezo" que comento:

Este texto magnificamente elaborado, de personagens "únicas" e bem conhecidas, não devem fugir muita da realidade da tua ironia.

O conhecer [despir] de cada palavra :)

Um beijo...

 
Às 06 dezembro, 2005 20:12 , Anonymous Anónimo disse...

q romanticos os dois...

 
Às 06 dezembro, 2005 21:05 , Anonymous Anónimo disse...

retrato de aspirante a escritor c mania de achar q é 1 genio mas n passando de pobre coitado

 
Às 06 dezembro, 2005 21:44 , Anonymous Maria do Céu Costa disse...

Uma boa abordagem este "Incongruências", apenas um pouco de atenção na leitura e para bom entendedor meia palavra basta.
Beijinhos.

 
Às 06 dezembro, 2005 22:00 , Anonymous zezinho disse...

Folgo ver que ainda existe com carácter como o/a? do/a anonymos.
Sublinho como dá a cara.
Caro, ou cara, vá para a puta que o/a pariu

 
Às 06 dezembro, 2005 23:26 , Anonymous Anónimo disse...

discordo do/a anónimo/a, pois reconheço-lhe a qualidade literária e julgo que a qualidade da sua escrita é indiscutível.

se desejar posso colocar aqui uma foto... mas as fotos na net são perigosas... sabe-se lá qual o uso que lhe é dado e onde vai parar... apenas protejo a minha identidade e a minha vida pessoal. dequalquer modo, não percebo porque se encrispou. estava a elogiar esse amor bonito que existe entre o senhor e a sua musa. dizem que o amor inspira... e parece que têm razão.

 
Às 07 dezembro, 2005 14:32 , Blogger amita disse...

Olá Zé. Conheces o jogo da berlinda? Pois... não é para todos... E pelos vistos és um priveligiado (lol). Escreveste um belo texto que não vou comentar, desculpa, mas os lamentos de quem anónimo se sente não são de considerar. Como sempre de fugida (e me desculpem a Blue e o Peter), vim aqui para saber quando sai o teu livro. Aguardo, assim como muitos dos que aqui passam, a sua previsão. Um bjo, um doce sorriso e um excelente dia de sol para todos

 

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