sexta-feira, dezembro 2

A lâmpada fundida

Fundiu-se a lâmpada do meu gabinete, e começa uma longa viagem pela burocracia interna da administração Pública.
Tenho que avisar o chefe de divisão, que por sua vez fala com o director de serviços, que comunica o facto ao seu homólogo responsável pelos aprovisionamentos; este último dá instruções ao chefe de divisão, que se dirige ao chefe de secção.
O Chefe de secção constata que não há lâmpadas em stock e sendo urgente conclui que não se justifica uma consulta; informa do facto o chefe de divisão, que vai de imediato informar o director de serviços. É necessário comunicar com o director de serviços financeiros, que terá que recorrer ao fundo de maneio para disponibilizar a quantia exacta necessária para adquirir a lâmpada numa qualquer loja. Questiona o seu colega sobre quanto é que a lâmpada efectivamente custa e este não sabe; terá que perguntar ao seu chefe de divisão, que dará instruções ao chefe de secção para telefonar para a loja.
Telefonema feito, o chefe de divisão já sabe quanto custa a lâmpada, e de seguida é o director de serviços a saber e a comunicar a quantia ao seu colega, que dará conhecimento ao seu chefe de divisão. Colocada no respectivo envelope a quantia necessária para adquirir a lâmpada, este faz o percurso até chegar ao director dos serviços de aprovisionamento.
Agora é só mandar comprar, nada mais fácil? Não, a loja fica a quinhentos metros, e a auxiliar tem bicos de papagaio, não pode andar tanto e o motorista invoca que é motorista, não tem que andar a comprar lâmpadas, além de que pode ser multado enquanto pára o carro e vai à loja. A solução foi encontrada, foram comprar a lâmpada o motorista e a auxiliar dos bicos de papagaio.
A lâmpada é comprada num instantinho, só resta colocá-la, mas o serviço não dispõe de electricista, o motorista não sai do carro e a auxiliar tem bicos de papagaio. Trazem-me a lâmpada, eu que a coloque; entretanto eu próprio já lá tinha colocado uma lâmpada que comprei já há alguns dias atrás.

Assunto encerrado? Nem pensar.

Um ano depois o auditor da Direcção-Geral do Orçamento estranha que tenha sido comprada uma única lâmpada, que ainda por cima se encontra em stock. Passa dias a investigar toda a papelada e conclui que “não consegui apurar se a lâmpada adquirida seria mesmo necessária, tanto mais que estando em stock a lâmpada nova, lá não encontrei a lâmpada fundida, pelo que concluo que o dirigente deve repor a quantia do custo da lâmpada por se tratar de uma aquisição indevida”.
Seis meses mais tarde é uma Auditoria do Tribunal de Contas a preocupar-se com a já famosa lâmpada e o seu auditor conclui no seu relatório, após aturadas investigações: “é má prática a aquisição de uma única lâmpada para constituição de existências”.
Julgava eu que o tema estava acabado, quando aparece um inspector da Inspecção Geral de Finanças, pois alguém escrevera uma carta anónima insinuando favorecimento da loja onde a lâmpada foi comprada. Quanto a esta última investigação desconheço o resultado, o inspector ainda por lá anda….

Local: Portugal
Autor: Desconhecido

4 Comentários:

Às 02 dezembro, 2005 12:56 , Blogger Rosario Andrade disse...

... é por essas e por outras que quando eu trabalhava num hospital distrital algures ai no reino, preferiamos levar lapis a canetas de casa...
Interessante como nada muda...

Bom fim de semana!

Abracicos!

 
Às 02 dezembro, 2005 12:59 , Blogger Peter disse...

rosario a. Quando muda é sempre para pior.

Bom fds

 
Às 02 dezembro, 2005 13:55 , Blogger NoSilence disse...

A Justiça, neste País, continua ao serviço de criminosos, que a usam para se garantirem impunidade, para punirem o crime de OPINIÃO.
Neste país os cidadãos não têm direito à indignação, nem a denunciarem os crimes a que assistem, nem...
Essa é a principal razão porque somos obrigados, por aqui, a manter o anonimato
Este post deve-se ao facto de terem aparecido, no DIAP, dois processos, por denúncia caloniosa e difamação, etc. onde consta o documento que se transcreve abaixo
Um dos processos: nº 13158/04.OTDLSB-0700, é da autoria de José Maria Martins, o mafioso, nazi, advogado do Bibi, contra as 12 pessoas que assinam o documento publicado neste post de Sociocracia
O outro processo: nº3186/04.1JFLSB, é de autoria de Dias André e Rosa Mota, inspectores da P.J., (outros dois mafiosos, que tanto destroem o prestígio da P.J. e da Justiça) tendo por base o documento que se segue:
...
"À Procuradoria Geral da República
Rua da Escola Politécnica
LISBOA
DENÚNCIA
Fulana (seguem-se os elementos de identificação),
Vem denunciar os actos de conspiração contra o Estado de Direito, contra a democracia e contra a própria segurança do Estado que têm vindo a ser praticados por associações criminosas, através do aparelho do Estado, das Instâncias Judiciais e da comunicação Social. Constituindo o resultado daquilo que a denunciante designa “CRIMINALIDADE INSTITUCIONALIZADA”, já há muito tempo… Ler mais em: http://muimentiroso.blogspot.com

 
Às 02 dezembro, 2005 17:28 , Blogger Manoel Carlos disse...

Nem todas as lâmpadas acesas conseguem iluminar as trevas mantidas pela bur(r)ocracia.
O tempo dos burocratas nada vale, já os proventos que a sociedade paga para que eles fiquem no emaranhado das teias que eles mesmos tecem...

 

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