domingo, dezembro 4

Discrepâncias

Tornou-se óbvio que o canal público de televisão trata de forma diferente os candidatos à corrida a Belém.

Enquanto Louçã era aguardado por uma vulgar funcionária e conduzido de imediato à caracterização, Cavaco foi recebido que nem Rei, pelo presidente da RTP e por um séquito enorme, onde pontuavam duques, condes e demais serviçais de Sua Majestade, D. Silva de Boli (Queime).

À luz da filosofia estas atitudes podem ser explicadas. À luz (de velas) do domínio de interesses privados infiltrados num serviço que é pago por cada um de nós, já não é tão fácil a explicação.

Claro que podemos sempre argumentar que o sobretudo de cavaco é pesadíssimo, o que explicaria alguém tê-lo ajudado a despir.
Aqui surgem-me algumas dúvidas: se Cavaco não pode com o sobretudo amarelo, como pode carregar o “fardo” de Belém?
Por outro lado, levanta a hipótese de o fulano que lhe despiu o imenso casaco poder ser apenas um homossexual que desejava a todo o custo aproveitar a situação. Será aceitável em televisão um homem ser violado? Se sim, não se deve escolher bem a tonalidade das calças? E se esta estiver adequada, de que cor devem ser os boxers? Se não usa boxers, o uso de fio dental não poderá parecer uma provocação a toda a esquerda que defende à luz do marxismo dialéctico o uso da velha cueca branca até ao joelho?

Por outro lado temos de entender o aparente desprezo relativamente a Francisco Louçã.
Será lícito usar camisas do crocodilo? Se sim, de que cor deve ser o crocodilo?
Salta aos olhos, que o verde não fica bem num bicho daquela envergadura. Se o pintarmos de vermelho, esta não será a cor adequada aos lábios sensuais de Louçã?

Ponderemos ainda o tapete vermelho que foi desenrolado a Soares, que se queixou de imediato á CNE, “Por se tratar de uma marca ostensivamente comunista, embora admita que a rainha Isabel II gosta desta cor arrepiante. Posso ainda aceitar que o trono seja castanho, com a decoração ao redor em tons rubros, mas só se estes forem o símbolo do sangue vertido pelos nossos antepassados, alguns dos quais com quem tive o privilégio de conviver”.

Jerónimo esteve igual a si próprio. Levou a fanfarra do PCP, usou algumas cassetes já de difícil audição, por terem sido introduzidas num gravador milhares de vezes. Foi mesmo possível ouvir nalguns excertos, a voz de Cunhal a dizer, “olhe que não, olhe que não”.

Alegre, declamou «Trova do Vento que Passa» e queixa-se de o vento nada lhe dizer. Esta ausência de vento pode ser explicada com as alterações climatéricas e o envio para a atmosfera de grandes quantidades de poluentes, nomeadamente os discursos dos candidatos.

O chamado “efeito de estufa”, queimou os poucos cabelos de Almerindo Marques, mas pior do que isso, levou-lhe o que restava dos neurónios. Resta saber se dos dois homens que reclamam o trono de Belém nenhum for eleito, o que será feito do Presidente da RTP?

Esta dúvida dissipa-se quando penso que será enviado para uma confortável reforma compulsiva, com uma choruda indemnização…

11 Comentários:

Às 04 dezembro, 2005 17:37 , Blogger mfc disse...

Há uns mais iguais que outros!!!

 
Às 04 dezembro, 2005 18:32 , Blogger Peter disse...

"a esquerda que defende à luz do marxismo dialéctico o uso da velha cueca branca até ao joelho"

Bem observado (?)

O Cavaco anda a engasgar-se muito. Mas como não dá beijinhos, não se safa. Terá que copiar o exemplo do MSoares, que parece ter aprendido com o Paulo Portas.

Isto é como no futebol:
- O Campeonato ganha-se é nos encontros com os pequenos e não nos jogos entre os grandes.

Por isso, sabiadamente o Soares anda pelo interior, vilas,lugares e lugarejos. Os votos contam, tanto vale o de um trabalhador rural, como o de um Prof Catedrático, além do que os votos destes, aqui em Lisboa, em muitos casos, já têm outro destinatário.

Candidato mais bem vestido:
- Sem dúvida o Louçã.

 
Às 04 dezembro, 2005 21:52 , Blogger Betty Branco Martins disse...



Eu já nem falo dos outros candidatos!!! :))

Louçã - está a portar-se como um verdadeiro senhor, nas palavras e na ausência delas.

Acusou o secretário do Estado da Educação (há uns dias) de ter perdido o mandato por faltas. O ministério diz que é mentira.

E Louçã faz de conta que não é nada com ele. Tudo isto com um [Q] de Charme.

Quanto ao presidente da RTP nas próximas eleições presidenciais, está mais que visto - vai candidatar-se! :))

Um beijo...

 
Às 04 dezembro, 2005 22:04 , Anonymous Maria Papoila disse...

"Les uns, e les autres.." belíssimo filme! A rever...Dos candidatos, tenho nausea! Beijo

 
Às 04 dezembro, 2005 22:04 , Anonymous Maria Papoila disse...

"Les uns, e les autres.." belíssimo filme! A rever...Dos candidatos, tenho nausea! Beijo

 
Às 04 dezembro, 2005 22:20 , Blogger yatashi disse...

Venha o diabo e escolha..

 
Às 04 dezembro, 2005 23:22 , Blogger Peter disse...

yatashi e maria papoila, têm razão, nenhum interessa.

 
Às 04 dezembro, 2005 23:57 , Blogger Micas disse...

Este comentário foi removido por um gestor do blogue.

 
Às 04 dezembro, 2005 23:59 , Blogger Micas disse...

Fico triste de ver o país que me viu nascer e, que trago no coração, sem ter alguém que lhe consiga (ou queira, realmente) dar um rumo...
Infelizmente, quase sou tentada a dizer que, cada um tem aquilo que merece!!!

 
Às 05 dezembro, 2005 00:33 , Blogger lazuli disse...

ultimamente as eleições têm sido assim, um voto com pouca convicção..
Desta vez a convicção praticamente não existe (deste lado) e isto de ver que nada é carne ou peixe, ou que tudo é uma no cravo e outra na ferradura, é terrivel.

 
Às 05 dezembro, 2005 10:02 , Blogger bluegift disse...

Se queres que te diga, o Louçã e o Jerónimo merecem um tratamento abaixo de cão. Nesta altura do campeonato já deviam ter desistido em favor de um dos candidatos. Cá por mim usam boxers... (deve ser a invenção mais anti-sexy que conheço).

 

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