sexta-feira, julho 15

A Poesia de Daniel Jonas


Escrevo para me esvaziar de mim.

A cuspo. Para me libertar das musas.

De um saber imperial. Dos meus orgãos

calçados com planisférios.

Escrevo para que te apaixones,

pelo que pareço e não pelo que sou:

O meu interior é horrível e degradante

e sou por fora um límpido sorriso de candelabros.

Eu sou perigoso. A minha língua é azul.

Daniel Jonas
O Corpo está com o Rei
Edições AEFLUP

5 Comentários:

Às 16 julho, 2005 16:14 , Blogger BlueShell disse...

Não conhecia ete texto. mas gostei muito.
Jitos, BShell

 
Às 16 julho, 2005 20:22 , Blogger LetrasaoAcaso disse...

JÁ NÃO É POSSÍVEL ENROLAR MAIS ESTA ERVA


DANIEL JONAS





Já não é possível enrolar mais esta erva

nos teus dedos;

os teus dedos

já não tocam o nervo da noite

e o fumo violento

que inalas a desinfestar a alma

faz-te vagarosa beleza.



O anzol circular que o teu lábio mordeu,

paixão de peixes,

quer morder o meu

aço. A erva quer ser lua

na crescente inclinação rente.

Eu não quero ser nada.



E está frio, mas não menciono nenhum mês

como o fazem os poetas.

Duas belas balas medem

o calibre dos meus olhos. Cindo nos dedos

outros dedos contorcidos:

o gás é nosso amigo.



Não há grilos na hesitação

do silêncio. Não há mortais desembainhando

navalhas. Hoje longa hespéria

te espero

e assim como um torpor te entro

como fumo

nos pulmões.

Beijos, Fly...zinha.

Acredito que este seja uma das maiores revelações da poesia portuguesa contemporânea.

 
Às 16 julho, 2005 23:26 , Blogger Heloisa B.P disse...

NAO CONHECIA!
GOSTEI!
IMAGEM LINDA, tambem!
Saudacoes Amigas.
Heloisa.
******************

 
Às 18 julho, 2005 00:39 , Blogger amita disse...

Obstinadamente invisto contra uma corrente contrária
Que obstinada investe contra mim uma musa
De saliente fala. Libertar-me bem queria mas não sei
Se o medo se a circunstância se a melancolia
Me treme quando só o lance resolvia, me limita
Quando a imensidão pedia, me oxida o aço à porfia.
Tudo à volta me comprime numa mesquinha condição
E O’Neill às vezes não existem teu machado de língua afiada,
Tuas ensinadas varinas de sinuosas varizes,
Tuas empenadas narinas de empinados narizes,
Às vezes O’Neill é só o vazio e suas raízes.

(Daniel Jonas)

Bjos Fly, grata pela partilha.

 
Às 18 julho, 2005 02:12 , Blogger Peter disse...

Fly, venho desejar-te boas férias e agradecer a tua colaboração durante esta minha "fuga". As minhas lá chegarão, mas sempre fica aí o Letras e a Anjo, para aguentarem o "barco".///Mais um poeta que eu não conhecia. A minha ignorância é tanta. Escolheste uma imagem a condizer.

 

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