segunda-feira, março 1

ORLANDO ZAPATA


A morte do dissidente Orlando Zapata, detido desde 2003, depois de 85 dias de greve de fome, acentua uma infeliz coincidência de circunstâncias diplomáticas internacionais.
Antes de tudo, é mais uma prova da natureza ditatorial e opressiva da face mais dura do “castrismo”. Desde 24 de Maio de 1972, depois do desaparecimento do líder estudantil Pedro Luis Boitel, que ninguém perdia a vida por ter deixar de ingerir alimentos num cárcere cubano.
Poucos cenários como a morte de Zapata podem resumir a incapacidade do regime dos irmãos Castro em colocar em andamento uma transição democrática em que os dissidentes não tenham, como agora, de escolher entre a cadeia e o silêncio. Poucas vezes resultou tão evidente que uma fórmula política, durante décadas respeitada e defendida por muitos sectores da esquerda, tenha perdido qualquer legitimidade por causa do cocktail suicida cubano, misto de sectarismo ideológico e completo fracasso de modelo económico.
O regime dos irmãos Castro nunca teve tempo de ouvir críticas ou, sequer, de perceber que podia pilotar uma reforma suave do sistema. Os sinais de compreensão e de promoção do diálogo interno sugeridos pelo exterior, e em particular pela União Europeia (relembro que em 1999, Jorge Sampaio e António Guterres foram os primeiros líderes políticos estrangeiros a reunir, em pleno território cubano, no coração de Havana, com líderes da dissidência interna) nunca foram interiorizados pela liderança cubana. Os gestos que, nos últimos meses, Barack Obama foi enviando de Washington vão, seguramente, ter o mesmo destino que os sinais de Bruxelas (ou, em bom rigor, de Madrid).
Há dois anos o discurso de Raúl Castro, na tomada de posse, criou expectativas de abertura. Depois de uma mão cheia de medidas de algum alcance simbólico – como autorizar aos cubanos possuir telemóveis ou frequentar hotéis – seguiu-se o vazio.

Não se registou abertura política, nem económica, mas sim mão dura contra os dissidentes.
Raúl Castro foi taxativo, em Dezembro último: “em Cuba não podemos correr os riscos da improvisação ou da pressa!”.

6 Comentários:

Às 01 março, 2010 13:10 , Blogger Meg disse...

Peter,

Comentar o quê?
Absolutamente inaceitável!

Um abraço

 
Às 01 março, 2010 19:07 , Blogger Peter disse...

Meg

Inaceitável para ti, como é para mim, mas devemos ser os únicos.

 
Às 01 março, 2010 20:16 , Blogger vbm disse...

O meu comentário foi e é este

 
Às 02 março, 2010 15:47 , Blogger Peter disse...

vbm

Pois o meu comentário é o seguinte:
o irmão do tirano, que não sabemos se está vivo ou morto, nem isso me interessa, teve um gesto magnânimo para com os cubanos.
Autorizou-os a possuirem telemóveis e a frequentarem hotéis.

Na Coreia do Norte, ao pai sucedeu-lhe no Poder o filho, aqui nas "amplas liberdades" cubanas, ao tirano, sucede-lhe o irmão. Afinal os regimes comunistas são Monarquias.

P.S. - O texto publicado foi parcialmente extraído do "Página 1". vbm teve a amabilidade de mo lembrar, o que agradeço.

 
Às 02 março, 2010 17:13 , Blogger vbm disse...

Concordo contigo, o regime de Castro degenerou numa ditadura estagnada, mas a de Fulgêncio Baptista era ainda pior, em absoluto. Quanto aos cubanos de Miami são tão abjectos quanto os esbirros da polícia política de Castro.

 
Às 02 março, 2010 17:38 , Blogger Peter disse...

vbm

Do que falei foi disto: "o regime de Castro degenerou numa ditadura estagnada"

Passado é passado.

 

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