sábado, maio 9

O horror do vazio


“Depois de em Outubro ter morto o casamento gay no parlamento, José Sócrates, secretário-geral do Partido Socialista, assume-se como porta-estandarte de uma parada de costumes onde quer arregimentar todo o partido.

Almeida Santos, o presidente do PS, coloca-se ao seu lado e propõe que se discuta ao mesmo tempo a eutanásia. Duas propostas que em comum têm a ausência de vida.(…) O casamento é o mais milenar dos institutos, concebido e defendido em todas as sociedades para ter os dois géneros da espécie em presença (até Francisco Louçã na sua bucólica metáfora congressional falou do "casal" de coelhinhos como a entidade capaz de se reproduzir). E saiu-lhe isso (contrariando a retórica partidária) porque é um facto insofismável que o casamento é o mecanismo continuador das sociedades e só pode ser encarado como tal com a presença dos dois géneros da espécie. Sem isso não faz sentido. Tudo o mais pode ser devidamente contratualizado para dar todos os garantismos necessários e justos a outros tipos de uniões que não podem ser um "casamento" porque não são o "acasalamento" tão apropriadamente descrito por Louçã.

E claro que há ainda o gritante oportunismo político destas opções pelo "liberalismo moral" como lhe chamou Medina Carreira no seu Dever da Verdade. São, como ele disse, a escapatória tradicional quando se constata o "fracasso político-económico" do regime.

O regime que Sócrates e Almeida Santos protagonizam chegou a essa fase. Discutem a morte e a ausência da vida por serem incapazes de cuidar dos vivos.”


(Mário Crespo)

5 Comentários:

Às 09 maio, 2009 08:20 , Blogger vbm disse...

Repelente, o 'ideário' inestético
da política sexual do governo no poder.

 
Às 09 maio, 2009 08:44 , Blogger Meg disse...

Peter,

Não só não são capazes de cuidar dos vivos como lhes fazem a vida negra.
E como sempre, Medina Carreira tem toda a razão, para nosso mal.
Bom fim de semana, Peter.

Um abraço

 
Às 09 maio, 2009 17:07 , Blogger Peter disse...

Argumentos contra a eutanásia

"Os cuidados paliativos o tratamento da dor e sofrimento humano são a alternativa à eutanásia.
A legalização da eutanásia poderia ser aplicada de uma forma abusiva, tendo como consequência a morte sem o consentimento das pessoas em causa.
A dificuldade de muitas vezes prever o tempo de vida que resta ao doente, bem como a existência da possibilidade de o prognóstico médico estar errado o que levaria à prática de mortes precoces e sem sentido.
A possibilidade que existe de o utente se sentir menos seguro no que respeita ao tratamento, devido ao seu médico já ter praticado a eutanásia, levaria a que a relação médico/utente viesse a ser afectada de uma forma negativa.
O juramento de Hipócrates que obriga o médico a não provocar danos no utente seria violado ao ajudar alguém a apressar a vinda da morte o que poderia causar transtornos a nível psicológico nos médicos.
No que respeita à família, os familiares ou herdeiros poderiam agir com interesse financeiro e recomendar ou mesmo incentivar a eutanásia.
Em termos de crenças as grandes religiões tais como a Católica afirma que a vida provém de Deus e só a Ele lhe compete tirá-la, levando a que muitas das pessoas crentes rejeitem por completo a prática da eutanásia."

 
Às 10 maio, 2009 11:16 , Blogger antonio - o implume disse...

Lapidar! Mário Crespo está-se a transformar num caso sério da consciência nacional!

 
Às 10 maio, 2009 15:28 , Blogger Peter disse...

antonio - o implume

Também tem de haver "consciência nacional" nalgum lado!

 

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