quarta-feira, março 12

Melros e pombos

Gosto imenso de melros, aprecio a sua esperteza e a rapidez com que se escondem, ao mesmo tempo que emitem aquele som zombeteiro, como se se estivessem a rir de nós, pobres pedestres, sujeitos à gravidade que nos mantém presos ao solo. Na próxima reencarnação gostaria de ser melro.
Os melros, como toda a gente sabe, são negros e de bico amarelo, já as fêmeas são menos encorpadas, as suas penas são de um negro menos retinto e o bico não é amarelo. Vivem em casais, pois são monogâmicos.
Sei isso dos meus tempos de rapaz, quando errava pelos campos com a minha fisga, à caça de pardais. Andava quilómetros e, ao fim do dia, sempre conseguia trazer 2 ou 3 com os quais me banqueteava.
Mas os melros foram sempre o meu "inimigo" invencível. Nunca consegui caçar nenhum e nem sequer permitiam a minha aproximação, fugindo e "rindo-se" de mim.
Por isso sempre tive por eles uma admiração muito especial. Eram, por assim dizer, "inimigos/amigos de estimação".

Vejo, com satisfação, que por esta Lisboa o seu número tem vindo a aumentar. Tornaram-se menos desconfiados (mas sempre alerta) e encontramo-los por esses jardins, dos poucos que ainda existem na cidade e que ainda não foram devorados pela cega especulação imobiliária.

Tenho a sorte de viver num local onde os ouvia assobiar ao nascer do sol, como se saudassem o novo dia. Havia por aqui bastantes casais.
Depois a zona começou a ser invadida pelos pombos, houve uma redução drástica da sua presença e o assobiar dos melros foi substituído pelo arrulhar monótono daqueles.
Sempre detestei pombos, principalmente a partir do dia em que um deles me estragou irremediavelmente um blusão de que muito gostava.
Propagam doenças, estragam os monumentos da cidade e, como estão sempre com diarreia, sujam a roupa que está estendida a secar. Adoptei o estratagema de pendurar na varanda, com fio de nylon, CDs estragados. Tem resultado. Com o reflexo do sol e o facto de oscilarem por estarem pendurados, a luz afasta-os.
Como me queixei ao Presidente da Junta de Freguesia, fui visitado por um funcionário da CML que me disse que estavam procurando apanhá-los e mantê-los um tempo em gaiolas, alimentados por milho adicionado a um produto que os impedia de se reproduzirem.



O pior é que, alimentados com pão atirado pelas senhoras idosas e viúvas que por aqui habitam e não só, como se pode ver na foto (oh senhor, por favor não dê milho aos pombos) o seu número tem vindo a aumentar e eles pavoneiam-se com aquele peito emproado, numa pose que me faz lembrar a dos nossos políticos.

A diferença é que os pombos ainda se vão contentando com migalhas…

(Foto GOOGLE)

14 Comentários:

Às 12 março, 2008 09:01 , Blogger Tiago R. Cardoso disse...

Eu sou de uma zona em que existem aqueles pombais, onde se criam os pombos por gosto e se fazem corridas com eles, sempre achei fascinaste aquela de levarem os pombos para centenas de kms e eles regressarem a casa.

Estou como tu, prefiro o melro, ou outro do que os pombos.

 
Às 12 março, 2008 09:17 , Blogger Peter disse...

Bom dia Tiago

Na casa dos meus pais, o filho da empregada (que foi criado connosco) também se dedicava à colombofilia e chegou a ganhar premios.
Era um bocado chato ter aquelas gaiolas no quintal e eu não simpatizava muito com as aves, mas era um visitante ocasional e a casa não era minha.

Ora diz-me lá se aquela pose deles, não faz lembrar certos políticos?

 
Às 12 março, 2008 12:18 , Blogger bluegift disse...

Estou como tu realtivamente aos pombos. Adoro animais, mas tenho a impressão que um arroz de pombo de vez em quando era bem capaz de acabar com a fome de muita gente que anda por aí, e com a nossa também ;) Vê é se arranjas uma ratoeira para os caçares.

 
Às 12 março, 2008 13:18 , Blogger Belzebu disse...

Lembro-me bem de ser miúdo e andar a trepar às árvores, de tudo o que era jardim à procura de ninhos. Uns tombos depois e algumas escoriações, deixei-me dessas vidas, mas lembro-me bem do som particular dos melros. Hoje raramente os ouço, ao contrário dos pombos, qual praga que invadiu as nossas cidades!

Mas olha que na televisão ainda se vão vendo certos melros do antigamente!

Aquele abraço infernal!

 
Às 12 março, 2008 15:42 , Blogger Peter disse...

"bluegift"

Com os pombos posso eu bem, não posso é com os "pombos-melros", uma espécie que polui a n/vida política e não só, e que costuma pairar por S.Bento.

 
Às 12 março, 2008 15:48 , Blogger Peter disse...

"belzebu"

É. Os melros que tu vês na TV e noutros locais, têm um grande poder de adaptação ao ambiente. Mas esses só assobiam desafinadamente.

Já há tempo que não desço aos infernos (há mais que um?), mas tal não obsta a que não ande "infernizado".

 
Às 12 março, 2008 16:12 , Blogger Blondewithaphd disse...

Sabes o que eu acho de pombos? Que são ratazanas gordurosas com asas!!! Nem digo mais que já me estou a enojar! Ugh!!!

 
Às 12 março, 2008 16:33 , Blogger Meg disse...

Ai Blonde, que isso não se faz! E eu que ia falar de tantos pombos que comi... já lá vão tantos anos.
Em Luanda, ao domingo Íamos ao tiro aos pombos (que horror) e depois os pombos eram vendidos. Na altura gostava,mas agora...
E afinal eu queria falar de melros, que os tenho aqui nos galhos dos pinheiroa, à solta e sem passarem cartão a ninguém.
Ah... e também tenho gaivotas na varanda que comem o que lá houver além das tostas deviamente moídas para os pardais.
Isso, fiquem com inveja!

Um abraço

 
Às 13 março, 2008 12:35 , Blogger quintarantino disse...

Eu estou com o amigo ... não há beleza que se equipare à do melro ... felizmente que a espécie tem prosperado e até entre as árvores do quintal da mãe de minha mulher pululam às dezenas.

Eu, note-se, falo do melro melro e não do melro da espécie humana que, infelizmente, também tem prosperado. Vá-se lá saber porquê!

 
Às 13 março, 2008 12:40 , Anonymous Olhos de Mel disse...

Oie lindinho! Que post mais lindo! Eu também adoro pássaros... Aqui em casa eles vêm beber água na janela e cantam, brigam...
Beijos

 
Às 13 março, 2008 16:17 , Blogger Nilson Barcelli disse...

Também fui criado na aldeia e a passarada é-me familiar.
Mas foi preciso ir a Berlim para que um pardal viesse comer pão à minha mão. Fiquei maravilhado com a proximidade.
Também verifico que os melros, por exemplo, nos países da Europa central e do Norte aproximam-se das pessoas até 2 ou 3 metros, o que cá é impensável.

Bom resto de semana.
Abraço.

 
Às 20 março, 2008 00:19 , Blogger António disse...

Por falar em melro...
Conheces o poema "O melro" que faz parte do livro "A velhice do Padre Eterno" da autoria do Guerra Junqueiro?

Abraço

 
Às 20 março, 2008 14:49 , Blogger Peter disse...

Não, António, não conheço.

Abraço

 
Às 01 janeiro, 2009 12:46 , Anonymous Anónimo disse...

o grande problema é quando se tem fobia aos pombos- o meu caso - e nos deparamos com eles em cada esquina! Apenas poderá avaliar quem tem algum tipo de fobia...a quantos sitios já deixei de ir devido a este medo que me acompanha desde criança..

 

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