quinta-feira, novembro 1

Irá o Universo terminar num grande rasgão?


(Will the Universe End in a Big Rip? Illustration Credit & Copyright: Lynette Cook)

Como terminará o nosso Universo? A mais recente especulação considera-o como um campo de uma energia fantasma, misteriosa e repulsiva, que rasga virtualmente todas as componentes distantes entre si. Embora o Universo tivesse começado por um Big Bang, segundo a hipótese comummente aceite, a análise de recentes medidas cosmológicas, permite admitir a possibilidade de que o mesmo termine “rasgado em pedaços”. Daqui a uns quantos biliões de anos poderá acontecer o cenário representado na composição acima. A “energia escura” crescerá com uma tal magnitude que a nossa própria galáxia não será mais capaz de se manter unida. Depois disso, estrelas, planetas e mesmo os simples átomos, serão incapazes de suster a “força expansiva”.*

Até aqui especulava-se sobre se o Universo terminaria contraindo-se sobre si próprio (“Big Crunch”) ou completamente gelado (“Big Freeze”). Embora o destino do mesmo seja ainda um “puzzle”, a junção das “peças” depende do aumento da nossa compreensão sobre a natureza da “matéria escura” (“dark matter”) e da “energia escura” (“dark energy”)**.

(*) A maioria das galáxias formou-se cerca de 3 mil milhões de anos depois do nascimento do Universo. À medida que este universo primitivo se encontrava sob a acção da sua própria gravidade, cada galáxia tomava uma determinada forma. Uma galáxia típica contém à volta de 100 mil milhões de estrelas e mede cerca de 100 000 anos-luz de diâmetro. O estudo sistemático destes longínquos sistemas de estrelas foi iniciado por Edwin Hubble. Ao estudar a galáxia de Andrómeda, em 1923, mediu o brilho de algumas das suas estrelas e deduziu que estavam a 2.25 milhões de anos-luz de nós. Depois de estudar os diferentes desvios para o vermelho das galáxias, Hubble propôs a sua teoria «as galáxias afastam-se a velocidades proporcionais ás suas distâncias de nós» daí o falarmos em «Expansão do Universo».

(**) Assuntos já por diversas vezes aqui abordados.

Etiquetas:

12 Comentários:

Às 01 novembro, 2007 01:20 , Blogger quintarantino disse...

É pá, calma, deixem-nos viver mais um bocadito!

 
Às 01 novembro, 2007 09:10 , Blogger Peter disse...

"quintarantino"

Está descansado, não só é uma hipótese, como se acontecer, será só "aqui a uns quantos biliões de anos".Cada "maluco" tem a sua mania e a minha é esta. LOL

P.S.- Aqueles blogs todos sobre o SOS Miseria, vou levar uma semana a lê-los ...

 
Às 01 novembro, 2007 09:48 , Blogger Tiago R Cardoso disse...

Eu goste deste tipo de assuntos, muito bom.

 
Às 01 novembro, 2007 13:03 , Blogger Peter disse...

Tenho de agradecer à minha colega de blog "bluegift" o ter reunido estes meus artigos em "Universo Fantástico".
Quem tiver tempo e paciência ...

Antes destes blogs em parceria, da série "Conversas de xaxa", já em 4ª edição, publicara individualmente o "Poeira de estrelas", que privilegiava estes assuntos.

Bom feriado para todos.

 
Às 01 novembro, 2007 13:18 , Blogger bluegift disse...

Nao sei se leste a notícia sobre um grupo de cientistas que classificou a matéria negra como um "defeito" do Universo. É possível aue tenha sido engano na interpretacao dos jornalistas, mas nao deixa de ser interessante como algo que sai das previsoes lógicas efectuadas por estes astrónomos terá que ser considerado um "defeito". É um tipo de raciocínio muito prático: nao percebo, logo, é um defeito...
Cá para nós, eu acho é que o defeito é deles.

 
Às 01 novembro, 2007 14:35 , Blogger Olhos de mel disse...

Peter, não sei se estou enganada, mas ha algum tempo atrás, ouvíamos falar mais, de estudos sobre o universo. Hoje, não sei, mas parece-me que não existe muita divulgação a respeito. Com certeza é um assunto que desperta minha curiosidade.
Obrigada por dividir.
Fique com Deus!
Beijos

 
Às 01 novembro, 2007 15:03 , Blogger Peter disse...

"bluegift"

"Tretas" de jornalistas. Dá vontade de rir, então cerca de 90% do Universo seria defeituoso?
São pessoas que ainda não ultrapassaram o conceito de que “o Universo é a Via Láctea”.
Vá lá, já evoluiram um pouco: passaram do sistema solar para a nossa galáxia, mas continuam sem fazer a mínima ideia do que esta contem.

Quando se aceitará o conceito de que existe “matéria bariónica” (aquela de que somos feitos e de que tudo o que é visível é feito, isto é, de átomos) e matéria “não-bariónica” (não constituída por átomos, como se pensa que deverá ser a "dark matter") que ninguém sabe o que é, apenas que actua sobre a força da gravidade?

Aceitar a sua existência seria mexer com a Religião e o papel do Homem. Mas basta ver uma foto, uma simples foto tirada pelo Hubble, em que também um simples ponto pode representar uma galáxia com 100.000.000.000 de estrelas. Como se pode aceitar a ideia de um Deus, tal como é aceite nas principais religiões monoteístas, perante tais “infinitudes”?

É incómodo, não é?

 
Às 01 novembro, 2007 21:38 , Blogger Papoila disse...

Olá Peter:
Estes artigos sobre a matéria negra interessam-me e aqui são apresentados de uma forma aliciante à leitura.
A possibilidade de os poder reler todos na libellés Universo Fantástico é um "bónus".
Beijos

 
Às 01 novembro, 2007 22:57 , Blogger Peter disse...

"papoila"

Nos dias 25 e 26 teve lugar em Lisboa a Conferência Gulbenkian 2007, uma série de intervenções sobre "os limites da Ciência".
George Steiner, salientou o facto de que os meios de observação da natureza à disposição dos cientistas estão a aproximar-se dos seus limites tecnológicos: os radiotelescópicos mais poderosos já chegaram quase aos confins do Universo observável, do mesmo modo que os microscópicos mais avançados também se estão a aproximar dos seus limites.

Mas o assunto que mais me interessou foi a Teoria das Supercordas, candidata à Teoria de Tudo, que ambiciona explicar tudo o que se passa no Universo e que descreve as partículas elementares da matéria como modos de vibração de cordas unidimensionais fechadas, ou de menbranas bidimensionais ("branas").
Porém, como salientou o matemático americano Peter Woit, a Teoria não produziu ainda nenhum resultado que possibilitasse testá-la experimentalmente.

 
Às 01 novembro, 2007 23:29 , Blogger Peter disse...

Rectificação

Substituir por:

“matéria bariónica” (aquela de que somos feitos e de que tudo o que é visível é feito, isto é, de átomos)

uma simples foto tirada pelo Hubble, em que também um simples ponto pode representar um cacho de galáxias (“cluster”) em que cada uma, dos muitos milhões que a compõem poderá ter 100.000.000.000 de estrelas.

 
Às 03 novembro, 2007 10:03 , Blogger António disse...

Olá, Peter!
Definitivamente, este é um tema que não me cativa, mas não deixo de te ler e apreciar a tua pachorra para estudar estes assuntos.
E estás mesmo bem informado!

Abraço

 
Às 03 novembro, 2007 16:49 , Blogger Peter disse...

António

Não te cativa, mas cativa-me a mim e como o blog é meu e de mais dois amigos, estes toleram e respeitam os meus gostos.

Se não estivesse minimamente informado, não escrevia algo de muito elementar sobre o assunto.

 

Enviar um comentário

Subscrever Enviar comentários [Atom]

Hiperligações para esta mensagem:

Criar uma hiperligação

<< Página inicial