domingo, outubro 28

O teu rosto



É por ti que escrevo que não és musa nem deusa
mas a mulher do meu horizonte
na imperfeição e na incoincidência do dia-a-dia
Por ti desejo o sossego oval
em que possas identificar-te na limpidez de um centro
em que a felicidade se revele como um jardim branco
onde reconheças a dália da tua identidade azul
É porque amo a cálida formosura do teu rosto
a latitude pura da tua fronte
o teu olhar de água iluminada
o teu sorriso solar
é porque sem ti não conheceria o girassol do horizonte
nem a túmida integridade do trigo
que eu procuro as palavras fragrantes de um oásis
para a oferenda do meu sangue inquieto
onde pressinto a vermelha trajectória de um sol
que quer resplandecer em largas planícies
sulcado por um tranquilo rio sumptuoso.


(António Ramos Rosa, “O teu rosto”, in “O Navio da Matéria”, 1994))
Desenho GOOGLE

13 Comentários:

Às 28 outubro, 2007 08:02 , Blogger Paula Raposo disse...

Um sempre admirável poema do Poeta que tu mais aprecias. Eu também. Um dos vários. A imagem foi escolhida criteriosamente, como sempre, aliás...

 
Às 28 outubro, 2007 08:52 , Blogger Tiago R Cardoso disse...

excelente escolha.

 
Às 28 outubro, 2007 09:19 , Blogger Peter disse...

Paula

Obrigado pelo teu amável comentário e que a semana que hoje acabou também tenha acabado com o mau tempo.

 
Às 28 outubro, 2007 09:22 , Blogger António disse...

Olá!
Há rostos de mulher que até convidam ao amor platónico, digo eu.

Abraço

 
Às 28 outubro, 2007 10:35 , Blogger bluegift disse...

Tiago, ainda bem que gostas de Ramos Rosa. É um dos poetas preferidos aqui deste cantinho.

 
Às 28 outubro, 2007 10:43 , Blogger bluegift disse...

antónio, lembras-me aquela anedota do homem, neste caso da mulher, ideal: podemos usufruir de todas as qualidades possiveis de encontrar, beleza, dedicacao, sensualismo etc., é preciso é que eles(as) nunca se encontrem...

 
Às 28 outubro, 2007 11:56 , Blogger António disse...

Para a "bluegift":

Acreditas que ainda a li esta manhã?

Beijo

 
Às 28 outubro, 2007 15:19 , Blogger Meg disse...

Que posso eu dizer de um poeta que amo... ?!?!?Há tanto tempo!!!

"Meu país de palavras.
País de pedra.
Que atravesso, país que treme, hesita, rompe...
Nu...Vivo...Pobre..."

Foi muito bom passar por aqui, Peter!

 
Às 28 outubro, 2007 18:40 , Blogger Papoila disse...

Uma belíssima escolha. Um poeta que adoro.
Beijos

 
Às 28 outubro, 2007 22:20 , Blogger Vieira Calado disse...

Dos primeiros poemas do autor.
Depois mudou o estilo.
Por aquilo que me dizem, hoje retoma um pouco, as origens.
Boa noite.
Um abraço.

 
Às 28 outubro, 2007 23:23 , Blogger Betty Branco Martins disse...

Olá Peter

É admirável a poesia de António Ramos Rosa

Excelente escolha (deste poema ou qualquer outro dele)

obrigada

Beijo
boaSemana

 
Às 29 outubro, 2007 14:13 , Blogger Ant disse...

Este soube bem peter. Abraço

 
Às 29 outubro, 2007 22:20 , Blogger Olhos de mel disse...

Oie Peter! Um belo poema! Obrigada por dividir tanta coisa maravilhosa, que tenho oportunidade de conhecer por aqui.
Beijos

 

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