segunda-feira, fevereiro 12

Rainer Maria Rilke : a coisa Mulher


“ (…) Por certo, as mulheres, em quem a vida se detém, permanece e mora de um modo mais imediato, mais fecundo, mais confiado, devem ter-se tornado seres mais maduros e mais humanos do que os homens. Este, além de leviano – por não o obrigar o peso de nenhum fruto das suas entranhas a descer sob a superfície da vida – é também vaidoso, presunçoso, confuso, e menospreza, na realidade, a quem crê amar…Esta mais profunda humanidade da mulher, consumada entre sofrimentos e humilhações, sairá à luz e virá a resplandecer quando as mudanças e transformações da sua condição externa se houver desprendido e libertado dos convencionalismos alheios ao meramente feminino. Os homens, aqueles que não pressintam esse advento, sentir-se-ão surpreendidos e vencidos. Chegará um dia, que indubitáveis sinais percursores anunciam já de um modo eloquente e brilhante, sobretudo nos países nórdicos, em que aparecerá a mulher cujo nome já não significará apenas algo oposto ao homem, mas sim algo próprio, independente. Nada que faça pensar num complemento ou limite, senão sómente em vida e em ser: o Humano feminino”.

(Rilke, “Cartas a Um Jovem Poeta”, sétima carta, de 14 de Maio de 1904)

12 Comentários:

Às 12 fevereiro, 2007 09:17 , Blogger Paula Raposo disse...

Bluegift: concordo inteiramnte com esta carta. A um século de distância a evolução foi alguma, mas podia ter sido maior! Beijos.

 
Às 12 fevereiro, 2007 10:10 , Blogger bluegift disse...

Paula, o humanismo é transversal na profundidade do ser. Genético ou aprendido, só evolui pelo desenvolvimento de uma melhor consciência em relação ao outro, à sua dor como "pessoa". Demos um grande passo civilizacional face ao obscurantismo, ainda demasiado presente entre nós, ricos e pobres, disso não restaram quaisquer dúvidas.
Muito há ainda por fazer. Beijos também para ti.

 
Às 12 fevereiro, 2007 12:12 , Blogger Ant disse...

Olá Bluegift, não deverias ter-te apoquentado :)) Nunca deixei de votar e sempre com a comsciência bem desperta :)

A minhas desculpas pela falta de atenção ao teu espaço do referendo, as de facto não reparei quando vim cá.

Peter, se soubesses o pouco tempo que cada vez mais tenho (soa estranho não é?)
Deixa lá ver se hoje me sai alguma coisa e deixo ficar lá de molho. Este texto dalue tem que respirar.
Abraços

 
Às 12 fevereiro, 2007 12:34 , Blogger Peter disse...

Ant, passei agora pelo teu blog. Não te incomodes. Temos o maior prazer em que continues connosco.
Cada um escreve o que quer e quando pode fazê-lo.

Eu tenho mais disponibilidade de tempo e por isso apareço mais por aqui

O blog é para dar expressão à nossa criatividade, mas também para fazermos sentir os nossos protestos e as nossas preocupações.

Abraço

 
Às 12 fevereiro, 2007 12:42 , Blogger Peter disse...

"Blue", aqui temos "os 3 mosqueteiros" juntos.

Não podias ter arranjado melhor maneira para iniciares esta semana, que é uma semana especial para a MULHER:

- um texto e uma música adequados.

 
Às 12 fevereiro, 2007 17:08 , Anonymous Sutra disse...

Teremos... a Mulher por si, para si e em si!


bj doce

www.contossecretos.com

 
Às 12 fevereiro, 2007 17:09 , Blogger Sutra disse...

uau! fui erradicada! o.0

ok...

 
Às 12 fevereiro, 2007 17:50 , Blogger bluegift disse...

Acho que sim, Peter. Os 3 mosqueteiros ficam bem assim ;)

 
Às 12 fevereiro, 2007 17:54 , Blogger bluegift disse...

Sutra, a secção limpezas é com o Peter. Mas acho que algumas presenças são é sazonais, assim é mais rápido passar revista a todos. ;)

 
Às 12 fevereiro, 2007 17:56 , Blogger bluegift disse...

Ant, eu sei que o essencial não te escapa, fazes bem :) beijos.

 
Às 12 fevereiro, 2007 19:13 , Blogger Peter disse...

"blue", quem? A "sutra"? Podíamos lá agora passar sem ela!
Deve ter sido lápis.

 
Às 12 fevereiro, 2007 22:03 , Blogger António disse...

Olá, Peter!
Premonitória, a carta.
Mas se a Rilke escrevesse hoje e não em 1904, fá-lo-ía de forma muito diferente, certamente.

Eu sei muito bem quem são os conversadores.
Só que ainda não tive pachorra para mudar.
eh eh

Um abraço

 

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