quarta-feira, novembro 22

L’étranger



“Qui aimes-tu le mieux, homme énigmatique, dis? Ton père, ta mère, ta soeur ou ton frère ?
- Je n’ai ni père, ni mère, ni soeur, ni frère.
- Tes amis ?
- Vous vous servez là d’une parole dont le sens m’est resté jusqu’à ce jour inconnu.
- Ta patrie ?
- J’ignore sous quelle latitude elle est située.
- La beauté ?
- Je l’aimerais volontiers, déesse et immortelle.
- L’or ?
- Je le hais come vous haïssez Dieu.
- Eh ! qu’aimes-tu donc, extraordinaire étranger ?
- J’aime les nuages ... les nuages qui passent ... là-bas ... là-bas ... les merveilleux nuages ! »

(Charles Baudelaire, « Le spleen de Paris – petits poèmes en prose »)

Adoro este texto de Beaudelaire. Sinto-me como « o estrangeiro », até certo ponto identifico-me com ele, parando na rua só para ver as nuvens.
Não olhamos em volta, maravilhando-nos com tudo o que nos rodeia. Somos demasiado terrenos.

(Foto Peter)

9 Comentários:

Às 22 novembro, 2006 11:33 , Blogger Paula Raposo disse...

Olhar em redor e maravilharmo-nos com tudo é muito bom! Não só as nuvens...tudo o resto. Um belo texto, sem dúvida. Beijos.

 
Às 22 novembro, 2006 11:52 , Blogger mfc disse...

As nuvens... ao menos elas parecem livres!

 
Às 22 novembro, 2006 18:01 , Blogger Nilson Barcelli disse...

O texto é excelente, de facto.
Um abraço.

 
Às 22 novembro, 2006 18:15 , Blogger Papoila disse...

Maravilharmo-nos com o que nos rodeia... essa a liberdade de ser ou não feliz... e conseguir perceber que é a luz que faz que com que a rosa assim brilhe...a LUZ! Parabéns pela luminosidade das fotos de ontem (que não consegui comentar) e de hoje. Beijo

 
Às 23 novembro, 2006 09:37 , Blogger António disse...

Olá, Peter!
Se calhar não vem muito a propósito mas, quando era menino e rapaz, conheci um senhor, amigo da família e fotógrafo amador.
E ele ensinou-me que nunca se deve tirar uma fotografia de exteriores que não apanhe um pedaço de céu com núvens.
Tornam a foto muito mais rica.

Obrigado pela visita.
Os gerentes do "Borda d'água" ainda são pouco batidos no negócio das meninas, por isso não experimentaram o material.
Mas irão aprender com o tempo, seguramente...ah ah ah.

Beijinhos

 
Às 23 novembro, 2006 09:39 , Blogger António disse...

Ó pá!
Enganei-me!!!!
Não são nada beijinhos...é um abraço!
ah ah ah

 
Às 23 novembro, 2006 09:50 , Blogger MARTA disse...

Ah, Peter, agora já entendes a minha frase???
O teu texto é uma perfeita maravilha.
Obrigada pela partilha.
Beijos e abraços
Marta

 
Às 23 novembro, 2006 14:09 , Blogger bluegift disse...

Nuvens que pintam o céu em telas que podem alcançar uma beleza incalculável. Choques instantaneos de deslumbre que nos assaltam sem aviso.
Belíssimo este Baudelaire.

 
Às 23 novembro, 2006 14:23 , Blogger Peter disse...

António, aqui há uns anos fizemos um intercâmbio estudantil, no âmbito do Club Europeu de Cultura, com os estudantes do Istituto Tecnico Per Geometri "Antonio da Sangallo il Giovane" de Terni. Eu era um dos Profs que acompanhava os nossos alunos e tive de "gramar" os beijos dos profs italianos.
O que vale é que não lhe tomei o gosto. LOL

 

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